Café tenta recuperação em Nova York após três quedas consecutivas, enquanto robusta amplia ganhos em Londres
Os preços futuros do café iniciaram a sexta-feira (6) em alta nas bolsas internacionais, com o arábica tentando interromper uma sequência de três pregões consecutivos de perdas em Nova York e o robusta ampliando a recuperação observada nos últimos dias em Londres. O mercado acompanha as expectativas de maior disponibilidade brasileira, a possibilidade de recomposição dos estoques certificados e uma revisão para baixo da produção indiana, que acrescenta suporte às cotações do robusta.
Por volta das 9h29 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 278,35 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com valorização de 1,20 cent, equivalente a 0,43%. O março/27 avançava 0,95 cent, cotado a 270,20 cents, enquanto o maio/27 registrava ganho de 0,60 cent, para 266,25 cents. O julho/27 subia 0,40 cent, negociado a 263,55 cents por libra-peso.
A recuperação ocorre depois de uma quinta-feira (5) marcada pela terceira sessão consecutiva de perdas do arábica, quando o dezembro/26 encerrou a 277,15 cents por libra-peso. Considerando os três últimos pregões, o contrato acumulou desvalorização de 5,12%, refletindo a pressão recente sobre as referências internacionais.
Apesar da valorização desta manhã, a reação ainda é limitada diante das perdas acumuladas. Durante as primeiras negociações, o dezembro/26 chegou a alcançar a máxima de 279,00 cents, mas também foi negociado a 276,00 cents por libra-peso.
Robusta tenta completar terceira sessão consecutiva de alta
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros do café robusta também apresentavam valorizações, ampliando o movimento positivo registrado na quarta e na quinta-feira.
Por volta das 9h30, o contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.256 por tonelada, com ganho de US$ 15, equivalente a 0,46%. O março/27 avançava US$ 16, cotado a US$ 3.235, enquanto o maio/27 registrava alta de US$ 10, para US$ 3.219. O julho/27 subia US$ 9, negociado a US$ 3.203 por tonelada.
Entre os fundamentos que oferecem sustentação ao robusta está a revisão das estimativas de produção da Índia.
Segundo informações divulgadas pelo Barchart, o Conselho do Café indiano reduziu sua projeção para a safra 2026/27 de 400 mil para 380 mil toneladas, recuo de 5%. A revisão foi atribuída às chuvas de monções abaixo do normal, que prejudicaram as perspectivas produtivas do país.
A redução acrescenta um elemento de atenção à disponibilidade internacional, embora o mercado continue acompanhando a entrada da nova safra do Vietnã, maior produtor mundial de robusta.
Exportações brasileiras e estoques mantêm pressão sobre arábica
Em Nova York, as expectativas de aumento das exportações brasileiras continuam entre os fatores que limitam uma recuperação mais consistente dos preços.
Análises internacionais destacam a chegada de novos volumes de café brasileiro aos armazéns credenciados da Intercontinental Exchange (ICE), parte dos quais ainda aguarda classificação para eventual incorporação aos estoques certificados.
Segundo o Barchart, havia 55.396 sacas de café brasileiro aguardando classificação na terça-feira (3), maior volume em aproximadamente sete semanas. A aprovação desses lotes poderá contribuir para ampliar a disponibilidade certificada, embora a entrada do produto nos armazéns não signifique sua incorporação automática aos estoques da bolsa.
Por outro lado, os estoques certificados de arábica permanecem historicamente reduzidos. Na terça-feira, a disponibilidade estava em 220.379 sacas, próxima da mínima de 27 anos registrada em setembro.
Essa combinação mantém o mercado dividido entre a expectativa de recomposição dos estoques e a disponibilidade ainda restrita no curto prazo.
Câmbio e clima brasileiro continuam no radar
Além dos estoques, o comportamento cambial permanece importante para as decisões de comercialização dos produtores e exportadores brasileiros.
Em relatório divulgado nesta semana, a Hedgepoint Global Markets destacou que a desvalorização recente do real elevou a atratividade das vendas de café em moeda nacional, mesmo diante da queda das cotações internacionais.
A consultoria também identificou condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra brasileira 2027/28, após chuvas acima da média e temperaturas amenas durante setembro e outubro.
Segundo a Hedgepoint, a expansão de área dos últimos três anos poderá contribuir para manter a produção brasileira elevada, caso as condições climáticas continuem favoráveis. A expectativa é de redução da produção de arábica em razão do ciclo bienal, mas com possibilidade de crescimento do conilon.
O desenvolvimento do El Niño, entretanto, permanece como fator de risco para as próximas safras, especialmente durante o primeiro trimestre de 2027.
Para os produtores brasileiros, a tentativa de recuperação das bolsas nesta sexta-feira representa uma melhora nas referências internacionais, mas ainda não caracteriza uma mudança consistente de tendência. O comportamento do dólar, a evolução dos estoques certificados e as condições climáticas continuarão influenciando as oportunidades de comercialização.