B3 fecha terça-feira com desvalorização para o milho

Publicado em 13/01/2026 16:38
Chicago ainda repercute USDA e estende perdas

A terça-feira (13) chega ao final com os preços internacionais do milho futuro contabilizando novas movimentações negativas na Bolsa de Chicago (CBOT), estendendo as fortes perdas registradas no pregão de ontem.  

Segundo informações do site internacional Farm Futures, os contratos futuros de milho ampliaram a queda acentuada iniciada na segunda-feira, após os relatórios surpreendentemente pessimistas do USDA forçarem uma grande reavaliação das perspectivas de longo prazo para a oferta e os preços. 

“Os números do USDA incluíram um aumento inesperado na estimativa final da produtividade média para 2025, elevando-a a um novo recorde”, destaca Bruce Blyhte, analista da Farm Futures. 

“O milho e a soja atingiram novas mínimas durante a noite e permaneceram em baixa depois que o USDA provocou uma queda acentuada no índice ontem, particularmente o milho”, afirmou o The Brock Report, conforme reportado pelo site internacional Successful Farming. 

“Embora sempre exista a possibilidade de revisões nas estimativas do USDA e as projeções mudem, há uma certeza quanto às estimativas pessimistas para a safra de 2025 e aos estoques de 1º de dezembro, que lançarão uma sombra sobre os mercados à medida que o setor começa a se preparar para o plantio da primavera”, conclui a publicação. 

O analista da StoneX, Randy Mittelstaedt, também ressaltou que os relatórios do USDA foram fundamentalmente negativos para milho, soja e trigo, com estimativas de estoques finais dos EUA para 2025/26 para as três culturas ficando acima do esperado. Na avaliação de Mittelstaedt, a oferta pode aumentar ainda mais, pois é improvável que a demanda cresça muito em relação aos níveis já elevados. 

“Com a demanda futura ainda incerta, revisões adicionais para cima nos estoques finais de milho e soja dos EUA parecem possíveis/prováveis, em nossa opinião, à medida que o ano comercial de 2025-26 avança”, disse o analista, conforme reportado pela Farm Futures. 

O vencimento março/26 foi cotado a US$ 4,19 com queda de 1,75 ponto, o maio/26 valeu US$ 4,27 com baixa de 2,75 pontos, o julho/26 foi negociado por US$ 4,34 com perda de 3,50 pontos e o setembro/26 teve valor de US$ 4,33 com desvalorização de 5,50 pontos. 

Esses índices representaram quedas, com relação ao fechamento da última segunda-feira (12), de 0,42% para o março/26, de 0,64% para o maio/26, de 0,80% para o julho/26 e de 1,25% para o setembro/26.

Mercado Interno 

A terça-feira também foi mais um dia negativo para os preços futuros do milho na Bolsa Brasileira (B3), que acompanharam a força negativa vinda do exterior. 

Na avaliação de Vlamir Bradalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, o milho da B3 segue a lógica das grandes perdas registradas em Chicago na segunda-feira e sem receber ajuda do dólar, nas flutuações de câmbio ante ao real. 

“A B3 está olhando os grandes compradores do mercado interno do setor de etanol e ração que tiraram a pressão porque o mercado de porto também recuou entre R$ 1,00 e R$ 1,50 do lado comprador. Com isso, a B3 se acomodou e voltou a trabalhar abaixo de R$ 69,00 no janeiro e abaixo dos R$ 70,00 para o julho”, pontua Brandalizze. 

“Nesse momento há uma pressão de produtor buscando caixa vendendo milho. Tem muito armazenador precisando abrir espaço para começar a receber a soja. Então a indústria se posiciona em um quadro de conforto, ela senta e espera a oferta”, acrescenta o analista.  

Confira como ficaram todas as cotações nesta terça-feira 

O vencimento janeiro/26 foi cotado a R$ 68,55 com baixa de 0,36%, o março/26 valeu R$ 71,79 com queda de 0,57%, o maio/26 foi negociado por R$ 70,99 com desvalorização de 0,78% e o julho/26 teve valor de R$ 69,65 com perda de 0,60%.

No mercado físico brasileiro o preço da saca de milho registrou recuos nas praças de Nonoai/RS, Jataí/GO e Rio Verde/GO e apresentou valorização somente em Sorriso/MT, conforme apontou o levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas.

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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