USDA eleva projeção de importação norte-americana de carne bovina para 2026; produção e preços do boi foram reduzidos
Os Estados Unidos deverão ampliar as importações de carne bovina em 2026, diante da redução da produção doméstica e da expectativa de embarques mais fortes provenientes da América do Sul. A avaliação consta no relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisado por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos.
A projeção de importação norte-americana para 2026 foi elevada em 130 milhões de libras, passando para 6,262 bilhões de libras, equivalentes a aproximadamente 2,84 milhões de toneladas. Segundo a análise, a revisão considera a ampliação, até novembro, das cotas sujeitas a tarifas reduzidas e a expectativa de maior oferta sul-americana no mercado dos Estados Unidos.
Para 2027, o USDA manteve a estimativa de importação em 6,050 bilhões de libras, ou cerca de 2,74 milhões de toneladas. Embora o volume seja inferior ao projetado para 2026, continua acima das 2,44 milhões de toneladas registradas em 2025.
O movimento reforça a dependência dos Estados Unidos da carne importada em um momento de oferta doméstica mais restrita. Para o pecuarista brasileiro, o cenário sinaliza oportunidades, ainda que o aproveitamento dessa demanda dependa das condições de acesso ao mercado, das tarifas e da concorrência com outros fornecedores da América do Sul.
Produção norte-americana deve cair
Ao mesmo tempo em que elevou a estimativa de importação, o USDA reduziu a projeção para a produção de carne bovina dos Estados Unidos.
Para 2026, a previsão foi diminuída em 90 milhões de libras, para 24,877 bilhões de libras, aproximadamente 11,28 milhões de toneladas. A revisão foi provocada pela comercialização mais lenta do gado confinado, pelo menor peso médio das carcaças e pelo abate de vacas abaixo do previsto.
Para 2027, o corte foi ainda maior, de 145 milhões de libras. A produção norte-americana está agora estimada em 24,835 bilhões de libras, ou 11,26 milhões de toneladas. O USDA considera, para esse período, carcaças mais leves e entradas , abaixo das expectativas,de animais nos confinamentos.
Na comparação com 2025, quando a produção alcançou cerca de 11,79 milhões de toneladas, os números mostram que vai haver continuidade na redução da oferta norte-americana.
Projeções para o preço do boi são reduzidas
Projeções para o preço do boi são reduzidas
Apesar da oferta mais restrita, o USDA diminuiu as projeções para o preço médio do boi nos Estados Unidos. Para 2026, a estimativa foi reduzida em US$ 8,00 por 100 libras, ficando em US$ 237,35 por 100 libras de peso vivo, equivalente a aproximadamente US$ 5.233 por tonelada .
Para 2027, o corte foi de US$ 11,00 por 100 libras, levando a projeção para US$ 238,00 por 100 libras de peso vivo, o equivalente a cerca de US$ 5.247 por tonelada. Mesmo após as revisões, os valores permanecem acima dos US$ 224,37 por 100 libras registrados em 2025 — aproximadamente US$ 4.946 por tonelada.
A redução das estimativas para o terceiro e o quarto trimestres de 2026 está relacionada à demanda dos frigoríficos abaixo do esperado. O ajuste também alcança 2027 e indica maior cautela quanto à capacidade da indústria norte-americana de sustentar novas altas nas cotações.
Exportações dos EUA têm leve aumento
O USDA também elevou discretamente as projeções para as exportações norte-americanas de carne bovina. A estimativa para 2026 aumentou em 10 milhões de libras, chegando a 2,343 bilhões de libras, equivalentes a aproximadamente 1,06 milhão de toneladas.
Para 2027, a previsão avançou igualmente em 10 milhões de libras, para 2,325 bilhões de libras, ou cerca de 1,05 milhão de toneladas. A revisão foi sustentada pela expectativa de embarques maiores para mercados asiáticos.
Ainda assim, as exportações devem ficar abaixo das 1,17 milhão de toneladas registradas em 2025. Dessa forma, o cenário desenhado pelo USDA combina menor produção, crescimento das importações e redução das vendas externas dos Estados Unidos em relação ao ano anterior.
Com informações do USDA/WASDE e Terra Investimento