Combustível mais caro pressiona importações e exige cinco decisões para proteger margens

Publicado em 20/05/2026 13:32
Alta do diesel e da gasolina encarece frete, armazenagem e distribuição, reduz previsibilidade financeira e obriga empresas a rever contratos, câmbio e logística

A alta dos combustíveis voltou a pressionar a cadeia de importação brasileira e já impacta custos de frete, armazenagem e entrega ao consumidor. Em abril, a Petrobras anunciou reajuste médio de 6,3% no diesel para distribuidoras, movimento que afeta diretamente o transporte rodoviário, principal modal logístico do país. 

Como cerca de 65% da carga brasileira circula por rodovias, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), qualquer avanço no preço do diesel tende a se espalhar rapidamente pelos custos operacionais.

Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, afirma que o efeito vai além da bomba. “Quando o combustível sobe, a empresa não paga apenas mais caro pelo transporte. Ela absorve aumento em armazenagem, distribuição, prazo de entrega e capital de giro. Muitas vezes a margem desaparece sem que o empresário perceba imediatamente”, diz.

Para importadores, o impacto é ainda maior porque os custos se acumulam em diferentes etapas. Depois da chegada da mercadoria ao porto, o produto segue por caminhão até centros de distribuição, lojas ou fábricas. 

Se o frete interno encarece, o custo total da operação sobe e pressiona preços finais. “Há empresas olhando apenas dólar e imposto, quando parte relevante da perda está na logística doméstica”, afirma.

Dados do IBGE mostram que o grupo Transportes seguiu entre os principais vetores de inflação recente, reforçando o peso estrutural do setor sobre toda a economia. Para companhias dependentes de insumos importados, isso significa risco duplo: pressão no câmbio e aumento no custo de movimentação interna.

Segundo o especialista, o momento exige revisão imediata de rotas, contratos e planejamento financeiro. “Quem importa de forma recorrente precisa tratar combustível como variável estratégica. Esperar o fechamento do mês para descobrir o impacto já é tarde.”

O executivo afirma que há caminhos para reduzir danos e até ganhar competitividade frente a concorrentes menos preparados.

O especialista aponta cinco decisões para proteger margens

  • - Revisar contratos logísticos

  • Empresas com contratos antigos podem renegociar tabelas de frete, gatilhos de reajuste e volumes mínimos. “Muitos acordos foram fechados em outra realidade de custos.”

  • - Redesenhar rotas e centros de distribuição

  • A simples mudança de origem de entrega ou consolidação de cargas pode reduzir quilômetros rodados e gasto com diesel.

  • - Integrar compras e tesouraria

  • Planejar importação sem olhar caixa, câmbio e logística aumenta desperdício. “Operação internacional precisa funcionar de forma conectada.”

  • - Antecipar repasses de preço

  • Negociar previamente com clientes e distribuidores reduz choque comercial quando o custo explode de forma repentina.

  • - Usar inteligência de dados

  • Monitorar frete por região, prazo médio e custo por entrega permite correção rápida antes que o problema afete a rentabilidade.

Murillo Oliveira afirma que outro erro comum é escolher fornecedores apenas pelo menor preço FOB, sem considerar o custo final até o destino. “Às vezes a mercadoria parece barata na origem, mas chega cara ao estoque. O empresário precisa olhar o custo posto, não só o preço inicial.”

Mesmo com pressão de custos, o cenário também abre espaço para empresas organizadas ganharem mercado. Companhias que controlam indicadores, negociam melhor frete e revisam rotas tendem a preservar margem e responder mais rápido ao consumidor. “Em momentos de alta, eficiência operacional vira vantagem competitiva real”, conclui.

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Fonte:
Saygo

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