Café inicia novembro com altas superiores a 1% em Nova York e Londres, em meio à atenção aos estoques da ICE
Os preços futuros do café encerraram a segunda-feira (2) com valorizações superiores a 1% nas bolsas internacionais, confirmando a recuperação observada desde a abertura do primeiro pregão de novembro. Em Nova York, o arábica voltou a terminar acima dos 290 cents por libra-peso, enquanto o robusta também apresentou ganhos em Londres. O movimento ocorre em meio à atenção do mercado aos estoques certificados na ICE, depois de uma última semana de outubro marcada por fortes desvalorizações.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica encerrou a sessão cotado a 292,10 cents por libra-peso, com valorização de 4,90 cents, equivalente a 1,71%. O março/27 avançou 3,75 cents, terminando a 280,55 cents, enquanto o maio/27 também registrou ganho de 3,75 cents, para 276,50 cents. O julho/27 fechou a 273,50 cents por libra-peso, com alta de 3,85 cents.
O mercado chegou a apresentar valorizações mais intensas ao longo da manhã. O dezembro/26 alcançou máxima de 297,05 cents por libra-peso durante o pregão, mas perdeu parte da força até o encerramento das negociações. Mesmo assim, conseguiu dar continuidade à recuperação iniciada na sexta-feira (30), quando havia avançado 0,61%.
As altas representam um alívio depois da forte pressão registrada nos últimos pregões de outubro. Entre os fechamentos de 23 e 30 de outubro, o contrato dezembro/26 acumulou desvalorização de 6,59%, passando de 307,45 para 287,20 cents por libra-peso.
Apesar da valorização desta segunda-feira, o contrato ainda permanece 4,99% abaixo do fechamento de 23 de outubro, evidenciando que a recuperação dos últimos dois pregões não foi suficiente para eliminar as perdas recentes.
Robusta também avança, mas devolve parte dos ganhos
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros do café robusta também encerraram a segunda-feira no campo positivo, com valorizações superiores a 1% nos principais vencimentos.
O contrato janeiro/27 fechou cotado a US$ 3.241 por tonelada, com ganho de US$ 37, equivalente a 1,15%. O março/27 avançou US$ 34, terminando a US$ 3.227 por tonelada, enquanto o maio/27 apresentou valorização de US$ 35, para US$ 3.222. O julho/27 também subiu US$ 36, encerrando a US$ 3.212 por tonelada.
Assim como em Nova York, os contratos londrinos perderam parte da força observada durante a manhã. O janeiro/27 chegou a alcançar US$ 3.315 por tonelada, mas encerrou o pregão abaixo desse patamar, preservando parte dos ganhos em relação ao ajuste anterior.
A recuperação do robusta ocorre em um mercado que continua acompanhando a disponibilidade de café para entrega nos contratos futuros, o comportamento dos estoques certificados e as perspectivas para a nova safra vietnamita.
Estoques certificados ganham importância na formação dos preços
A movimentação dos estoques certificados da Intercontinental Exchange (ICE) permanece entre os principais elementos acompanhados pelo mercado internacional de café. Análise divulgada pelo Barchart nesta segunda-feira destacou a disponibilidade mais restrita nos estoques da bolsa como fator de sustentação para as cotações.
No mercado de arábica, os estoques certificados permanecem próximos de níveis historicamente reduzidos, depois de terem alcançado uma mínima de aproximadamente 27 anos em setembro. Essa disponibilidade limitada pode oferecer sustentação aos preços, especialmente diante da necessidade de entrega física dos contratos futuros.
Entretanto, o mercado também acompanha os volumes de café brasileiro encaminhados aos armazéns credenciados para avaliação. Esses lotes ainda dependem dos procedimentos de classificação e aprovação antes de serem incorporados aos estoques certificados, de modo que sua chegada não representa automaticamente um aumento da disponibilidade efetiva.
Em Londres, a situação dos estoques de robusta também permanece relevante, especialmente diante das oscilações registradas nas últimas semanas e da expectativa de entrada de novos volumes da produção vietnamita.
Apesar dos ganhos desta segunda-feira, as perspectivas de oferta futura continuam trazendo fatores de cautela. A melhora das condições climáticas em importantes origens produtoras, incluindo Brasil e Vietnã, pode favorecer o desenvolvimento das próximas safras e ampliar a disponibilidade internacional, caso o potencial produtivo seja confirmado.
Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank avaliou que a recuperação da produção e dos embarques poderá contribuir para uma recomposição dos estoques globais nos próximos ciclos. Essa possibilidade, entretanto, permanece condicionada à evolução das lavouras e às condições de comercialização.
Para os cafeicultores brasileiros, a recuperação das bolsas no início de novembro representa uma melhora nas referências internacionais de comercialização, depois de uma semana de perdas expressivas. Entretanto, o comportamento do dólar frente ao real, os diferenciais de qualidade e a demanda efetiva pelo produto também continuarão influenciando os preços domésticos.
A continuidade das altas dependerá da evolução dos estoques certificados, das condições climáticas nas principais regiões produtoras e da confirmação das expectativas de oferta para os próximos meses.