Café fecha sexta-feira em alta, mas arábica perde 2,51% na semana; robusta acumula valorização de 2,06%
Os preços futuros do café encerraram a sexta-feira (6) em alta nas bolsas internacionais, mas acumularam resultados diferentes ao longo da primeira semana de novembro. Em Nova York, o arábica interrompeu uma sequência de três sessões negativas e recuperou os 280 cents por libra-peso, embora tenha registrado desvalorização semanal de 2,51%. Em Londres, o robusta completou o terceiro pregão consecutivo de ganhos e terminou a semana com valorização de 2,06% no contrato janeiro/27.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica fechou cotado a 280,00 cents por libra-peso, com alta de 2,85 cents, equivalente a 1,03%. O março/27 avançou 2,40 cents, encerrando a 271,65 cents, enquanto o maio/27 registrou ganho de 2,05 cents, para 267,70 cents por libra-peso.
A recuperação ocorreu depois das quedas registradas entre terça e quinta-feira, quando o dezembro/26 acumulou desvalorização superior a 5%. Na segunda-feira (2), o mesmo contrato havia encerrado a 292,10 cents, mas perdeu força nos pregões seguintes, chegando a terminar a quinta-feira a 277,15 cents.
Mesmo com a recuperação desta sexta-feira, o vencimento permaneceu abaixo dos 287,20 cents registrados no encerramento de 30 de outubro. A diferença representa perda semanal de 7,20 cents por libra-peso, equivalente a 2,51%.
Robusta acumula ganhos e termina semana em alta
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta também encerraram a sexta-feira com valorizações, ampliando o movimento positivo iniciado na quarta-feira.
O novembro/26 terminou cotado a US$ 3.285 por tonelada, com ganho de US$ 29. O janeiro/27 também avançou US$ 29, fechando a US$ 3.270 por tonelada, enquanto o março/27 subiu US$ 24, para US$ 3.243. O maio/27 registrou valorização de US$ 21, terminando a US$ 3.230 por tonelada.
No acumulado semanal, o janeiro/27 passou de US$ 3.204 por tonelada, no fechamento de 30 de outubro, para US$ 3.270 nesta sexta-feira. O avanço foi de US$ 66 por tonelada, equivalente a 2,06%.
O resultado contrasta com o desempenho do arábica em Nova York e mostra a recuperação dos futuros de robusta durante a segunda metade da semana, apesar das perspectivas de maior disponibilidade internacional nos próximos meses.
Entre os fatores que ofereceram sustentação ao robusta esteve a revisão da estimativa de produção de café da Índia. O Conselho do Café do país reduziu sua projeção para 2026/27 de 400 mil para 380 mil toneladas, queda de 5%, diante dos impactos de chuvas de monções abaixo do normal.
A revisão acrescentou preocupação à oferta internacional, embora o mercado também continue acompanhando o avanço da colheita vietnamita, que poderá ampliar a disponibilidade de robusta a partir das próximas semanas.
Exportações brasileiras e câmbio pressionaram arábica durante a semana
Entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado internacional estiveram a valorização do dólar frente ao real e as expectativas de maior disponibilidade de café brasileiro para exportação.
Em análise divulgada nesta semana, a Hedgepoint Global Markets destacou que a forte volatilidade cambial observada no Brasil desde o final de outubro estimulou negócios, ao melhorar os preços recebidos em moeda nacional mesmo diante das perdas internacionais.
Segundo a consultoria, entre os dias 23 e 26 de outubro, o primeiro contrato futuro do arábica apresentou queda de 2,1% em dólares por saca de 60 quilos, mas o valor convertido em reais subiu 6,5%.
“A desvalorização do real compensou parte da queda dos preços em dólares, mas os fundamentos mais amplos do café seguem baixistas e podem continuar pressionando as cotações”, afirmou Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
O comportamento cambial ganhou importância em um momento de expectativa de aceleração das exportações brasileiras.
Os dados consolidados de comércio exterior divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostraram que o Brasil exportou aproximadamente 287,35 mil toneladas de café não torrado em outubro, crescimento de 23,28% em relação ao mesmo mês de 2025.
Em contrapartida, o preço médio das exportações recuou 14,69%, para US$ 5.568,48 por tonelada.
Os resultados mostram crescimento do volume embarcado acompanhado por redução do preço médio na comparação anual, embora não permitam atribuir diretamente às exportações de outubro as oscilações dos contratos futuros registradas nesta semana.
Estoques certificados continuam dividindo expectativas
A disponibilidade de café para entrega nas bolsas também permaneceu entre os principais fatores acompanhados pelos operadores.
Em Nova York, os estoques certificados de arábica continuam historicamente reduzidos, próximos das menores referências registradas em quase três décadas.
Entretanto, o mercado acompanha a chegada de novos volumes de café brasileiro aos armazéns credenciados da Intercontinental Exchange (ICE), com parte do produto aguardando os procedimentos de classificação necessários para eventual incorporação aos estoques certificados.
Segundo análises internacionais divulgadas nesta semana, a presença de café brasileiro nesses armazéns aumentou desde setembro, ampliando as expectativas de recomposição da disponibilidade nos próximos meses.
A possibilidade de novas certificações representa um elemento de pressão potencial sobre os preços, embora os volumes em processo de classificação ainda não possam ser considerados automaticamente como estoques disponíveis para entrega.
Em Londres, os estoques de robusta também registraram crescimento nas últimas semanas, enquanto o mercado avalia a chegada de novos volumes de países produtores.
Clima brasileiro e oferta de 2027 permanecem no radar
Além das condições comerciais e dos estoques, as perspectivas para a próxima safra brasileira continuam influenciando as expectativas do mercado.
A Hedgepoint destacou que as chuvas acima da média registradas em setembro e outubro, acompanhadas por temperaturas amenas, favoreceram as condições de desenvolvimento das lavouras e o pegamento das floradas destinadas à safra 2027/28.
Segundo a consultoria, a expansão de área observada nos últimos três anos poderá contribuir para uma produção elevada, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis. A expectativa é de redução da produção de arábica em razão do ciclo bienal, mas com possibilidade de crescimento do conilon.
O cenário de maior disponibilidade, entretanto, ainda depende da confirmação das condições produtivas. A consultoria destaca os riscos associados ao desenvolvimento do El Niño, especialmente durante o primeiro trimestre de 2027.
Para os cafeicultores brasileiros, a semana terminou com comportamentos distintos entre as variedades e um cenário de volatilidade que continua exigindo atenção às referências internacionais e ao câmbio.
A recuperação do arábica nesta sexta-feira reduziu parte das perdas acumuladas, mas não eliminou o resultado negativo da semana. Já o robusta encerrou o período em valorização, mesmo diante das perspectivas de aumento da oferta internacional.
A evolução das exportações brasileiras, dos estoques certificados e das condições climáticas deverá continuar influenciando as oportunidades de comercialização nas próximas semanas.