Café recua em Nova York e Londres nesta terça-feira após disparada de mais de 3% do arábica

Publicado em 20/10/2026 07:33
Contratos iniciam pregão em baixa, mas estoques certificados reduzidos e riscos para a oferta futura continuam no radar

Os preços internacionais do café iniciaram a terça-feira (20) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, após as fortes valorizações registradas na sessão anterior. O mercado apresenta um movimento inicial de recuo, enquanto investidores seguem acompanhando a disponibilidade de estoques certificados e as perspectivas de oferta nas principais regiões produtoras.

Por volta das 7h20 (horário de Brasília), o vencimento dezembro/26 do café arábica era negociado a 313,00 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com desvalorização de 0,86%. O março/27 recuava 0,91%, cotado a 299,50 cents, enquanto o maio/27 perdia 0,93%, valendo 294,70 cents por libra-peso.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta também apresentava perdas. O contrato novembro/26 era negociado a US$ 3.471 por tonelada, com baixa de US$ 13. O janeiro/27 recuava US$ 13, cotado a US$ 3.467, enquanto o março/27 perdia US$ 11, valendo US$ 3.447 por tonelada.

O movimento ocorre após uma segunda-feira de altas expressivas. O arábica dezembro/26 encerrou o pregão anterior a 315,70 cents por libra-peso, com valorização de 3,31%, enquanto o robusta janeiro/27 terminou a US$ 3.480 por tonelada, avanço de 2,20%.

Estoques certificados permanecem no radar

Apesar das perdas iniciais, os baixos estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York continuam entre os fundamentos acompanhados pelo mercado.

Segundo informações da Reuters divulgadas na segunda-feira, os estoques certificados da ICE estavam em 240.767 sacas, próximos da mínima de aproximadamente 27 anos, registrada em setembro, de 217.646 sacas.

A baixa disponibilidade tem provocado preocupações sobre a chegada de novos carregamentos brasileiros aos armazéns certificados antes do vencimento do contrato dezembro.

Em entrevista concedida ao Notícias Agrícolas na segunda-feira, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a recente valorização do arábica está mais relacionada à cobertura de posições vendidas no mercado futuro do que propriamente a uma mudança nas perspectivas climáticas.

Segundo o analista, a baixa disponibilidade de café nos estoques certificados, combinada aos diferenciais elevados de determinadas origens produtoras, contribui para a valorização mais intensa dos contratos futuros em relação aos preços praticados no mercado físico.

Clima e oferta futura continuam sob acompanhamento

As condições climáticas nas principais regiões produtoras também permanecem entre os fatores monitorados pelos agentes.

Zotti destacou que os riscos associados ao El Niño podem ser especialmente relevantes para o robusta/conilon, citando áreas produtoras do Espírito Santo, Rondônia e Indonésia.

No Vietnã, representantes do setor cafeeiro esperam estabilidade da produção na temporada 2026/27, mas demonstram preocupação com possíveis impactos do fenômeno climático sobre a disponibilidade de água para irrigação na safra 2027/28.

Por enquanto, os riscos futuros ainda não foram convertidos em estimativas confirmadas de perdas de produção.

O mercado acompanha agora se as baixas iniciais desta terça-feira representarão apenas uma acomodação após as fortes altas recentes ou o começo de uma correção mais prolongada.

Fonte: Notícias Agrícolas

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