Café volta a cair em Nova York nesta 5ª feira, enquanto robusta mantém ganhos em Londres

Publicado em 05/11/2026 13:51
Volatilidade cambial, vendas brasileiras e perspectivas de maior oferta seguem no radar

Os preços futuros do café voltaram a apresentar movimentos distintos nas bolsas internacionais na tarde desta quinta-feira (5). Depois de iniciar a sessão em alta, o arábica perdeu força e passou a recuar em Nova York, enquanto o robusta manteve as valorizações em Londres, embora também tenha reduzido parte dos ganhos registrados pela manhã. O mercado segue atento à volatilidade cambial no Brasil, ao ritmo das exportações e às perspectivas de maior disponibilidade global do produto.

Por volta das 13h29 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 277,95 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com queda de 1,80 cent, equivalente a 0,64%. O março/27 recuava 1,15 cent, cotado a 269,75 cents, enquanto o maio/27 perdia 0,45 cent, para 266,70 cents. O julho/27 apresentava baixa de 0,90 cent, negociado a 263,85 cents por libra-peso.

A inversão ocorreu depois de uma abertura positiva, quando o dezembro/26 chegou a ser negociado a 280,80 cents por libra-peso. Durante a sessão, o vencimento alcançou a máxima de 284,40 cents, mas perdeu sustentação e recuou até 277,20 cents. Caso as perdas sejam mantidas até o encerramento, o arábica completará a terceira sessão consecutiva de desvalorização.

Robusta mantém valorização em Londres

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta permaneciam em alta, ampliando a recuperação iniciada na quarta-feira (4).

O janeiro/27 era negociado a US$ 3.248 por tonelada, com valorização de US$ 20, equivalente a 0,62%. O março/27 avançava US$ 21, para US$ 3.229, enquanto o maio/27 registrava ganho de US$ 21, cotado a US$ 3.221. O julho/27 subia US$ 16, negociado a US$ 3.206 por tonelada.

Apesar da manutenção das altas, o movimento perdeu intensidade em relação à abertura. Pela manhã, o janeiro/27 chegou a registrar valorização de 1,64%, cotado a US$ 3.281 por tonelada. Durante o pregão, alcançou a máxima de US$ 3.298, mas devolveu parte dos ganhos ao longo das negociações.

A diferença entre as duas bolsas ocorre em um cenário de expectativas de maior disponibilidade de café, com a aproximação de novas safras e a possibilidade de recomposição dos estoques internacionais.

Câmbio estimula comercialização brasileira, aponta Hedgepoint

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, com análises referentes ao encerramento de outubro, a Hedgepoint Global Markets destacou que a volatilidade cambial brasileira tem influenciado diretamente as decisões de comercialização dos produtores e exportadores de café.

Segundo a consultoria, a forte desvalorização do real após o segundo turno das eleições brasileiras ampliou a atratividade das vendas em moeda nacional, mesmo diante das perdas registradas nas bolsas internacionais.

Entre 23 e 26 de outubro, o primeiro contrato futuro do arábica apresentou queda de 2,1% em dólares por saca de 60 quilos, enquanto seu valor convertido em reais registrou valorização de 6,5%. A diferença, segundo a Hedgepoint, incentivou novas vendas no mercado brasileiro, aumentando a disponibilidade potencial de café para exportação.

“A desvalorização do real compensou parte da queda dos preços em dólares, mas os fundamentos mais amplos do café seguem baixistas e podem continuar pressionando as cotações”, afirmou Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

A consultoria também destacou a aceleração dos embarques brasileiros. Conforme dados preliminares do Cecafé disponíveis até 30 de outubro, haviam sido emitidos certificados para mais de 5 milhões de sacas, das quais aproximadamente 4,9 milhões já estavam embarcadas.

Os números reforçam a expectativa de maior presença do produto brasileiro no mercado internacional, embora ainda dependam da consolidação dos dados definitivos de exportação.

Clima favorável e perspectivas de produção reforçam pressão sobre preços

Além do câmbio e das exportações, a Hedgepoint aponta que as condições climáticas brasileiras permanecem favoráveis ao desenvolvimento da safra 2027/28.

Segundo a consultoria, as chuvas acima da média registradas em setembro e outubro, combinadas às temperaturas amenas, contribuíram para o pegamento das floradas nas regiões produtoras de arábica e conilon.

A expansão de área observada nos últimos três anos também pode favorecer a manutenção de uma produção elevada, caso as condições climáticas continuem positivas. A expectativa é de redução da produção de arábica em razão do ciclo bienal, mas com possibilidade de crescimento do conilon.

“Se o clima continuar colaborando, a expansão de área dos últimos três anos deve manter a produção elevada em 2027/28, mesmo com a queda esperada do arábica pelo ciclo bienal”, destacou Laleska Moda.

No cenário internacional, a perspectiva de chegada de novos volumes de café de outras origens a partir de dezembro também contribui para as expectativas de maior disponibilidade. A consultoria ressalta, entretanto, que o desenvolvimento do fenômeno El Niño permanece como fator de risco para a produção mundial, especialmente no primeiro trimestre de 2027.

Enquanto isso, os estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York continuam historicamente reduzidos, oferecendo um contraponto às expectativas de maior oferta.

Para os produtores brasileiros, a combinação entre oscilações das bolsas, câmbio e perspectivas produtivas mantém a necessidade de atenção às oportunidades de comercialização. O comportamento das cotações até o encerramento desta quinta-feira deverá indicar se a pressão sobre o arábica terá continuidade, enquanto o robusta tenta consolidar o segundo pregão consecutivo de valorização.

Fonte: Notícias Agrícolas

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