Combustível e fertilizantes pesam no bolso e custos para safra 26/27 de soja, milho e algodão disparam

Publicado em 21/04/2026 13:01
Imea atualizou números para o Mato Grosso com acréscimos de 6,98%, 3,38% e 2,64% respectivamente

O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) divulgou relatório apontando atualizações sobre as safras do estado. O levantamento destaca que as três principais culturas do Mato Grosso, soja, milho e algodão, devem apresentar aumentos significativos no custo de produção para a próxima temporada 2026/27. 

A soja é a que teve maior incremento, subindo 6,98% ao longo do último mês e atingindo custeio estimado em R$ 4.435,40 por hectare. “Esse avanço está atrelado, principalmente, às tensões no Oriente Médio, que impactaram as cotações de insumos como o petróleo e, consequentemente, elevaram os preços do diesel”, explicam os técnicos do Imea. 

O diesel nas bombas em Mato Grosso passou de R$ 6,35 por litro em fevereiro/26 para R$ 7,21/l na média de março/26, alta de R$ 0,86/l (ANP), aumentando, assim, os custos com operações mecanizadas. Além disso, o conflito afetou também o mercado de nitrogenados e fosfatados. 

“Como reflexo, os gastos com fertilizantes (que correspondem a 46,71% do custeio total) registraram alta de 10,77% no comparativo mensal, projetado em R$ 2.071,87/ha, sendo este o segundo maior valor já registrado para o período em toda a série histórica”, aponta o Imea. 

“O produtor deve se atentar à relação de troca, que segue pressionada diante do cenário de elevação nos preços dos insumos”, conclui a publicação. 

No caso do milho, o aumento mensal foi de 3,38%, deixando a estimativa do custeio para a safra 2026/27 referente a março/26 em R$ 3.686,80 por hectare. Essa elevação foi motivada pelo aumento dos custos com fertilizantes/corretivos e defensivos, que avançaram 5,67% e 3,12%, alcançando R$ 1.474,59/ha e R$ 895,70/ha, respectivamente, em meio às tensões geopolíticas que restringem a oferta e elevam os preços dos insumos. 

Nesse contexto, considerando o preço médio do milho da safra 26/27 em mar/26, de R$ 43,48/sc, a relação de troca (R.T.) indica a necessidade de 99,06 sc/ha de milho por 1 tonelada de ureia, 125,37 sc/ha para MAP e 81,85 sc/ha para KCl, com altas mensais de 20,30%, 13,55% e 11,44%, nesta ordem. 

“Como reflexo desse cenário, o volume de insumos negociados e as importações de fertilizantes em MT, até março/26, estão abaixo do observado no ano passado. Por fim, a alta dos insumos reforça a importância do planejamento de compras, como forma de mitigar custos e reduzir margens negativas para o produtor”, ponderam os técnicos. 

Já o algodão apresentou aumento de 2,64% com custeio da safra 2026/27 estimado em R$ 10.531,50 por hectare ao final de março/26. 

“Esse aumento está ligado ao aumento da despesa na classe de fertilizantes e corretivos, alta de 6,27% em relação a fev/26, sendo reflexo das restrições de oferta do insumo somadas ao aumento dos custos logísticos em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio”, explica o Imea. 

Com isso, o custo total (CT) aumentou de 1,56% no comparativo mensal, sendo projetado em R$ 18.630,38/ha. “Ao comparar a estimativa do CT da safra 26/27 com o consolidado para a temporada 25/26, observa-se que, em fev/26, o custo previsto estava 0,67% inferior da safra anterior. No entanto, em mar/26, o cenário reverteu, e a projeção para 26/27 superando em 0,88% do ciclo anterior”. 

“Nesse contexto, o custeio com fertilizantes e corretivos elevado limita ainda mais a rentabilidade, sobretudo no período de maior demanda por insumos”, acrescenta o relatório. 

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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