Agro do Espírito Santo recorre a estrangeiros para suprir falta de mão de obra

Publicado em 21/05/2026 08:45
A avicultura e a suinocultura do Espírito Santo passaram a contratar trabalhadores estrangeiros para enfrentar a falta de mão de obra no setor. Venezuelanos lideram a presença nas granjas e agroindústrias capixabas.

Venezuelanos, cubanos, bolivianos e até trabalhadores vindos da Tunísia já ajudam a movimentar a avicultura e a suinocultura no Espírito Santo. Diante da dificuldade para contratar mão de obra local, empresas do setor passaram a buscar profissionais estrangeiros para manter as operações no campo capixaba.

Atualmente, os dois segmentos já empregam cerca de 300 trabalhadores estrangeiros. O número representa até 1,5% dos 20 mil empregos diretos gerados pela cadeia produtiva no Estado.

Estrangeiros já ocupam funções em granjas e agroindústrias

Os dados são da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves) e da Associação dos Suinocultores do Espírito Santo (Ases). O levantamento abrange 45% das granjas e indústrias de suínos, frangos e ovos do Estado.

Além disso, o estudo mostra que os estrangeiros já ocupam funções importantes nas granjas e agroindústrias capixabas.

Embora o percentual geral ainda pareça pequeno, algumas empresas já possuem até 20% do quadro de funcionários formado por imigrantes.

Assim, parte da produção local passou a depender diretamente dessa força de trabalho.

Venezuelanos lideram presença no setor

Entre os trabalhadores estrangeiros contratados, os venezuelanos representam a maioria.

Segundo o levantamento:

  • 82% são venezuelanos;
  • 13% são cubanos;
  • 2% são bolivianos;
  • 1% são tunisianos.

Além disso, o setor também passou a contratar profissionais vindos de outros estados brasileiros.

Bahia lidera migração interestadual

A pesquisa aponta que 8% da mão de obra da avicultura e suinocultura capixaba veio de outros estados.

Nesse cenário, a Bahia lidera a lista e responde por 26% dos trabalhadores interestaduais.

Em seguida aparecem:

  • Minas Gerais — 7%;
  • Rio de Janeiro — 4%;
  • São Paulo — 2,5%;
  • Pará — 2,5%.

Ao todo, profissionais de 18 estados brasileiros já atuam no setor no Espírito Santo.

Migração ajuda a sustentar economia do interior

Segundo as entidades, a chegada de trabalhadores estrangeiros e de outros estados ajuda a manter uma atividade considerada estratégica para a economia regional.

Além das granjas e frigoríficos, o setor movimenta transporte, produção de ração, embalagens e comércio em diversas cidades do interior.

Dessa forma, o Espírito Santo começa a viver um movimento diferente do histórico tradicional de saída de trabalhadores para outros estados.

Hoje, especialmente no agro voltado à proteína animal, empresas já enxergam a imigração como alternativa para enfrentar o déficit de mão de obra.

 

Por: Hysis Fonseca por Folha do ES
Fonte: Folha do ES

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