Portos privados crescem 14,1% em janeiro e puxam movimentação portuária do Brasil

Publicado em 20/03/2026 16:37
Segundo ATP, terminais privados têm forte alta, com destaque para petróleo, soja, milho e minério, e já representam 66% da carga portuária do país

Os terminais privados brasileiros começaram 2026 em ritmo acelerado e consolidaram seu protagonismo na logística nacional. Em janeiro, os Terminais de Uso Privado (TUP) movimentaram 68,6 milhões de toneladas, um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado — desempenho que puxou a alta da movimentação portuária no país.

Em janeiro, os portos privados responderam por 66% de toda a carga portuária brasileira. Já os portos organizados movimentaram 35,3 milhões de toneladas, com crescimento de 10,3%. No total, a movimentação portuária no país totalizou 103,9 milhões de toneladas, um avanço de 12,8%.

Os dados fazem parte de levantamento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), com base no Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Petróleo e exportações puxam crescimento

Entre os perfis de carga, o grande destaque dos TUP em janeiro foi o granel líquido e gasoso, que registrou alta expressiva de 30,6%, somando 25,9 milhões de toneladas. O avanço foi impulsionado principalmente pela movimentação de longo curso, que cresceu 60,7%, refletindo o aumento das exportações.

Nesse cenário, ganham destaque polos estratégicos como São João da Barra (RJ), Angra dos Reis (RJ) e São Sebastião (SP).

Nessas regiões, três terminais apresentaram maior movimentação: o Terminal de Petróleo TPET/TOIL – Açu (RJ) com 7,6 milhões de toneladas e crescimento de 159,8%; o Terminal Aquaviário de Angra dos Reis, da Transpetro, com uma movimentação de 6 milhões de toneladas e aumento de 20,6%; e o Terminal Aquaviário de São Sebastião, também da Transpetro, mais de 5 milhões de toneladas, com crescimento de 11%.

Agronegócio e hidrovias reforçam avanço

O granel sólido também apresentou crescimento relevante (+10%), com movimentação de 35,1 milhões de toneladas. O resultado foi impulsionado pelo avanço das principais commodities agrícolas e minerais, com destaque para soja (+108,5%), milho (+48,5%) e bauxita (+9,1%).

Outro ponto de atenção é o papel crescente da navegação interior, que registrou alta de 70,8% na movimentação de granel sólido, reforçando a importância das hidrovias para o escoamento da produção.

A carga conteinerizada teve leve crescimento de 1,2%, com 4,7 milhões de toneladas movimentadas.

Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, os números reforçam a relevância dos portos privados para a economia brasileira. “O forte crescimento dos TUP em janeiro mostra que os terminais privados são essenciais para a eficiência da logística nacional e o desenvolvimento do setor portuário brasileiro. Os empreendimentos privados fortalecem nossa capacidade de exportar diferentes tipos de cargas, contribuindo para a liderança do país no mercado global de commodities”, afirma Barbosa.

Na contramão dos demais segmentos, a carga geral registrou queda de 22,5%. Dos 34 terminais com dados comparáveis entre janeiro de 2025 e 2026, apenas 13 apresentaram crescimento, enquanto 20 tiveram retração e um não registrou movimentação no período.

Terminais privados crescem acima de 200%

O levantamento da ATP também identificou casos de crescimento expressivo entre os terminais privados. Considerando unidades com movimentação mínima de 39,5 mil toneladas em ambos os períodos, três TUP apresentaram alta superior a 200% na comparação anual.

O ranking é liderado pelo Terminal Vila do Conde (Hidrovias do Brasil), no Pará, com crescimento de 637,4% e movimentação de 724 mil toneladas. Em seguida, aparece a Cargill Agrícola (ETC Miritituba/PA), com alta de 448,7% e 242,1 mil toneladas movimentadas. Completa a lista o Terminal de Grãos Ponta da Montanha (TGPM/PA), que avançou 254,3%, com 226,6 mil toneladas.

Fonte: ATP

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