Frutas exóticas ganham espaço no mercado e despertam interesse internacional
A produção e comercialização de frutas exóticas vêm ganhando espaço no Brasil e começam a despertar também o interesse do mercado internacional. Durante a Fruit Attraction 2026, em São Paulo, produtores e distribuidores destacaram que, embora ainda seja um nicho dentro da fruticultura, o segmento apresenta crescimento consistente, impulsionado principalmente pela diversificação da oferta e pela maior divulgação junto aos consumidores, além de abrir novas frentes de exportação.
De acordo com Airton Bueno, sócio-proprietário da Frutas Luma, o conceito de frutas exóticas está diretamente ligado àquilo que foge do padrão mais tradicional de consumo. “A fruta exótica é o diferente, aquilo que não é muito comum, diferente das commodities”, explicou. Segundo ele, o portfólio trabalhado pela empresa reflete essa diversidade. “A gente tem catalogado quase 300 tipos de frutas diferentes e diariamente trabalha com 60 a 80 tipos”, afirmou.
Essa ampla variedade é viabilizada pela produção distribuída em diferentes regiões do país. O Brasil, segundo o entrevistado, tem capacidade de produzir uma grande diversidade de frutas, inclusive aquelas tradicionalmente associadas a outros países. “Aquilo que está sendo produzido lá fora, a gente consegue replicar aqui no Brasil também. Então a gente tem produtores espalhados pelo Brasil todo produzindo frutas exóticas”, destacou.
Novidades chamam atenção e ampliam mercado
A própria feira tem sido vitrine para apresentar produtos ainda pouco conhecidos do público. Um exemplo é o Achachairu, fruta de origem boliviana que vem ganhando espaço no Brasil. Segundo o produtor rural Abel Basílio, a cultura foi introduzida no país há cerca de duas décadas e encontrou boa adaptação. “Nós trouxemos a fruta pro Brasil há cerca de 20 anos e desenvolvemos ela no Espírito Santo. Ela se adaptou muito bem lá”, afirmou.
Hoje, a fruta já é comercializada em diferentes regiões do país e também começa a avançar no mercado externo. “A principal praça de comercialização é São Paulo, de onde ela é distribuída para outros estados, principalmente da região Sul. A aceitação é muito grande”, explicou Basílio. Segundo ele, a última safra já marcou um avanço importante na exportação. “Nessa safra, 100% da nossa produção foi exportada para países da Europa, mas também Ásia e Canadá”, relatou.
O produtor destaca ainda que acordos internacionais podem acelerar esse processo. “Esse acordo Mercosul-União Europeia abre caminhos, principalmente por ser uma fruta ainda desconhecida. Ajuda a gente divulgar lá fora e tornar mais acessível”, afirmou o produtor.
Mercado em crescimento e impulsionado pela informação
O avanço do consumo dessas frutas também está diretamente ligado à maior divulgação e curiosidade do consumidor, especialmente com o uso das redes sociais. A visibilidade tem sido determinante para ampliar o mercado e estimular novas demandas. “Os produtos exóticos vêm numa crescente há muito tempo e, conforme foram aparecendo redes sociais, a gente consegue divulgar mais produtos. A cada ano que passa a gente vê que vai ganhando mais espaço”, afirmou Bueno.
Apesar desse crescimento, a comercialização ainda é concentrada no mercado interno. No entanto, a participação na Fruit Attraction tem ampliado horizontes para o setor. “Hoje é toda para o mercado interno, mas com a feira a gente conseguiu abrir a mente para começar a se organizar para exportar, porque muita gente de fora quer esses produtos nos países deles”, relatou.
A demanda internacional, inclusive, foi percebida de forma intensa durante o evento. “A gente terminava de atender um cliente e já tinha outro esperando. Ficam curiosos para conhecer essa diversidade de itens”, disse Airton, ao destacar a geração de novas oportunidades tanto no mercado interno quanto externo.
Para produtores como Abel, a feira cumpre um papel estratégico na conexão com compradores. “Para um produto tão diferente, essas feiras encurtam o caminho. Elas resumem anos de trabalho comercial em poucos dias, com contato direto com pessoas do mundo inteiro”, afirmou.
Sustentabilidade e valor agregado na cadeia
Outro fator que contribui para o fortalecimento do segmento é a busca por soluções mais sustentáveis, especialmente nas etapas de embalagem e distribuição. A adoção de materiais renováveis aparece como uma tendência dentro da cadeia. “A gente utiliza bandejas de fonte renovável, feitas do bagaço da cana-de-açúcar, e sempre procura se inovar para ter menos impacto ambiental”, explicou o Bueno.
Além da comercialização, algumas empresas também investem em produção própria para garantir oferta e padronização. É o caso da Frutas Luma, que mantém cultivo focado nesse nicho. “A gente tem um braço de produção próprio, focado em frutas exóticas, com destaque para a pitaia”, afirmou.
Com diversidade produtiva, aumento da demanda e novas oportunidades surgindo a partir do interesse internacional, o segmento de frutas exóticas se consolida como uma alternativa promissora dentro da fruticultura brasileira, agregando valor e ampliando possibilidades para produtores em diferentes regiões do país.