Após perder quase 7% na semana, arábica busca estabilidade em Nova York nesta quinta-feira

Publicado em 29/10/2026 09:13
Contratos oscilam próximos dos ajustes anteriores, enquanto robusta avança em Londres; perspectivas de oferta e estoques certificados continuam no radar

Os preços futuros do café iniciaram a quinta-feira (29) com movimentos moderados nas bolsas internacionais, após uma sequência de fortes desvalorizações no mercado de arábica. Em Nova York, os contratos operavam próximos da estabilidade, enquanto o robusta registrava pequenas altas em Londres, em meio às avaliações sobre a disponibilidade global do produto.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 286,35 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com recuo de 0,14%. O março/27 avançava 0,07%, cotado a 276,40 cents, enquanto o maio/27 apresentava valorização de 0,04%, para 272,35 cents por libra-peso.

A relativa estabilidade representa uma mudança de ritmo em relação aos primeiros pregões da semana. Desde o fechamento da última sexta-feira (23), quando o contrato dezembro/26 estava cotado a 307,45 cents por libra-peso, o arábica acumulou desvalorização de 6,73% até quarta-feira (28), encerrando a sessão anterior a 286,75 cents.

Apesar da diminuição da intensidade das oscilações nesta manhã, o comportamento dos preços ainda não caracteriza uma recuperação consolidada. O mercado continua avaliando as perspectivas de aumento da oferta internacional e as condições de abastecimento nos principais países consumidores.

Robusta tenta recuperar terreno em Londres

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta apresentava ganhos moderados nesta quinta-feira. O contrato janeiro/27 avançava US$ 11, para US$ 3.210 por tonelada, valorização de 0,34%.

O março/27 registrava alta de US$ 15, negociado a US$ 3.198 por tonelada, enquanto o maio/27 subia US$ 18, para US$ 3.193 por tonelada.

O movimento ocorre depois de semanas marcadas pela pressão das perspectivas de maior disponibilidade da variedade, especialmente com a aproximação da colheita vietnamita e a recomposição dos estoques certificados na bolsa londrina.

Embora os ganhos desta manhã indiquem uma tentativa de recuperação, a expectativa de entrada de novos volumes no mercado internacional continua sendo um fator relevante para a formação das cotações.

Estoques e perspectivas de oferta seguem no radar

As condições de abastecimento permanecem no centro das avaliações do mercado. Em Nova York, os estoques certificados de arábica continuam reduzidos em comparação com o ano anterior, limitando a disponibilidade de café apto à entrega nos contratos futuros.

Segundo levantamento da Terra Agro Insights, os estoques certificados de arábica totalizavam 234.433 sacas em 22 de outubro, diante de 465.910 sacas no mesmo período de 2025. A disponibilidade limitada representa um elemento de sustentação para os preços, mesmo diante das expectativas de melhora da oferta.

Por outro lado, o avanço das exportações brasileiras e as perspectivas para as próximas safras reforçam as avaliações sobre uma possível recomposição da disponibilidade internacional.

Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank destacou que a melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras, especialmente Brasil, Vietnã e Indonésia, ampliou as perspectivas de recuperação dos estoques globais nos próximos ciclos. A instituição, entretanto, ressaltou que o balanço entre oferta e demanda ainda apresenta incertezas importantes.

No Brasil, as condições climáticas seguem como um ponto de atenção para o desenvolvimento das lavouras. Apesar dos relatos de floradas dentro do esperado em diferentes regiões produtoras, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas continuam gerando preocupações sobre a formação e o pegamento dos frutos.

Para os cafeicultores brasileiros, a tentativa de estabilização das bolsas ocorre após uma sequência de perdas que reduziu as referências internacionais de preços. A evolução das cotações, combinada às oscilações do câmbio e aos diferenciais praticados no mercado físico, continuará determinando as condições de comercialização nas próximas semana.

Fonte: Notícias Agrícolas

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