Newcastle: México suspende compras de aves do Brasil; China e Chile restringem Santa Catarina

Publicado em 20/10/2026 15:44
Negociação evita bloqueio chinês a todo o país, mas restrições exigem reorganização das vendas e ampliam atenção sobre os reflexos para o produtor

As restrições comerciais após a confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba (SC) têm alcances diferentes entre os compradores. Segundo atualização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgada nesta terça-feira (20) e reunida em relatório da Terra Investimentos, o México suspendeu compras de produtos avícolas de todo o Brasil. China e Chile limitaram as medidas a Santa Catarina. 

A diferença é importante para o setor: um bloqueio nacional impede que empresas contornem a restrição abastecendo aquele destino com produção de outros estados. Quando a suspensão é estadual, permanece a possibilidade de embarques de outras origens brasileiras, desde que atendidas as exigências sanitárias do comprador.

No caso mexicano, a suspensão abrange carne e miúdos de aves, aves vivas, ovos férteis, pintinhos de até três dias e outras categorias de aves. Portanto, os efeitos comerciais vão além dos embarques de carne de frango. 

Conforme o levantamento apresentado pela Terra, a China restringiu a entrada de carne de aves catarinense. Já o Chile suspendeu produtos de Santa Catarina como carne fresca de aves, ovos férteis, ovos para consumo humano, pintinhos de um dia e produtos cárneos contendo carne fresca de aves.

Negociação preserva acesso à China para outros estados

Segundo o Mapa, a limitação da restrição chinesa a Santa Catarina foi resultado de negociação do governo brasileiro, evitando uma suspensão sobre todo o território nacional. A medida reduz o alcance do problema para a avicultura brasileira, embora mantenha o desafio comercial para as unidades catarinenses que atendem esse mercado. 

Na prática, a análise comercial é que as empresas afetadas poderão precisar buscar outros destinos, renegociar entregas e reorganizar a distribuição dos produtos. Esse redirecionamento pode envolver custos adicionais e condições de venda diferentes das previstas inicialmente.

Para quem produz, o ponto de atenção é a duração das barreiras. Caso as dificuldades de exportação persistam e os volumes não encontrem outros compradores, poderá haver maior disponibilidade de carne no mercado interno, com pressão sobre preços e margens da cadeia. 

Também será importante acompanhar eventuais mudanças na programação de abates e de alojamentos das integradoras. Os efeitos sobre cada produtor dependerão da exposição da empresa aos mercados suspensos e da capacidade de remanejar suas vendas.

O estabelecimento onde o foco foi confirmado foi interditado, com suspensão da movimentação de aves. A granja de Nova Itaberaba possui aproximadamente 6 mil perus de corte e foi interditada, com suspensão da movimentação de aves.

Segundo o Mapa, os animais permaneceram na propriedade e não foram destinados à produção de carne para consumo. As medidas anunciadas incluem o sacrifício sanitário das aves, seguido de limpeza e desinfecção das instalações, conforme os protocolos de controle e erradicação. 

A operação também prevê o monitoramento de aproximadamente 133 propriedades em Nova Itaberaba e nos municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. As equipes realizarão visitas, avaliações clínicas e coleta de amostras para verificar a presença do vírus. As ações são conduzidas pelo Mapa em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina. 

Consumo permanece seguro

O Ministério da Agricultura reforça que o consumo de carne e demais produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro. No comunicado de segunda-feira (19), a pasta informou que não havia previsão de recolhimento de produtos nem de devolução de aves que já tivessem saído de outras propriedades da região.

*Com auxílio de IA

Fonte: Terra Investimentos com informações do MAPA

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