Milho fecha semana com perdas de até 3,85% em Chicago e 1,56% na B3; mercado físico registra novas quedas
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Os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (23) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana. O mercado segue pressionado pelas perspectivas de uma safra recorde nos Estados Unidos, enquanto o avanço da colheita aumenta a disponibilidade do cereal e mantém os operadores atentos à capacidade da demanda de absorver a produção.
O contrato dezembro/26 fechou cotado a US$ 4,5600 por bushel, com desvalorização de 4,50 cents, equivalente a 0,98%. O março/27 perdeu 4 pontos e terminou negociado a US$ 4,7025 por bushel, enquanto o maio/27 recuou 3,50 pontos, para US$ 4,7900. O julho/27 registrou baixa de 3,75 pontos e encerrou a sessão a US$ 4,8550 por bushel.
No acumulado da semana, todos os principais vencimentos registraram desvalorizações. O dezembro/26 perdeu 3,85% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (16), quando havia encerrado a US$ 4,7425 por bushel. O março/27 acumulou queda de 3,34%, enquanto os contratos maio e julho de 2027 recuaram 2,94% e 2,75%, respectivamente.
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Produção americana elevada e avanço da colheita mantêm pressão
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) continuam entre os principais fatores de atenção do mercado. No relatório de oferta e demanda divulgado em 9 de outubro, o órgão elevou sua estimativa de produtividade do milho norte-americano de 178,5 para 181,2 bushels por acre, superando as expectativas de analistas consultados antes da publicação.
Com a revisão, a produção foi estimada em aproximadamente 407 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais da temporada 2026/27 passaram para cerca de 47 milhões de toneladas. Os números ampliaram a perspectiva de disponibilidade do cereal nos Estados Unidos, contribuindo para a pressão observada sobre os contratos futuros.
O avanço da colheita também segue no radar. Segundo o último relatório de acompanhamento do USDA, os produtores norte-americanos haviam retirado o milho de 44% da área até 18 de outubro, avanço de 11 pontos percentuais em uma semana. Embora o percentual ainda estivesse abaixo da média de cinco anos, de 52%, as previsões de períodos com tempo predominantemente seco no Meio-Oeste favorecem a continuidade dos trabalhos.
O ritmo, entretanto, permanece desigual entre as principais regiões produtoras. Em Iowa, maior estado produtor de milho dos Estados Unidos, a colheita havia alcançado 26% da área, diante de uma média histórica de 50% para o período. Também foram registrados atrasos em Nebraska, Minnesota e Dakota do Sul, enquanto Illinois apresentava trabalhos mais adiantados que o normal.
Pelo lado da demanda, o USDA informou vendas líquidas de aproximadamente 1,53 milhão de toneladas de milho norte-americano na semana encerrada em 15 de outubro, resultado 36% superior ao da semana anterior. O desempenho indica continuidade do interesse comprador pelo cereal, mas não foi suficiente para reverter a pressão exercida pelas perspectivas de maior oferta.
Para os próximos pregões, os operadores continuarão acompanhando o ritmo da colheita, as condições climáticas no cinturão produtor americano e os indicadores de demanda doméstica e internacional. A evolução desses fatores será importante para avaliar se Chicago encontrará sustentação após as perdas acumuladas em outubro.
B3 registra variações mistas, mas encerra semana com perdas na maioria dos contratos
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros do milho terminaram a sexta-feira com resultados mistos. O novembro/26 apresentou leve alta de 0,08%, encerrando a R$ 65,53 por saca, enquanto o janeiro/27 recuou 0,24%, para R$ 70,08. O março/27 registrou pequena queda de 0,01%, cotado a R$ 75,34, e o maio/27 perdeu 0,13%, terminando a R$ 74,69 por saca.
Entre os vencimentos mais distantes, o julho/27 apresentou recuo de 0,91%, fechando a R$ 73,96 por saca. O setembro/27 caiu 0,56%, para R$ 75,03, enquanto o novembro/27 terminou a R$ 77,30, com perda de 0,74%.
Na comparação com a sexta-feira anterior (16), o novembro/26 acumulou desvalorização de 1,56%, passando de R$ 66,57 para R$ 65,53 por saca. O janeiro/27 perdeu 1,18% e o março/27 recuou 0,82%. O maio/27 encerrou a semana sem alteração, a R$ 74,69, enquanto julho, setembro e novembro de 2027 registraram quedas de 0,82%, 0,50% e 0,74%, respectivamente.
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Apesar da pressão no curto prazo, a curva de preços segue apresentando diferenças expressivas entre os vencimentos. O contrato março/27 terminou a semana R$ 9,81 por saca acima do novembro/26. O relatório semanal da Terra Agro Insights destaca que os contratos mais distantes vêm apresentando maior resistência às quedas do que o vencimento mais próximo, em um cenário de atenção à demanda doméstica e às perspectivas para a segunda safra de 2027.
Mercado físico registra baixas pontuais no Brasil
No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou novas desvalorizações nesta sexta-feira. As quedas foram registradas em Sorriso, no Mato Grosso, e em Machado, em Minas Gerais, enquanto as demais praças com cotações disponíveis permaneceram estáveis.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (23), Gilberto Leal, head de Commodities da Granel Corretora, destacou que a pressão sobre os preços também reflete a baixa liquidez no mercado brasileiro, a menor competitividade do milho nacional nas exportações e o recuo da demanda imediata das indústrias de etanol. Segundo ele, algumas unidades industriais de Mato Grosso já concluíram seus programas de compras para entrega em 2026 e passaram a negociar volumes apenas para 2027.
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Leal relatou que, em um dos corredores de comercialização acompanhados pela corretora no estado, os preços oferecidos pelas indústrias de etanol recuaram de aproximadamente R$ 56 por saca, em meados de agosto, para a faixa de R$ 45 a R$ 46 atualmente. Diante desse cenário, muitos produtores evitam realizar novos negócios, enquanto a concorrência com o milho argentino e as dificuldades logísticas para exportação pelo Arco Norte limitam as alternativas de escoamento.
O comportamento ocorre em um momento de comercialização cautelosa. Em seu levantamento semanal, a Terra Agro Insights destacou a retração dos compradores e a baixa liquidez no mercado disponível de Mato Grosso, além das dificuldades de competitividade do milho brasileiro nas exportações.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reunidos pela consultoria, o Brasil havia embarcado 2,87 milhões de toneladas de milho até a terceira semana de outubro, com média diária 11,8% inferior à registrada no mesmo mês de 2025. O ritmo melhorou na terceira semana, mas ainda permanecia abaixo do necessário para igualar o volume exportado em outubro do ano passado.
Ao mesmo tempo, o consumo doméstico, especialmente pela indústria de etanol de milho e pelo setor de alimentação animal, segue como uma variável importante para o escoamento da produção brasileira. As diferenças entre as cotações disponíveis e os preços de exportação, porém, continuam influenciando a competitividade do cereal nos mercados internacionais.
Com isso, o milho encerra a semana pressionado pela oferta americana elevada, pelas perdas em Chicago e pela retração dos preços no mercado brasileiro. Para os próximos pregões, o avanço da colheita nos Estados Unidos, a evolução das exportações e as condições de plantio da safra brasileira 2026/27 permanecerão entre os principais pontos de atenção.
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