Arábica amplia sequência de perdas em Nova York e já recua mais de 7% desde sexta-feira
Os preços futuros do café arábica continuam pressionados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nesta quarta-feira (28), acumulando o terceiro pregão consecutivo de desvalorização. O contrato dezembro apresenta queda próxima de 3% nesta sessão e já perdeu mais de 7% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Em Londres, o robusta também opera em baixa, embora com perdas mais moderadas.
Por volta das 12h (horário de Brasília), o arábica dezembro/26 era negociado a 285,35 cents por libra-peso, com desvalorização de 2,86%. O março/27 recuava 2,17%, cotado a 275,00 cents, enquanto o maio/27 perdia 2,40%, para 270,45 cents. O julho/27 apresentava queda de 2,30%, negociado a 267,85 cents por libra-peso.
A pressão permanece intensa desde o início da semana. Na segunda-feira (26), o dezembro/26 fechou com queda de 2,11%, a 300,95 cents por libra-peso. Na terça-feira (27), perdeu outros 2,39%, encerrando a 293,75 cents. Considerando a cotação desta quarta-feira, o contrato acumula desvalorização de aproximadamente 7,19% em relação aos 307,45 cents registrados na sexta-feira (23).
Em Londres (ICE Futures Europe), o robusta janeiro/27 era negociado a US$ 3.196 por tonelada, com baixa de US$ 24, equivalente a 0,75%, na atualização das 10h05 pelo horário indicado pela Barchart. O março/27 também perdia US$ 24, cotado a US$ 3.181, enquanto o maio/27 recuava US$ 20, para US$ 3.174 por tonelada.
O movimento ocorre após uma terça-feira de valorização para o robusta, quando o contrato janeiro/27 avançou 0,59%, encerrando a US$ 3.220 por tonelada. Nesta quarta-feira, entretanto, os principais vencimentos voltaram a apresentar perdas, acompanhando a direção negativa de Nova York, mas sem a mesma intensidade.
Perspectivas de maior oferta mantêm mercado atento ao Brasil
As expectativas de recuperação da disponibilidade internacional de café continuam entre os fundamentos acompanhados pelos operadores. A melhora das condições climáticas em importantes regiões produtoras brasileiras e a recuperação das exportações do país têm contribuído para uma perspectiva de maior abastecimento nos próximos meses.
Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank destacou uma mudança nas expectativas do mercado, com a atenção se deslocando dos riscos de oferta restrita para a possibilidade de recomposição dos estoques globais. A instituição relacionou essa perspectiva às condições climáticas mais favoráveis no Brasil, no Vietnã e na Indonésia, além da expectativa de aumento dos embarques brasileiros. Ressaltou, entretanto, que o balanço futuro permanece sujeito a incertezas.
No caso dos estoques certificados de arábica em Nova York, a disponibilidade permanece historicamente reduzida. Mesmo assim, o mercado acompanha a possibilidade de entrada de novos carregamentos brasileiros destinados à certificação na bolsa, o que poderia aliviar parte das restrições de disponibilidade para entrega.
O comportamento do câmbio também permanece relevante. A forte desvalorização do real no início da semana aumentou a atenção sobre a competitividade das exportações brasileiras, enquanto as oscilações posteriores da moeda continuam influenciando as expectativas de comercialização e formação dos preços domésticos.
Na Ásia, a proximidade da entrada de novos volumes da safra vietnamita de robusta também integra as avaliações sobre a oferta. Ao mesmo tempo, os riscos de irregularidade climática no Vietnã e na Indonésia continuam sendo acompanhados para os ciclos seguintes, impedindo uma leitura de abastecimento inteiramente confortável.
Com isso, o arábica amplia a sequência negativa nesta quarta-feira, enquanto o robusta registra perdas menores em Londres. A evolução dos estoques certificados, o comportamento das exportações brasileiras e as perspectivas climáticas nas principais origens produtoras continuarão entre os fatores de atenção para os próximos pregões.