Brasil avança no mercado de frango e reforça cuidados contra influenza aviária

Publicado em 01/05/2026 14:00
Setor mostrou força em 2025, ampliou mercado e supera crise sanitária com rapidez e coordenação.

O setor brasileiro de proteína animal viveu, em 2025, um ano marcado por desafios e avanços. Diante de um cenário internacional mais exigente, o Brasil manteve sua posição de destaque no mercado de carne de frango, ao mesmo tempo em que enfrentou, pela primeira vez, um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em granjas comerciais. A resposta rápida e coordenada garantiu a retomada do status sanitário e a continuidade dos negócios, reforçando a confiança global na produção nacional.

Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, o período exigiu mais do que capacidade produtiva. “O setor foi chamado a exercer sua responsabilidade institucional diante da segurança alimentar e da confiança construída com a sociedade e com os mercados”, afirmou. Esse movimento foi essencial para manter a credibilidade do Brasil em meio a um ambiente global instável.

Ao longo do ano, o país também ampliou sua presença internacional, abrindo e expandindo mercados para carne de aves, suínos e subprodutos. Esse avanço não veio apenas pelo volume, mas pela consistência de um modelo produtivo baseado em organização, controle e previsibilidade.

Mercado internacional mais exigente e estratégico

O comércio global de alimentos em 2025 foi marcado por incertezas, tensões e decisões unilaterais. Nesse cenário, o Brasil apostou em ações claras e alinhamento com normas internacionais. De acordo com Santin, essa postura foi decisiva para manter e recuperar fluxos comerciais em diferentes cadeias.

A expansão de mercados incluiu destinos importantes como China, Vietnã, União Europeia e Chile, além da abertura em países menores, mas estratégicos. Produtos como carne de aves, miúdos, carne suína e até subprodutos ganharam espaço, mostrando a diversidade da produção brasileira.

Esse crescimento também reforça a importância da previsibilidade nas relações comerciais. Em um mercado sensível, qualquer ruído pode gerar impactos. Por isso, o setor investiu em diálogo constante com parceiros internacionais, garantindo estabilidade nas exportações.

Resposta rápida à influenza aviária

Um dos momentos mais críticos do ano ocorreu em 15 de maio de 2025, quando o Brasil registrou o primeiro caso de IAAP em uma unidade comercial. Apesar da gravidade, a resposta foi considerada um exemplo global. Em apenas 34 dias, o país recuperou o status de livre da doença junto à Organização Mundial de Saúde Animal.

Para Santin, o episódio mostrou a maturidade do setor. “Desafios sanitários não se enfrentam de forma isolada nem com respostas simplificadas. Exigem coordenação, base técnica sólida e respeito às realidades produtivas”, destacou. 

Produção forte e organizada

Mesmo com os desafios, o setor produtivo manteve o ritmo. A produção multiproteínas garantiu o abastecimento do mercado interno e atendeu às demandas externas, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais.

Esse desempenho é resultado de um trabalho conjunto que envolve produtores, indústrias, técnicos e pesquisadores. Segundo Santin, a força do setor está justamente nessa integração. “Os resultados são fruto de um esforço coletivo, com disciplina e planejamento”, afirmou.

Mais do que produzir em grande escala, o diferencial está na consistência. O controle rigoroso dos processos e a organização da cadeia produtiva são fatores que sustentam a competitividade no longo prazo.

Biosseguridade e prevenção no campo

Após o episódio da influenza aviária, o setor reforçou ainda mais os protocolos de biosseguridade. Medidas preventivas foram ampliadas, incluindo monitoramento constante e vigilância epidemiológica.

Essas ações são fundamentais para evitar novos casos e proteger a produção. O trabalho foi realizado em conjunto com o Ministério da Agricultura, serviços veterinários e empresas do setor.

Para o produtor rural, o recado é claro: a prevenção começa dentro da propriedade. Cuidados com acesso de pessoas, controle sanitário e atenção ao manejo são essenciais para manter a sanidade do plantel.

Qualidade reconhecida no mundo

Outro ponto de destaque é o controle de qualidade da produção brasileira. O país segue padrões rigorosos, supervisionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), garantindo alimentos seguros para consumo.

Além disso, o setor passa por avaliações constantes de mais de 150 países importadores. Esse reconhecimento internacional reforça a confiança nos produtos brasileiros e abre portas para novos mercados.

Para Santin, esse é um dos pilares do sucesso. A combinação entre qualidade, transparência e capacidade de resposta fortalece a imagem do Brasil no cenário global.

Setor preparado para novos desafios

O balanço de 2025 mostra um setor mais preparado e resiliente. Apesar dos desafios, o caminho adotado — baseado em ciência, cooperação e previsibilidade — se mostrou eficiente.

A experiência com a influenza aviária deixou aprendizados importantes, principalmente sobre a importância da ação rápida e coordenada. Esse conhecimento fortalece o setor para enfrentar futuras ameaças.

No campo e no mercado, o produtor segue como peça-chave desse sistema. Com informação, planejamento e atenção aos detalhes, é possível manter a produtividade e aproveitar as oportunidades que o mercado oferece.

Com informações do relatório Anual da ABPA 2026

 

Por: Michelle Jardim
Fonte: Notícias Agrícolas

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