Indústria avícola da Rússia enfrenta queda na produção e colapso da rentabilidade com avanço de importações chinesas
A indústria avícola da Rússia iniciou 2026 em retração, com queda na produção e forte deterioração da rentabilidade, em meio ao avanço das importações de carne de frango da China e à fraqueza dos preços internos.
Dados oficiais indicam que a produção de carne de frango no país recuou 2,6% no primeiro trimestre de 2026, após um período de estagnação ao longo de 2025. A queda foi mais intensa em regiões-chave, como Leningrado (-9,8%), Stavropol (-10,5%) e Tambov (-12,4%).
Rentabilidade zerada pressiona produtores
Segundo representantes da indústria avícola russa, a atividade deixou de ser lucrativa em diversas operações, com margens próximas de zero no início do ano, enquanto os custos com energia, logística e insumos continuam elevados.
Em 2025, o lucro líquido da indústria já havia caído cerca de 50%, totalizando 15,7 bilhões de rublos (aproximadamente US$ 210 milhões), sinalizando um cenário financeiro fragilizado que tende a se agravar em 2026.
Importações da China ganham espaço no mercado interno
Um dos principais fatores de pressão é o crescimento das importações de carne de frango chinesa, especialmente cortes de peito com preços mais baixos.
Inicialmente destinados à indústria de processamento, esses produtos passaram a ocupar espaço também no varejo, sendo comercializados em grandes centros como Moscou e São Petersburgo.
Mesmo com a existência de cotas e tarifas adicionais, o frango chinês mantém alta competitividade devido ao preço reduzido, o que limita a eficácia das medidas de proteção ao mercado doméstico.
Câmbio e exportações ampliam pressão
O fortalecimento do rublo também contribui para o cenário adverso. A valorização da moeda torna as importações mais acessíveis e, ao mesmo tempo, reduz a competitividade das exportações russas.
Embora as exportações de carne de frango tenham crescido em 2025, o avanço não foi suficiente para compensar as perdas no mercado interno. Para 2026, as perspectivas são negativas, também influenciadas por desafios sanitários em algumas regiões produtoras.