Produção brasileira de carne de frango cresce apenas meio por cento em 2020, estima Rabobank

Publicado em 25/09/2020 08:38

Dado o impacto da Covid-19 e da Peste Suína Africana (PSA), 2020 será um dos exercícios mais disruptivos da história da avicultura, diz o Rabobank em seu Relatório para o 4º trimestre de 2020, observando que embora na maioria dos mercados essa combinação tenha pressionado a demanda, a produção mundial de carne de frango registrará expansão mínima – menos de 1% - em relação a 2019.

A propósito, o Rabobank lista 14 grandes produtores mundiais de carne de frango (gráfico abaixo) e estima que metade deles terá produção inferior à do ano passado.

Os três maiores produtores mundiais – EUA, China e Brasil – além de Vietnã, México, Japão e Rússia são os únicos com tendência de aumento, mas em alguns casos, mínimo.

Os dois países mais afetados pela PSA – China e Vietnã – é que devem registrar os maiores índices de expansão. No Vietnã, a produção tende a crescer mais de 5%. Já na China o aumento previsto alcança os 15%.

Este último resultado confirma o que já vinha sendo previsto desde o ano passado – que a PSA levaria a uma grande expansão da produção chinesa de carne de frango. Mas – comenta o Rabobank – o aumento de oferta vem sendo acompanhado de pressão sobre os preços.

Nas projeções do banco, os próximos países com maior crescimento neste ano são México, Japão e EUA, em relação aos quais projeta incrementos de 2,2%, 2% e 1,5%, respectivamente.

O Japão é mais uma exceção no mercado asiático, pois enquanto outros países veem sua produção retroceder, o Japão sinaliza expansão contrária ao do crescimento vegetativo da população. E isso, curiosamente, se deve ao isolamento social imposto pela Covid-19, pois – como explica o Rabobank – o consumo doméstico japonês se concentra no produto in natura (frango resfriado), enquanto a alimentação fora do domicílio (quase totalmente paralisada com a pandemia) é atendida sobretudo por produto congelado e importado.

Já EUA e México seguem com as indústrias em expansão. No caso norte-americano, porém, o aumento de produção vem pressionando os preços – a ponto de o frango abatido ter sido negociado em agosto por valor 20% inferior ao de julho. Tal desvalorização se deve ao fato de apenas restaurantes e redes de fast-food estarem retornando à normalidade, enquanto outros setores da economia (e, por decorrência, dos serviços de alimentação) registram lenta retomada.

Nesse cenário, o Brasil surge na sexta posição, ou seja, no penúltimo lugar entre os países que devem registrar aumento de produção. Mas, antes de falar das tendências, o Rabobank enfoca a frustração do setor com a alta de preço dos grãos. Ou seja: todos esperavam que, com a segunda safra, tais preços se acomodassem. Porém não é isso que está se vendo, ao contrário. E as altas tendem a prosseguir pelo menos até a chegada da nova safra, em 2021.

Procurando demonstrar o que vem ocorrendo no setor, o Rabobank aponta que o farelo de soja começou o ano com preços mais baixos, mas vem apresentando valorização contínua mês a mês. Com isso, os preços da ração (base: agosto) ficaram 37% mais caros que há um ano.

Por outro lado, os preços do frango vivo e do abatido no atacado, pressionados ao final do primeiro trimestre, começaram a se recuperar. Em agosto, o frango vivo atingiu níveis recordes, aumentando 18% no ano, enquanto no atacado a alta foi de 10%.

As exportações para a China seguem em bom ritmo, com melhora de 29% no volume expedido em julho, no acumulado do ano. Porém, com a redução de 13% nas vendas para a Arábia Saudita e de 2% para o Japão, as exportações totais no mesmo período são apenas 0,4% maiores, com o mercado chinês representando 17% das vendas. Na opinião do Rabobank, o feriado chinês da Golden Week, no início de outubro (uma semana de férias), deve sustentar os embarques direcionados à China em setembro corrente.

O Rabobank conclui sua análise sobre as tendências da avicultura brasileira observando que, no trimestre final de 2020, a rentabilidade do setor estará diretamente atrelada às estratégias de gestão visando à redução dos custos, sobretudo os das rações.

Indica que, sob esse aspecto, os grandes players estão mais tranquilos, pois já antecipavam a valorização nos preços das matérias-primas. Ao contrário dos produtores independentes, focados no mercado interno e mais expostos aos preços atuais.

Cita, por fim, que a recente confirmação da prorrogação do pacote de ajuda financeira do governo à população, mesmo em valor inferior, não deve levar a quedas significativas no consumo interno. Daí manter projeção de aumento de 0,5% na produção brasileira de 2020.

Fonte: AviSite

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