Brasil exportou 12,8% mais milho em março/26 do que em março/25, mas mercado liga o alerta para o restante do ano
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou o reporte final para as exportações em março de 2026, apontando que o Brasil exportou 983.029,2 toneladas de milho não moído (exceto milho doce) ao longo do mês. Este volume representa aumento de 12,8% ante as 871.297,9 toneladas embarcadas em todo março de 2025.
No faturamento, o Brasil arrecadou US$ 226,489 milhões no acumulado mensal, contra US$ 209,332 milhões em todo o mês de março de 2025., registrando ema elevação de 8,2%.
Já o preço pago por tonelada caiu 4,1% ficando em US$ 230,40 em março de 2026 contra os US$ 240,30 de março de 2025.
Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, destaca que os resultados das exportações de milho até aqui em 2026 têm surpreendido o mercado com volumes superiores aos registrados em 2026. Porém, a projeção é que esses embarques comecem a diminuir em breve.
“A gente teve surpreendentemente até um volume um pouco maior, saindo principalmente milho do Rio Grande do Sul, que sai todo ano, mas os números me parecem maiores do que os anos anteriores. Então, a questão da exportação agora vai praticamente zerar essa exportação de milho e aí só vai voltar lá para junho ou julho. Ai a gente vai ter que olhar como é que vai se comportar a demanda mundial. eu acredito que a gente vai ter que encontrar mercado para alguma coisa ao redor de 45 milhões de toneladas, que é o número que eu estou estimando”, diz Rafael.
O analista ressalta ainda as preocupações com a demanda vinda do Irã, principal comprador do milho brasileiro em 2025 e com a necessidade de o Brasil exportar o grão para equilibrar o quadro de oferta dentro do país.
“Isso vai depender de uma série de coisas, inclusive a gente tem uma questão do Irã que a gente não sabe como é que vai ficar. No ano passado eles levaram quase 10 milhões de toneladas no Brasil, então vai ser um número menor com certeza do Irã, só que a gente não sabe em que nível vai ser. Esse excedente vai ter que sair do país, já que nós vamos produzir um volume superior à demanda interna, que nós trabalhamos aqui saindo de 94 milhões de toneladas para 99 milhões. Então todos esses números que eu estou te falando aqui, eu já considero um consumo de 99 milhões, fortemente impactado na alta por conta do mercado de etanol”, afirma.