Cenoura/Cepea: Com o avanço do El Niño, produtores entram em estado de alerta
O clima no terceiro trimestre de 2026 (julho-setembro) tem sido um assunto muito discutido e temido pelos agentes do agronegócio. Isso porque, com a confirmação do fenômeno El Niño, intempéries climáticas são intensificadas, as quais podem causar grandes prejuízos para as lavouras, deixando os agricultores em estado de atenção para o andamento das campanhas de inverno (2026) e verão (2026/27).
Levando para o âmbito de produção de cenoura, na região Sudeste, a qual engloba a maior praça nacional – São Gotardo (MG) –, é previsto um aumento acentuado das temperaturas e chuvas próximas à média. Esse cenário no Cerrado não causou, até o momento, nenhum dano significativo na safra de inverno, tanto à produção quanto à rentabilidade dos produtores. Com isso, as colheitas e os plantios da safra de verão estão sendo realizados de maneira programada. Com as chuvas de setembro, houve incidência de algumas doenças, como mela e pinta, porém sem afetar de modo significativo a ponte de reduzir a produção. Na região Centro-Oeste, que contempla a praça de Cristalina (GO), o panorama é semelhante ao de Minas Gerais, de forma que as atividades na roça ocorrem sem imprevistos.
Já em Irecê (BA), no Nordeste, a restrição hídrica é prevista, o que deixa os cenouricultores mais cautelosos, que plantam a hortaliça de inverno e verão de maneira mais controlada, a fim de não depender exclusivamente dos poços, pois as plantas necessitam de mais águas para o funcionamento metabólico. Entretanto, algumas lavouras já apresentam essa escassez de água e, por isso, a oferta em Irecê permanece mais controlada neste inverno. Caxias do Sul (RS), na região Sul, é a que mais está sofrendo com as consequências do El Niño, pois como previsto, a ocorrência de chuvas muito acima da média impacta de forma exponencial na produtividade das roças e na qualidade das cenouras. Assim, cenouricultores gaúchos têm relatado atrasos no calendário de plantio de inverno de aproximadamente um mês (entre setembro e outubro), devido à dificuldade de acesso às áreas, o que também acaba impactando nas colheitas. Desse modo, muitos produtores estão comprando de outros estados produtores, como Santa Catarina e Minas Gerais, para vender no mercado sulista, e, as cenouras que estão sendo colhidas estão com um percentual significativo de descarte, com apróximadamente 20%. Com isso, a rentabilidade desses agricultores pode ser mais estreita frente as outras praças, uma vez que a fase de maior intensidade do El Niño ainda está por vir - último trimestre do ano -, o que os deixa mais receosos quanto aos plantios de verão, que podem ter as lavouras com o desenvolvimento prejudicado até a formação do tubérculo, havendo possibilidade de os produtores segurarem os plantios - o que já têm ocorrido em outubro -, esperando o período mais chuvoso se amenizar.