É fake! “Ciclones gêmeos” não ameaçam o Brasil e boato viraliza nas redes
Nos últimos dias, uma nova onda de desinformação meteorológica tomou conta das redes sociais. A formação de supostos “ciclones gêmeos” no Brasil, com previsões de temporais severos, ventos intensos e riscos generalizados para as regiões Sul e Sudeste viralizou na internet.
As mensagens afirmam que “especialistas em Meteorologia acenderam o sinal de alerta” para um fenômeno raro e perigoso que estaria prestes a atingir o país.
Diante da repercussão nas redes sociais, o Notícias Agrícolas foi verificar o que é verdade e o que é mentira sobre a suposta ameaça dos “ciclones gêmeos”. Meteorologistas ouvidos pela reportagem explicam que não existe qualquer previsão de dois ciclones atuando simultaneamente com potencial de provocar uma situação extrema sobre o Brasil nos próximos dias.
O termo “ciclones gêmeos” sequer é uma nomenclatura científica usada pela Meteorologia. A meteorologista Estael Sias afirma que o nome foi usado apenas para chamar atenção nas redes sociais.
“Ciclones gêmeos seriam dois ciclones atuando ao mesmo tempo, mas essa não é uma nomenclatura científica. O termo foi usado para dar essa ideia de ‘par’, algo que chama atenção e acaba viralizando”, explica.
Segundo ela, o fenômeno de dois sistemas atuarem simultaneamente pode até acontecer em algumas regiões do planeta, especialmente envolvendo furacões, mas é algo incomum no Atlântico Sul.
“Já vimos situações de dois furacões atuando ao mesmo tempo em outras áreas, embora também não seja frequente.”, destaca.
A meteorologista explica que a origem da fake news pode ter surgido a partir de comentários sobre a possibilidade de dois centros de baixa pressão atuarem em diferentes áreas do oceano, algo que não representa, necessariamente, uma condição severa ou excepcional.
“Pode ter existido uma interpretação exagerada sobre dois sistemas atuando em pontos diferentes do oceano. Mas isso acabou ganhando uma proporção muito maior nas redes sociais”, comenta.
Atlântico Sul já teve dois ciclones simultâneos
Apesar de rara, a atuação simultânea de dois ciclones no Atlântico Sul já foi registrada anteriormente. Estael Sias lembra que pesquisou boletins meteorológicos do ano passado e encontrou um episódio semelhante em setembro de 2025.
“Em 11 de setembro de 2025 tivemos dois ciclones atuando ao mesmo tempo no Atlântico Sul. Não é comum, mas já aconteceu. Na época ninguém chamou de ‘ciclones gêmeos’, talvez por isso não tenha gerado toda essa repercussão”, afirma a meteorologista.
Segundo ela, o fato de dois sistemas existirem simultaneamente no oceano não significa automaticamente risco extremo ou um evento fora de controle, como vem sendo sugerido nas redes sociais.
Em períodos de maior instabilidade atmosférica, a circulação de fake news sobre eventos extremos costuma aumentar, principalmente quando termos chamativos são usados para gerar impacto e compartilhamentos.
A especialista também alerta para o crescimento de conteúdos sensacionalistas ligados ao clima e ao tempo nas redes sociais, muitas vezes criados para gerar audiência e monetização.
“As pessoas começam a gerar informação justamente para buscar clique, audiência e monetização. Aí uma interpretação vira manchete alarmista e rapidamente se espalha”, afirma Estael.
Para o produtor rural, especialistas reforçam a importância de acompanhar previsões divulgadas por institutos oficiais e meteorologistas qualificados. Em um setor em que o clima impacta diretamente o planejamento e a tomada de decisão no campo, confiar em informações sem respaldo técnico pode gerar preocupação desnecessária e até prejuízos.