Café arábica salta mais de 3% em Nova York nesta segunda-feira e robusta também avança em Londres

Analista aponta cobertura de posições vendidas e estoques certificados reduzidos como fatores para disparada das cotações; clima e câmbio seguem no radar
Publicado em 19/10/2026 16:35

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Os preços internacionais do café encerraram a segunda-feira (19) com fortes valorizações nas bolsas de Nova York e Londres. O arábica avançou mais de 3% nos principais contratos, enquanto o robusta registrou ganhos superiores a 2%, em um mercado que acompanha a baixa disponibilidade de estoques certificados, as movimentações dos investidores e os riscos climáticos para as próximas safras.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 terminou negociado a 315,70 cents por libra-peso, com alta de 10,10 pontos, equivalente a 3,31%. O março/27 avançou 7,75 pontos, para 302,25 cents, enquanto o maio/27 ganhou 6,95 pontos e encerrou a 297,45 cents por libra-peso.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o contrato novembro/26 do café robusta fechou cotado a US$ 3.484 por tonelada, com valorização de US$ 70. O janeiro/27 avançou US$ 75, para US$ 3.480, enquanto o março/27 subiu US$ 80, terminando a US$ 3.458 por tonelada.

Cobertura de posições vendidas pode explicar alta do arábica

Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a forte valorização do arábica está mais relacionada à necessidade de cobertura de posições vendidas no mercado futuro do que a uma mudança recente nas perspectivas climáticas.

Segundo o analista, a baixa disponibilidade de café nos armazéns certificados das bolsas internacionais dificulta a entrega física para agentes que operam contratos futuros. Ao mesmo tempo, os diferenciais elevados cobrados por cafés de determinadas origens tornam mais complexa a substituição desses contratos pela compra de produto no mercado disponível.

Essa combinação, na avaliação de Zotti, ajuda a explicar por que os contratos futuros apresentam uma valorização mais intensa do que os preços praticados no mercado físico brasileiro.

As preocupações com os estoques certificados também foram destacadas pela Reuters. Na última sexta-feira (16), a agência informou que os estoques de arábica da ICE permaneciam próximos das mínimas de aproximadamente 27 anos, em meio a dúvidas sobre a chegada de café brasileiro aos armazéns certificados antes do vencimento de dezembro.

Estoques no Brasil contrastam com disponibilidade nos países compradores

Zotti também destacou que a distribuição dos estoques internacionais precisa ser considerada na análise dos preços.

De acordo com o especialista, o Brasil registrou uma boa safra de café em 2026 e mantém volumes relevantes armazenados nas regiões produtoras. Entretanto, a disponibilidade nos países consumidores e nas bolsas internacionais permanece reduzida.

Essa diferença, segundo ele, contribui para a sustentação dos preços internacionais, mas não elimina o risco de pressão futura sobre o mercado brasileiro.

O analista alertou que parte dos produtores poderá precisar ampliar as vendas nos próximos meses para liberar espaço de armazenagem antes da entrada da safra de 2027.

El Niño preocupa principalmente o robusta, avalia analista

Embora as preocupações climáticas continuem presentes no mercado, Zotti questionou a utilização do El Niño como explicação principal para a valorização recente do arábica.

Na avaliação dele, o robusta/conilon apresenta maior exposição aos possíveis impactos do fenômeno, especialmente em regiões produtoras do Espírito Santo, Rondônia e Indonésia.

O especialista destacou que a Indonésia merece atenção em razão do estágio de desenvolvimento de suas lavouras e dos riscos associados às condições de temperatura e precipitação.

As preocupações com a oferta futura do robusta também ganharam força após informações divulgadas nesta segunda-feira sobre o Vietnã.

Segundo reportagem da Reuters publicada pelo Notícias Agrícolas, representantes do setor vietnamita esperam estabilidade na produção de 2026/27, mas já demonstram preocupação com a disponibilidade de água para irrigação durante a temporada 2027/28, diante dos possíveis efeitos do El Niño.

Até o momento, entretanto, os riscos climáticos para a próxima temporada ainda não foram traduzidos em estimativas confirmadas de perdas de produção.

Qualidade do café e câmbio exigem atenção do produtor

Para o mercado brasileiro, Zotti destacou que os cafés arábicas de melhor qualidade podem apresentar maior potencial de valorização em dólares, especialmente diante dos diferenciais praticados por outras origens produtoras.

O especialista ressaltou, porém, que a formação do preço recebido pelo produtor também depende do câmbio, dos diferenciais comerciais e dos custos logísticos.

Dessa forma, uma eventual valorização do real diante do dólar poderá reduzir parte dos ganhos obtidos com a alta dos contratos futuros.

Zotti também recomendou atenção à gestão de risco e às necessidades individuais de comercialização, destacando que suas projeções representam cenários de mercado e não uma recomendação generalizada de retenção ou venda do produto.

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