Café fecha em alta em NY e Londres, mas queda do dólar limita preços no mercado brasileiro
Os preços do café encerraram a segunda-feira (5) em alta nas bolsas internacionais, sustentados pelas preocupações com o clima nas principais origens produtoras, pelos baixos estoques certificados de arábica e também pela forte valorização do real frente ao dólar.
Na Bolsa de Nova York, o arábica dezembro/26 terminou o pregão a 292,55 cents/lbp, março/27 fechou a 284,30 cents/lbp e maio/27 encerrou a 280,90 cents/lbp.
Em Londres, o robusta novembro/26 fechou a US$ 3.528 por tonelada, valorização de 1,70%. Janeiro/27 terminou a US$ 3.512, com ganho de 64 pontos, março/27 avançou 68 pontos, para US$ 3.492, e maio/27 também ganhou 68 pontos, encerrando a US$ 3.480 por tonelada.
Durante a sessão, o mercado continuou acompanhando as condições climáticas no Brasil e no Vietnã. Nas regiões brasileiras produtoras de arábica, a atenção permanece voltada à regularidade das chuvas durante a florada da safra 2026/27. Já no Vietnã, volumes elevados de precipitação mantêm preocupações sobre o início da colheita do robusta e eventuais impactos sobre os trabalhos de campo e a qualidade dos grãos.
Outro fator de sustentação segue sendo o baixo volume de estoques certificados de arábica na ICE, o que mantém as cotações sensíveis a possíveis riscos adicionais sobre a oferta.
Nesta segunda-feira, porém, o câmbio também ganhou papel relevante na formação dos preços. Segundo análise do Barchart, a valorização do real tende a desestimular vendas para exportação pelos produtores brasileiros, reduzindo a pressão de oferta do maior produtor mundial no mercado internacional e oferecendo suporte às cotações futuras.
No mercado físico brasileiro, o efeito é diferente. A Safras & Mercado destacou que a forte queda do dólar reduz a conversão das cotações internacionais para reais e tende a pressionar os preços domésticos, podendo manter os produtores mais retraídos nas negociações.
Assim, o mesmo movimento cambial que ajudou a sustentar Nova York acabou limitando a transmissão da valorização internacional para o produtor brasileiro.