Escolha da melhor semente de milho é fundamental

Publicado em 21/08/2008 16:01 e atualizado em 10/03/2020 11:40

Um dos principais pontos a que o produtor de milho deve ficar atento nesta época do ano é qual a semente será plantada na próxima safra. Hoje, são mais de 300 opções no mercado brasileiro. E tem pra todo gosto e necessidade: desde as chamadas variedades, que podem ser replantadas, até os híbridos, geralmente mais produtivos. Cada produtor, com sua própria realidade, certamente terá uma semente mais adequada.

Confira na entrevista abaixo a importância de se escolher bem a semente para, na hora da colheita, ter boa resposta. Os entrevistados são José Carlos Cruz, Israel Alexandre Pereira Filho (pesquisadores da área de fitotecnica da Embrapa Milho e Sorgo) e Luciano Rodrigues Queiroz (engenheiro agrônomo e bolsista do CNPq na Embrapa Milho e Sorgo).

1- Qual a importância de o produtor rural escolher a semente mais adequada às condições de sua região?
O rendimento de uma lavoura de milho é resultado do potencial genético da semente, das condições edafoclimáticas da região e do manejo da lavoura. De modo geral, cada um desses fatores (genética e manejo) é responsável por cerca de 50% do rendimento final. Conseqüentemente, a escolha correta da semente pode ser a razão de sucesso ou de insucesso da lavoura.

Outros aspectos relacionados às características da cultivar e do sistema de produção deverão ser levados em consideração para que a lavoura se torne mais competitiva. A escolha de cada cultivar deve atender às necessidades específicas, pois não existe uma cultivar superior que consiga atender a todas as situações regionais.

Estão sendo comercializadas na safra 2008/09 mais de 300 cultivares normais e, além disso, 19 dessas cultivares também são comercializadas com gene Bt Yieldgard® (um único evento), em que ® Yieldgard é marca registrada utilizada sob licença da Monsanto Company.

De fato, um dos primeiros aspectos a serem considerados na escolha da semente é sua adaptação à região. Entretanto esse aspecto é minimizado, pois normalmente as empresas de sementes já direcionam suas cultivares de acordo com as suas regiões de adaptação, das principais doenças que ocorrem na região, do sistema de produção predominante, das exigências do mercado e do perfil dos agricultores. O problema é quando o agricultor adquire sua semente em locais diferentes daqueles onde será implantada a lavoura.


2- O que o produtor tem a ganhar, além de maior produtividade, plantando a semente mais indicada?
O potencial produtivo de uma cultivar é um dos primeiros aspectos considerados pelos agricultores na compra de sua semente. Entretanto, a sua estabilidade de produção, que é determinada em função do seu comportamento em cultivos em diferentes locais e anos, também deverá ser considerada.

Cultivares estáveis são aquelas que, ao longo dos anos e dentro de determinada área geográfica, têm menor oscilação de produção, respondendo com maior produção em anos mais favoráveis e não tendo grandes quedas de rendimento em anos desfavoráveis.

Das cultivares presentes no mercado, 39,25% são recomendadas para nível de tecnologia alto e médio/alto. Dentre estas cultivares, predominam os híbridos simples e os triplos. Neste grupo, os híbridos simples representam 84,9% das opções.

Uma importante característica a ser observada ao se plantar uma cultivar é a densidade de plantio, que, quando inadequada, pode ser razão de insucesso da lavoura. A densidade de plantio ideal é função da cultivar e da disponibilidade hídrica e de nutrientes. Para os híbridos triplos e simples, é freqüente a densidade de 50 a 60 mil plantas por hectare, havendo casos de recomendação de até 80 mil plantas por hectare. Na safra 2007/08, apenas 39 cultivares eram recomendadas com densidades de plantio igual ou maior do que 60 mil plantas por hectare. Nesta safra (2008/09), este número subiu para 64.

Vários outros fatores devem ser observados na escolha de uma cultivar, de forma que ela seja adaptada ao seu sistema de produção e que resulte em maior custo/benefício.

O preço da semente de milho no mercado varia de cerca de R$50 a cerca de R$350 para o plantio de um hectare. Dessa forma, não adianta o agricultor comprar uma semente mais cara, de alto potencial genético, se o nível tecnológico utilizado não for compatível para que essa semente possa expressar todo o seu potencial produtivo.

Deve sempre haver uma adequação entre o potencial genético da semente, as condições edafoclimáticas da região e o manejo e tratos culturais que essa semente receberá. A cultivar escolhida deve ser tolerante às principais doenças que ocorrem na região, atender à finalidade de uso (milho verde, silagem, grãos), ter ciclo adequado e atender às condições de mercado.

3. O mercado de milho hoje é bastante dinâmico, com entrada e saída, todos os anos, de várias cultivares. Esta é uma tendência sem volta, ou seja, é necessário o produtor estar atento às novidades que aparecem a cada safra?
A tabela abaixo mostra que o mercado de sementes de milho é dinâmico e que o agricultor deve estar atento às novidades, pois elas sempre trazem inovações tecnológicas. Além disso, a partir desta safra começam a ser comercializadas as sementes transgênicas, representando maiores opções de mercado e com novos ajustes nos sistemas de produção.

Tabela - Distribuição percentual dos diferentes tipos de cultivares de milho no Brasil

Tipo de cultivar

00/

01

01/

02

02/

03

03/

04

04/

05

05/

06

06/

07

07/

08

08/ 09

Híbridos Simples

29,6

31,8

34,8

35,7

37,6

40,0

44,0

44,0

46,7

Híbridos Triplos

38,3

32,4

31,3

29,7

28,4

25,3

24,0

25,1

24,5

Híbridos Duplos

22,8

22,1

20,5

22,4

22,7

22,3

20,7

20,5

19,5

Variedades

9,2

13,6

13,4

12,2

11,3

12,4

11,3

10,4

9,3

Total de cultivares

206

176

207

233

230

237

279

278

302

Eliminadas/

novas

-

87/57

13 / 25¹

9 / 35

35 / 32

22 / 29

5/47

37/36

22/46²

¹Na safra 2002/03 foram também consideradas 18 cultivares não relacionadas em 2001/02

²Na safra 2008/09 foram também consideradas 12 cultivares não relacionadas em 2007/08


Outras informações podem ser obtidas junto à Área de Comunicação Empresarial (ACE) da Embrapa Milho e Sorgo: (31) 3027-1272 ou clenio@cnpms.embrapa.br .


 

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Fonte: Embrapa

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