Milho sobe mais de 1% em Chicago nesta 4ª feira, acompanhando novos ganhos do petróleo
Os preços futuros do milho voltam a subir forte na Bolsa de Chicago e registram ganhos de mais de 1% entre as posições mais negociadas. Perto de 12h, as cotações avançavam entre 4,50 e 5,75 pontos, com o maio sendo cotado a US$ 4,56 e o o julho com US$ 4,68 por bushel. Mais uma vez, o movimento positivo das commodities energéticas, em especial do petróleo, puxa as agrícolas e reflete o ambiente de maior tensão geopolítica no Oriente Médio.
O avanço do petróleo, que voltou a ganhar força diante das preocupações com a oferta global de energia, tem contribuído para elevar o chamado “prêmio de risco” entre os grãos, além das demais commodities agrícolas, e acaba sustentando também as cotações do cereal.
Neste início de tarde de quarta-feira, os futuros tanto do brent, quanto do WTI subiam mais de 3%, levando o barril do brent de volta aos US$ 90,00. O Irã hoje alertou ao mercado sobre a possibilidade do barril chegar aos US$ 200,00 diante da continuidade da guerra e do comprometimento do fluxo logístico na região.
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O agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, além das incertezas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de energia, tende a impulsionar não apenas os combustíveis, mas também os biocombustíveis e, consequentemente, suas matérias-primas. O óleo de soja já registrava ganhos de mais de 4% na CBOT nesta tarde de quarta-feira.
MERCADO DE LADO NA B3
No Brasil, o mercado também reflete, ao menos em partes, este cenário de altas em Chicago Todavia, na B3, os futuros do cereal caminhavam de lado, com movimentações bastante modestas. Perto de 12h15 (Brasília), o março cedia 0,2% para valer R$ 71,62 por saca, enquanto os demais subiam de 0,07% a 0,11%, levando o maio a R$ 75,30 e o setembro a R$ 71,25 por saca.
Os pequenos ganhos acompanham a firmeza de Chicago e incorporam prêmios ligados ao cenário doméstico. Entre os principais fatores monitorados estão o clima para o plantio da segunda safra e a janela ideal para os trabalhos de campo, que já se perdeu em algumas regiões importantes.
E as previsões continuam indicando muitas chuvas, em volumes consideráveis e intensos para os próximos dias no Centro-Sul do Brasil.
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Além das condições climáticas, o mercado brasileiro também acompanha de perto a situação dos combustíveis. Produtores relatam aumento expressivo nos custos com diesel e dificuldades de abastecimento em algumas regiões agrícolas, justamente em um momento de intensa atividade no campo, com a colheita da soja e o plantio do milho safrinha ocorrendo simultaneamente. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o que torna o setor agrícola particularmente sensível às oscilações do petróleo no mercado internacional.
E embora a escalada dos preços do diesel esteja diretamente ligada ao avanço do petróleo no cenário global, entidades do agronegócio brasileiro explicam que somente a recente movimentaçao seria insuficiente para promover altas - consideradas abusivas e injustificáveis - de até quase R$ 4,00 por litro em alguns locais. A CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Brasília) solicitou, inclusive, a retirada temporária dos tributos sobre o combustível ao Ministério da Fazenda e o Confaz.
Dessa forma, essa combinação desses elementos mantém o ambiente de volatilidade ainda muito vivo, mas também dá sustentação aos preços do cereal nos mercados futuros nesta quarta-feira.