Arábica fecha terça-feira com queda de 2,39% em Nova York, enquanto robusta avança em Londres

Perspectivas de maior oferta e movimentação dos estoques seguem no radar
Publicado em 27/10/2026 15:26 | Atualizado em 27/10/2026 17:04

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Os preços internacionais do café encerraram a terça-feira (27) em direções opostas nas bolsas de Nova York e Londres. O arábica registrou mais uma sessão de perdas expressivas, com desvalorização de 2,39% no contrato dezembro, enquanto o robusta fechou em alta, recuperando parte do terreno perdido nos últimos pregões.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica terminou cotado a 293,75 cents por libra-peso, com queda de 7,20 pontos, equivalente a 2,39%. O março/27 recuou 4,10 pontos, encerrando a 281,10 cents, enquanto o maio/27 perdeu 3,55 pontos e fechou a 277,10 cents por libra-peso.

Durante o pregão, a pressão sobre o arábica chegou a ser mais intensa. Por volta das 11h55 (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a 289,80 cents por libra-peso, com perda de 3,71%. A recuperação de 3,95 cents até o fechamento reduziu a intensidade da queda, mas não foi suficiente para reverter o resultado negativo.

O movimento dá continuidade à desvalorização observada na segunda-feira (26), quando o mesmo contrato havia perdido 2,11%, encerrando a 300,95 cents. Na comparação com o fechamento da sexta-feira (23), de 307,45 cents, o arábica dezembro já acumula queda de aproximadamente 4,46% nos dois primeiros pregões desta semana.

Em Londres (ICE Futures Europe), o robusta apresentou comportamento diferente. O contrato novembro/26 avançou US$ 46 por tonelada, encerrando a US$ 3.240, alta de 1,44%. O janeiro/27 subiu US$ 19, para US$ 3.220, enquanto o março/27 ganhou US$ 17 e terminou a US$ 3.205 por tonelada. O maio/27 também registrou valorização de US$ 17, fechando a US$ 3.194.

A recuperação do robusta ocorreu após uma segunda-feira de perdas nas duas bolsas. Apesar da valorização desta terça, os contratos de Londres ainda refletem a volatilidade recente, em um mercado atento ao comportamento dos estoques certificados e às perspectivas de entrada de novos volumes de café no comércio internacional.

Exportações brasileiras e perspectivas de oferta seguem no radar

A recuperação das exportações brasileiras e as condições climáticas nas principais regiões produtoras continuam entre os fatores acompanhados pelos operadores. O maior fluxo de café do Brasil para os mercados consumidores tem alimentado expectativas de melhora do abastecimento internacional, embora o efeito sobre os estoques certificados dependa da chegada, classificação e aprovação dos carregamentos destinados às bolsas.

Segundo levantamento do Cecafé reunido pela Terra Agro Insights, o Brasil havia embarcado aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro, crescimento de 43,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço reforça a recuperação das vendas externas brasileiras, mas não representa recomposição imediata dos estoques disponíveis para entrega em Nova York.

Em relatório publicado em outubro, o Rabobank destacou que as condições climáticas mais favoráveis em importantes origens produtoras, especialmente Brasil, Vietnã e Indonésia, ampliaram a perspectiva de recuperação dos estoques globais nos próximos ciclos. A instituição ressaltou, entretanto, que o balanço entre oferta e demanda permanece sujeito a incertezas relacionadas ao clima e ao desenvolvimento das lavouras.

Em Nova York, os estoques certificados de arábica continuam em níveis historicamente reduzidos, fator que pode oferecer sustentação aos vencimentos mais próximos. Entretanto, as expectativas de entrada de novos carregamentos e de aumento da disponibilidade internacional permanecem no radar dos participantes do mercado.

No Brasil, o câmbio também continua influenciando a formação dos preços domésticos. Após a forte valorização do dólar na segunda-feira, o mercado acompanhou novos ajustes da moeda nesta terça-feira, com possíveis reflexos sobre a competitividade das exportações e as cotações recebidas pelos produtores.

Assim, o café termina o segundo pregão da semana com comportamentos distintos entre as variedades. Enquanto o arábica amplia as perdas em Nova York, o robusta encontra espaço para uma recuperação em Londres, mantendo as atenções voltadas à disponibilidade internacional, aos estoques certificados e às condições para as próximas safras.

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