Peste Suína Africana avança na Europa e acende alerta na suinocultura
Com a elevação das temperaturas, os surtos de Peste Suína Africana (PSA) voltam a impactar a suinocultura europeia. Neste ano, o primeiro caso na Polônia foi registrado mais tarde do que o habitual, mas chamou atenção pelo tamanho: uma granja com 21.390 suínos foi atingida na província da Pomerânia Ocidental. Ao mesmo tempo, na Alemanha, o vírus segue circulando entre populações de javalis em diferentes regiões.
De acordo com a Inspeção Veterinária Central da Polônia, o foco foi identificado na vila de Jarosławsko, no nordeste do país, com confirmação em 18 de maio. A propriedade fica a cerca de 70 quilômetros da fronteira com a Alemanha e, conforme os protocolos da União Europeia, todos os animais serão abatidos.
Este é o 571º registro da doença em granjas polonesas desde o início dos surtos, em 2014, e a unidade afetada está entre as maiores já atingidas. Apenas cinco propriedades infectadas ao longo desse período tinham mais de 10 mil animais. Em 2020, o maior caso envolveu quase 24 mil suínos. Somente em 2025, 18 granjas de diferentes portes foram afetadas no país.
Além das granjas, a doença segue presente na fauna silvestre. Em 2026, até 20 de maio, a Polônia contabilizava 1.241 javalis mortos infectados pelo vírus. No ano anterior, foram 3.429 registros, enquanto o pico ocorreu em 2020, com 4.156 carcaças identificadas.
Na Alemanha, apesar de não haver casos confirmados em granjas em 2026, a circulação do vírus entre javalis mantém as autoridades em alerta. No estado da Saxônia, na fronteira com a Polônia, a doença voltou a aparecer poucos meses após a região se declarar livre da PSA. Em abril e maio deste ano, foram encontradas 71 carcaças infectadas, sendo 45 em abril e 26 em maio. Em ciclos anteriores, entre 2020 e 2025, o estado registrou 2.399 casos.
Os focos atuais na Saxônia estão a cerca de 10 quilômetros da fronteira polonesa, embora, nessa área específica, não tenham sido registrados casos recentes do lado da Polônia. No país vizinho, a atividade do vírus está concentrada a pelo menos 200 quilômetros dessa região.
Já no oeste da Alemanha, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, o avanço da doença também preocupa. Foram identificados nove javalis infectados no município de Netphen, ampliando a área afetada. No total, o número de mortes de animais silvestres na região já chega a 701, com aumento consistente nos registros mensais: 124 casos em março, 137 em abril e mais de 90 notificações parciais em maio.
Os surtos estão distribuídos por oito municípios em três distritos — Olpe, Siegen-Wittgenstein e Hochsauerlandkreis —, o que reforça a dificuldade de contenção da doença. Para dimensionar o problema, autoridades alemãs utilizaram drones com câmeras térmicas no início de 2026 e estimaram cerca de 495 javalis nas áreas monitoradas. Com o período reprodutivo em andamento, a população atual pode ter chegado a aproximadamente 1.500 animais, ampliando o desafio sanitário.
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