Nordeste terá calor intenso e chuva irregular sob influência do El Niño
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O Nordeste brasileiro enfrenta um cenário climático de contrastes neste fim de maio e início de junho. Enquanto áreas do litoral e do extremo norte ainda registram pancadas de chuva, o interior da região já sente os efeitos do avanço de um padrão mais seco associado à transição para o fenômeno El Niño.
Segundo a meteorologista Estael Sias, o El Niño tende a reduzir a ocorrência de chuva no Nordeste, especialmente em áreas importantes para a produção agrícola, como o Agreste, Sertão, Matopiba e oeste da Bahia.
“Nós viemos de um período de La Niña, que favoreceu parte das lavouras do Nordeste. Agora, olhando para frente, o cenário muda e preocupa principalmente as áreas produtoras do interior”, destacou.
Nos próximos dias, a chuva deve se concentrar entre Maranhão, Piauí e parte do litoral nordestino, incluindo Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e leste da Bahia. Mesmo assim, os volumes previstos são irregulares e localizados.
Na Bahia, por exemplo, algumas cidades podem registrar pancadas entre 12 e 14 milímetros, enquanto municípios vizinhos seguem sem precipitação. Já no Matopiba — região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — a previsão é de tempo seco nos próximos dias.
O acumulado semanal mostra chuva concentrada no extremo norte do Nordeste, influenciada pela Zona de Convergência Intertropical, enquanto o interior segue com baixos índices de precipitação.
Além da escassez de chuva, o calor também chama atenção. Em áreas do sul do Piauí, Maranhão e oeste baiano, as temperaturas já atingem entre 34°C e 36°C, podendo subir ainda mais nos próximos meses.
“No segundo semestre, principalmente entre setembro e outubro, podemos ter marcas próximas de 38°C ou 39°C em algumas áreas do interior nordestino”, alertou Estael.
A meteorologista explica que a combinação entre calor intenso e baixa umidade aumenta o risco de queimadas, reduz a disponibilidade de água no solo e dificulta o planejamento da semeadura em várias regiões produtoras.
No litoral do Nordeste, o cenário é diferente. As capitais e áreas próximas ao mar devem continuar recebendo umidade oceânica, mantendo temperaturas mais amenas, entre 27°C e 28°C, além de pancadas passageiras.
“É um cenário que exige acompanhamento constante. O produtor precisa se preparar para um período mais seco e quente ao longo do segundo semestre”, concluiu a meteorologista.
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