Nova greve dos caminhoneiros está confirmada, mas ainda sem data definida; alta do diesel em foco

Publicado em 17/03/2026 14:41 e atualizado em 17/03/2026 17:33

Uma nova greve dos caminhoneiros foi alinhada em uma reunião realizada em Santos, nesta segunda-feira (16), segundo informou o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, em entrevista ao portal Agência Transporte Moderno. A greve é mais um dos reflexos das altas agressivas do óleo diesel no país. "Hoje a maioria das lideranças de todos os Estados envolvidos decidiu que vai fazer uma paralisação. Mas precisamos seguir um trâmite legal, conversar com outras entidades e alinhar uma data dentro da legislação”, disse. “Em cada dois quilômetros você encontra um preço diferente. Eu cheguei a ver diesel a R$ 6,29 descendo para Santos. O governo precisa fiscalizar as distribuidoras e revendedoras". 

Leia a notícia completa no portal Agência Transporte Moderno:

>> Greve de caminhoneiros ganha força após reunião no Porto de Santos

De acordo com o painel online ValeCard, o diesel tipo S-10 registrou um aumento de 18,86% desde o último dia 28 de fevereiro, quando foram iniciados os conflitos no Oriente Médio. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%.

A adesão ainda não é total e completa, com algumas frentes ouvindo as demais bases para decidir sobre suas participações no movimento, em especial os sindicatos rurais. 

Como explicou o presidente da Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo), Everaldo Bastos, ao Notícias Agrícolas, "como federação estamos mostrando nosso descontentamento e que as entidades sindicais filiadas à Fetrabens estão unidas com o caminhoneiro e vendo a possibilidade de auxiliar e intervir nesta situação de risco que é o desabastecimento e o aumento excessivo dos preços do combustível". 

Bastos relata ainda que há alguns pontos em que os caminhoneiros estão, deliberadamente, parando. "Há alguns locais do país com paralisações já agendadas para amanhã, mas são todos movimentos independentes, todos ligados a sindicatos e alguns organizados pela própria categoria". 

Também ao Notícias, se manifestou o Sindicam Santos (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira) afirmando que há em curso, neste momento, negociações com todas as lideranças sindicais de representação da categoria. 

"As principais entidades já agendaram assembleia geral extraordinária  com os seus associados para que possamos trabalhar na pauta única de reivindicações. Temos representantes de todos os portos do país e também atuantes nos demais segmentos, tais como: grãos, contêineres, químicos e etc. Entretanto, os estados o que irão aderir a paralisação somente serão divulgados após o ajuste com as lideranças do setor a pedido dos transportadores, formalizados em assembleia geral", afirma a advogada do Sindicam Santos, Luciana Saldanha.

A advogada afirma também que "diferente de 2018, essa manifestação seguirá de forma organizada e estratégica, posto que é impossível absorver sozinhos todas as despesas do transporte sem qualquer segurança jurídica e direito de repasse ao frete. Estamos tentando, negociando com o Governo Federal há mais de um ano, entretanto, até o presente momento nada foi definido". 

IMPACTOS PARA O AGRONEGÓCIO

Frente a isso, como explicou nesta terça-feira, o sócio-diretor da Pine Agronegócio, Alê Delara, a possibilidade de uma nova paralisação vai ganhando corpo entre o setor do agronegócio, que já vive outros problemas em função dos preços muito elevados e da falta do combustível em algumas regiões-chave de produção. "O principal motivo nós já sabemos, que são os aumentos nos preços do diesel, principalmente os aumentos abusivos que foram colocados em todo o Brasil, com relatos de preços acima de R$ 15,00 o litro. Um completo absurdo". 

A imagem abaixo foi enviada ao Notícias Agrícolas na última semana, de um posto em São Félix do Xingu, no Mato Grosso. 

Além dos valores, a distribuição também é um problema e em alguns estados virou "caso de polícia", com investigação do Procon e do Ministério Público, além de comprometer os trabalhos de campo em diversas regiões produtoras do país, em especial o plantio do milho safrinha e a conclusão da colheita da soja.

"Assim, isso afeta tanto os produtores rurais, quanto os caminhoneiros, que já estão com suas margens estranguladas e ainda têm que comprar um diesel caro, quando conseguem comprar, já que jhá relatos ainda de que muitos postos estão colocando cotas entre 200 e 300 litros por caminhão, o que inviabiliza muito o transporte em todo o Brasil", complementa o especialista. 

Por: Carla Mendes e Michelle Jardim
Fonte: Notícias Agrícolas

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