Anec vê menor exportação de milho do Brasil e 'complicação' com grande oferta dos EUA

Publicado em 28/04/2020 21:58

SÃO PAULO (Reuters) - A exportação de milho do Brasil, segundo exportador global do cereal, deverá somar entre 31 milhões e 32 milhões de toneladas neste ano, um volume menor do que o previsto anteriormente, apontou nesta terça-feira o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

Até o mês passado, a Anec esperava uma exportação de milho do Brasil entre 34 milhões e 35 milhões de toneladas neste ano.

Segundo ele, uma grande oferta dos Estados Unidos, os maiores produtores e exportadores globais, poderá atrapalhar os planos de exportadores brasileiros.

"É possível que no milho a gente tenha alguma complicação, o preço do petróleo caiu muito e vai sobrar milho nos EUA", disse ele, em referência ao fato de que os norte-americanos produzirem etanol a partir de milho.

A pandemia de coronavírus reduziu drasticamente o consumo de etanol nos EUA, assim como o de combustíveis fósseis, o que faz com que uma menor quantidade de milho seja destinada para a produção do biocombustível.

Durante uma webinar promovida pela consultoria Datagro, Mendes ponderou não saber até que ponto a maior oferta de milho nos EUA poderá prejudicar o Brasil, acrescentando que os preços do produto podem ser pressionados.

"Mas eu diria que dá pra gente ficar... levantar as mãos e dizer que está tudo bem", comentou.

Já a exportação de soja do Brasil em 2020 foi estimada em 73 milhões de toneladas pela Anec, versus 73-74 milhões na previsão de março.

A oleaginosa tem sido beneficiada pela grande demanda da China, enquanto a exportação de milho do Brasil tende a ocorrer com mais frequência no segundo semestre.

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Fonte: Reuters

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