Frutas exóticas ganham espaço no mercado e despertam interesse internacional

Publicado em 03/04/2026 09:00 e atualizado em 13/04/2026 21:01
Diversidade de produtos, crescimento do consumo e demanda externa abrem novas oportunidades para produtores brasileiros

A produção e comercialização de frutas exóticas vêm ganhando espaço no Brasil e começam a despertar também o interesse do mercado internacional. Durante a Fruit Attraction 2026, em São Paulo, produtores e distribuidores destacaram que, embora ainda seja um nicho dentro da fruticultura, o segmento apresenta crescimento consistente, impulsionado principalmente pela diversificação da oferta e pela maior divulgação junto aos consumidores, além de abrir novas frentes de exportação. 

De acordo com Airton Bueno, sócio-proprietário da Frutas Luma, o conceito de frutas exóticas está diretamente ligado àquilo que foge do padrão mais tradicional de consumo. “A fruta exótica é o diferente, aquilo que não é muito comum, diferente das commodities”, explicou. Segundo ele, o portfólio trabalhado pela empresa reflete essa diversidade. “A gente tem catalogado quase 300 tipos de frutas diferentes e diariamente trabalha com 60 a 80 tipos”, afirmou. 

Essa ampla variedade é viabilizada pela produção distribuída em diferentes regiões do país. O Brasil, segundo o entrevistado, tem capacidade de produzir uma grande diversidade de frutas, inclusive aquelas tradicionalmente associadas a outros países. “Aquilo que está sendo produzido lá fora, a gente consegue replicar aqui no Brasil também. Então a gente tem produtores espalhados pelo Brasil todo produzindo frutas exóticas”, destacou. 

Novidades chamam atenção e ampliam mercado 

A própria feira tem sido vitrine para apresentar produtos ainda pouco conhecidos do público. Um exemplo é o Achachairu, fruta de origem boliviana que vem ganhando espaço no Brasil. Segundo o produtor rural Abel Basílio, a cultura foi introduzida no país há cerca de duas décadas e encontrou boa adaptação. “Nós trouxemos a fruta pro Brasil há cerca de 20 anos e desenvolvemos ela no Espírito Santo. Ela se adaptou muito bem lá”, afirmou. 

Hoje, a fruta já é comercializada em diferentes regiões do país e também começa a avançar no mercado externo. “A principal praça de comercialização é São Paulo, de onde ela é distribuída para outros estados, principalmente da região Sul. A aceitação é muito grande”, explicou Basílio. Segundo ele, a última safra já marcou um avanço importante na exportação. “Nessa safra, 100% da nossa produção foi exportada para países da Europa, mas também Ásia e Canadá”, relatou. 

O produtor destaca ainda que acordos internacionais podem acelerar esse processo. “Esse acordo Mercosul-União Europeia abre caminhos, principalmente por ser uma fruta ainda desconhecida. Ajuda a gente divulgar lá fora e tornar mais acessível”, afirmou o produtor. 

Mercado em crescimento e impulsionado pela informação 

O avanço do consumo dessas frutas também está diretamente ligado à maior divulgação e curiosidade do consumidor, especialmente com o uso das redes sociais. A visibilidade tem sido determinante para ampliar o mercado e estimular novas demandas. “Os produtos exóticos vêm numa crescente há muito tempo e, conforme foram aparecendo redes sociais, a gente consegue divulgar mais produtos. A cada ano que passa a gente vê que vai ganhando mais espaço”, afirmou Bueno. 

Apesar desse crescimento, a comercialização ainda é concentrada no mercado interno. No entanto, a participação na Fruit Attraction tem ampliado horizontes para o setor. “Hoje é toda para o mercado interno, mas com a feira a gente conseguiu abrir a mente para começar a se organizar para exportar, porque muita gente de fora quer esses produtos nos países deles”, relatou. 

A demanda internacional, inclusive, foi percebida de forma intensa durante o evento. “A gente terminava de atender um cliente e já tinha outro esperando. Ficam curiosos para conhecer essa diversidade de itens”, disse Airton, ao destacar a geração de novas oportunidades tanto no mercado interno quanto externo. 

Para produtores como Abel, a feira cumpre um papel estratégico na conexão com compradores. “Para um produto tão diferente, essas feiras encurtam o caminho. Elas resumem anos de trabalho comercial em poucos dias, com contato direto com pessoas do mundo inteiro”, afirmou. 

Sustentabilidade e valor agregado na cadeia 

Outro fator que contribui para o fortalecimento do segmento é a busca por soluções mais sustentáveis, especialmente nas etapas de embalagem e distribuição. A adoção de materiais renováveis aparece como uma tendência dentro da cadeia. “A gente utiliza bandejas de fonte renovável, feitas do bagaço da cana-de-açúcar, e sempre procura se inovar para ter menos impacto ambiental”, explicou o Bueno. 

Além da comercialização, algumas empresas também investem em produção própria para garantir oferta e padronização. É o caso da Frutas Luma, que mantém cultivo focado nesse nicho. “A gente tem um braço de produção próprio, focado em frutas exóticas, com destaque para a pitaia”, afirmou. 

Com diversidade produtiva, aumento da demanda e novas oportunidades surgindo a partir do interesse internacional, o segmento de frutas exóticas se consolida como uma alternativa promissora dentro da fruticultura brasileira, agregando valor e ampliando possibilidades para produtores em diferentes regiões do país. 

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais de 40 produtores e expositores brasileiros participaram da Fruit Logistica em Berlim na Alemanha
Fruit Attraction São Paulo estima até R$ 1,5 bilhão em volume de negócios para fruticultura brasileira
Atualmente voltada apenas para Brasília, produção de frutas do DF mira mercados internacionais
Frutas exóticas ganham mercado com demanda crescente no Brasil
Ministério da Agricultura e Apex destacam potencial da Fruit Attraction São Paulo para dar visibilidade global à fruticultura brasileira
Fruticultor que agrega valor à produção amplia potencial de exportação