China vai demandar mais alimentos nos próximos anos e Brasil terá papel fundamental nesse cenário

Publicado em 13/05/2026 12:32
Produtos como milho e sorgo vêm ganhando mais espaço no mercado chinês e têm tendência de crescimento

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As relações comerciais entre Brasil e China são cada vez maiores e abordam novos mercados e produtos. Desde 2008, os chineses são os principais compradores do agro brasileiro, com o nosso país já respondendo por ¼ de tudo que a China importa com origem agrícola. 

“A nossa parceria é muito grande e não apenas em negócios, mas também em tecnologia, trocas e muitas oportunidades de crescimento mútuo”, destaca Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove. 

Durante participação no 4º Congresso Brasileiro do Milho, promovido pela Abramilho em Brasília, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, também ressaltou a importância das parcerias entre os dois países, especialmente no comércio de alimentos, que garante segurança alimentar. 

“A China considera segurança alimentar uma prioridade absoluta. Sem agricultura não há estabilidade e sem indústria não tem como crescer. O futuro da agricultura está na tecnologia. Hoje a China aposta em inovação científica e tecnologia para fortalecer o sistema agrícola e garantir segurança alimentar”, diz.  

“Também é preciso fortalecer o cooperativismo internacional, que é um ponto fundamental para a segurança alimentar. China e Brasil têm alta complementariedade agrícola e enorme parceria na comercialização de produtos agrícolas como milho e sorgo”, acrescentou o embaixador. 

Na visão do representante do governo chinês, a preocupação com segurança alimentar é fundamental diante das projeções de crescimento da economia da China, que deve ampliar a demanda por alimentos nos próximos anos. 

“Segurança alimentar é o futuro da humanidade, já que a necessidade de alimentos da China vai aumentar cada vez mais. Nós devemos duplicar a renda per capita da população saindo de US$ 10 mil em 2000 para US$ 20 mil em 2035. Além disso, a população de classe média vai saltar de 400 milhões para 800 milhões. Isso aumenta também a necessidade de qualidade no fornecimento de alimentos, seja para grãos, proteínas, frutas ou legumes”, avalia Zhu Qingqiao. 

Um dos produtos agrícolas brasileiros que pode se aproveitar dessas projeções de crescimento é o sorgo. Em 2024, a China assinou os protocolos fitossanitários, em 2025 houve a aprovação para a importação de sorgo do Brasil e em janeiro de 2026, esses envios já atingiram 25,8 mil toneladas. 

“O Brasil está crescendo muito no sorgo e hoje já é o segundo maior produtor mundial. A China liberou a importação, a primeira carga já foi expedida e temos 3 empresas autorizadas, com uma lista de outras 100 aguardando a aprovação. Isso ocorrendo, as exportações vão subir muito daqui para frente. O sorgo também vem sendo muito utilizado na produção de etanol e DDG dentro do Brasil. É uma alternativa que tira o risco do produtor quando ele perde a janela ideal de plantio, porque é mais tolerante à seca e tem custo de produção mais barato. Ele não vai tomar espaço do milho, mas vai complementar a cadeia”, pontua Paulo Bertolini, presidente da Abramilho. 

Além da autorização dessas novas empresas para realizar os embarques de sorgo brasileiro para a China, outro ponto também segue impedindo um avanço mais rápido desses embarques, que é a regulação de biotecnologias. O setor trabalha para atingir uma convergência regulatória entre os dois países para continuar fomentando as exportações, atendendo às necessidades e às demandas de quem compra. 

“Há algum tempo, o maior consumidor de milho do Brasil eram as lagartas, mas as biotecnologias avançaram muito nos últimos anos, nos deixando à frente da regulação de outros países. Tem muita biotecnologia pronta no Brasil que não entra no mercado porque ainda não tem a validação da China. Essa relação precisa continuar a avançar para acelerar esses processos”, avalia Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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