Safra 26/27: Imea aponta aumento no custo de produção do milho e soja no Mato Grosso, mas redução para o algodão

Publicado em 16/06/2026 13:46 e atualizado em 16/06/2026 17:04
Despesas com fertilizantes, defensivos e sementes puxaram custeio para cima

O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) divulgou relatório apontando atualizações sobre os custos de produção das principais safras do estado, como milho, soja e algodão. 

No caso do cereal, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare ao final de maio/26, representando alta de 14,46% ante ao consolidado para a safra 2025/26. 

“O resultado foi influenciado pelas maiores despesas com fertilizantes e defensivos, além, também, do aumento dos custos das sementes utilizadas na produção, refletindo tanto o encarecimento do insumo quanto o avanço tecnológico do material genético”, explicam os técnicos do Imea. 

Como resultado, o COE apresentou incremento de 15,03% em relação à safra passada, encerrando maio/26 em R$ 5.528,49/ha. Por fim, o CT avançou 10,30% no comparativo anual e atingiu R$ 7.418,49/ha. 

“Nesse cenário, o aumento dos custos da safra futura amplia a necessidade de investimento para o cultivo. Contudo, com uma produtividade de referência de 120,28 sc/ha, o produtor precisará comercializar a saca de milho a, pelo menos, R$ 45,96 para cobrir o COE, reforçando a importância do travamento de preços em momentos oportunos para garantir melhor rentabilidade”, aponta. 

Para a oleaginosa, as perspectivas para a safra 2026/27 indicam cenário de cautela, com o Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (Senar-MT e Imea) estimando o custeio da soja em R$ 4.315,29/ha, aumento de 3,21% em relação à safra 25/26, impulsionado pelos maiores gastos com fertilizantes e corretivos (+5,40%), e defensivos (+10,97%).   

“As incertezas climáticas seguem como principal fator de atenção, podendo afetar a produtividade das lavouras. Ainda, a restrição do crédito rural tende a limitar os investimentos dos produtores, resultando em ajustes no pacote tecnológico da próxima temporada”, detalha a publicação. 

“Como consequência, o ponto de equilíbrio para cobrir o custeio aumentou 9,13% frente à safra anterior. Diante desse cenário, a atenção dos produtores se volta para a aquisição dos insumos remanescentes e para a comercialização da safra futura, uma vez que as margens da atividade seguem pressionadas”, acrescenta o Imea. 

Por fim, para a fibra, o custeio da safra 2026/27 ficou estimado em R$ 10.652,39/ha, recuo de 1,14% ante o consolidado do ciclo 25/26, puxado pela menor despesa com manutenção, operações mecanizadas e defensivos.

O COE ficou estimado em R$ 15.247,29/ha, redução de 0,64% ante o ciclo 25/26. Apesar dessa queda, o custo da safra futura é o terceiro maior da série histórica do Imea. Ao analisar o ponto de equilíbrio (P.E.), considerando a produtividade média de pluma das últimas três safras, de 124,22 @/ha, é necessário vender o produto a pelo menos R$ 122,75/@ para conseguir cobrir o COE. 

“Cabe destacar que o preço ponderado da comercialização da temporada 26/27, até mai/26, ficou 3,42% superior ao P.E., sustentado pela alta observada nas cotações em abr e mai/26. Apesar disso, a margem do cotonicultor segue sensível à volatilidade dos preços da fibra, especialmente diante do recuo registrado nas cotações após maio, reforçando a estratégia comercial de priorizar a gestão de risco”, aponta o relatório. 

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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