Arábica volta a cair em Nova York nesta sexta-feira e caminha para quinta perda consecutiva; robusta sobe em Londres

Perspectivas de oferta brasileira, colheita vietnamita e estoques certificados seguem no radar
Publicado em 30/10/2026 07:40

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Os preços futuros do café iniciaram a sexta-feira (30) com movimentos opostos nas bolsas internacionais. Em Nova York, o arábica voltou a registrar perdas, ampliando a pressão observada ao longo da semana, enquanto o robusta apresentava pequenas altas em Londres. O mercado começa o último pregão de outubro acompanhando as expectativas de maior disponibilidade global do produto, as condições climáticas nas principais origens produtoras e a movimentação dos estoques certificados.

Por volta das 7h25 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica recuava 0,26% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), negociado a 284,70 cents por libra-peso. O março/27 perdia 0,36%, cotado a 275,75 cents, enquanto o maio/27 apresentava baixa de 0,39%, para 271,95 cents por libra-peso. O julho/27 também operava no campo negativo, a 269,25 cents, com desvalorização de 0,35%.

A pressão ocorre depois de quatro sessões consecutivas de perdas no vencimento dezembro/26, que passou de 307,45 cents por libra-peso no fechamento da última sexta-feira (23) para 285,45 cents na quinta-feira (29), acumulando desvalorização de 7,16%.

Com o novo recuo desta manhã, o mesmo contrato já trabalha 7,40% abaixo do encerramento da semana anterior. A manutenção das baixas até o fechamento confirmaria a quinta sessão negativa consecutiva.

Robusta tenta recuperação em Londres

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta apresentava valorização moderada nesta sexta-feira, depois de encerrar a sessão anterior em queda.

O contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.189 por tonelada, com avanço de US$ 13, equivalente a 0,41%. O março/27 subia US$ 11, cotado a US$ 3.178 por tonelada, enquanto o maio/27 também ganhava US$ 11, para US$ 3.173 por tonelada.

Os ganhos representam uma tentativa de recuperação após a pressão recente sobre os contratos da variedade, mas ainda não caracterizam uma mudança consistente de tendência.

O mercado continua acompanhando o início da colheita de robusta no Vietnã, principal produtor mundial da variedade, além das perspectivas de disponibilidade do conilon brasileiro e da evolução dos estoques certificados na bolsa londrina.

Oferta futura e estoques permanecem entre os fundamentos

As perspectivas de maior disponibilidade global de café continuam influenciando as avaliações dos operadores. Segundo análise publicada pelo Rabobank em 19 de outubro, a melhora das condições climáticas em importantes países produtores, especialmente Brasil, Vietnã e Indonésia, reduziu parte das preocupações relacionadas à oferta futura.

A instituição considera que uma recuperação da produção, combinada ao avanço dos embarques brasileiros, poderá favorecer a recomposição dos estoques internacionais nos próximos ciclos. Entretanto, ressalta que o equilíbrio entre oferta e demanda permanece incerto e depende da evolução das condições produtivas e comerciais.

No mercado de arábica, os estoques certificados de Nova York também permanecem no radar. Informações de mercado referentes à quinta-feira apontaram aumento de 3.033 sacas, para 225.068 sacas, embora a disponibilidade continue próxima de níveis historicamente reduzidos.

O avanço dos volumes de café brasileiro apresentados para avaliação nos armazéns da ICE é outro elemento acompanhado pelos operadores, uma vez que parte desses lotes poderá futuramente integrar os estoques certificados, dependendo da aprovação nos procedimentos de classificação.

Para os cafeicultores brasileiros, a continuidade das perdas do arábica representa redução das referências internacionais de comercialização, enquanto o comportamento do dólar frente ao real e dos diferenciais praticados no mercado físico também influencia os preços recebidos pelo produtor.

O resultado desta sexta-feira determinará não apenas o fechamento semanal, mas também o balanço de outubro, depois de um período marcado por forte volatilidade nas bolsas internacionais.

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