Milho: Exportações e problemas logísticos favorecem lentidão no mercado físico

Publicado em 13/11/2012 16:20
A comercialização do milho segue a passos lentos em boa parte do Brasil. Em Guarapuava (PR), o alto custo do frete e problemas logísticos, além das exportações aquecidas têm diminuído o volume do cereal no mercado físico local. De acordo com o cerealista, Beto Xavier, a principal oferta de milho do Paraná vem do Mato Grosso do Sul, de onde o milho sai cotado a R$22 e chega a R$28 para os paranaenses. Ainda de acordo com Xavier, compradores também se mantêm distantes do mercado no Paraná, evitando estoques e negociando cereal “na boca” do dia.

De acordo com o consultor da FCStone, Étore Baroni, produtor está capitalizado e já negociou boa parte da sua produção, diminuindo vendas no final de ano a fim de amenizar impactos no imposto de renda.

No Mato Grosso, produtores seguram oferta do milho à espera de preços melhores para o cereal. Em Sinop, saca do cereal é negociada a R$18. De acordo com o delegado da Aprosoja, Leonildo Barei, boa parte da comercialização se deu em agosto, quando a saca do milho era negociada em torno dos R$20. No entanto, problemas logísticos dificultaram escoamento da produção e preços chegaram a operar a R$15. Produtor no município acredita em alta nos preços nos próximos 15 dias.

A fraca comercialização interna é reflexa de problemas climáticos nos EUA, que favoreceram embarques do cereal brasileiro. Segundo Baroni, nos primeiros 12 dias de novembro o volume embarcado de milho do Brasil era de 1,5 milhões de toneladas, aproximadamente o dobro do exportado no mesmo período do ano passado.

No entanto, o consultor afirma que mesmo embarcando o volume total de 19 milhões de toneladas de milho – segundo estimativa da Conab – o Brasil ainda terá um estoque de passagem de 8 milhões de toneladas. “Vamos passar com 8 milhões no estoque e a expectativa é de que a produção nessa temporada seja de 73 milhões de toneladas. Com 81 milhões de toneladas, o Brasil não vai ter estrutura para receber esse volume e vai ter que mandar milho para fora, independente do preço e isso terá impacto para o produtor”, afirma.

Apesar de o cenário externo sustentar os preços no Brasil, as variações nas cotações na Bolsa de Chicago pouco têm influenciado o mercado físico. No entanto, produtor deve estar atento à próxima safra norte-americana, que poderá mudar cenário para o grão, diminuindo embarques brasileiros e aumentando oferta no mercado interno. “Se EUA vir com uma produção cheia, como é expectativa inicial, Brasil será menos competitivo em relação às exportações”, garante Baroni.
Para Xavier mercado físico pode apresentar valorizações de até 10% nos preços ainda este ano, com recuo a partir de 2013, com colheita das safras de verão e plantio da safrinha.

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Fonte: Notícias Agrícolas

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