Milho fecha em baixa em Chicago e na B3 com clima favorável nos EUA e recuo do petróleo nesta 4ª

Publicado em 05/08/2026 17:17
Na CBOT, futuros do grão perderam mais de 1%; modelos climáticos seguem mostrando chuvas regulares para o Corn Belt

Os preços futuros do milho encerraram a sessão desta quarta-feira (5) em queda tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3. O mercado internacional voltou a ser pressionado pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra norte-americana e pelo arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fatores que também derrubaram as cotações do petróleo e ampliaram o movimento de liquidação entre as commodities.

Na CBOT, o dia fechou com baixas no milho de mais de 1% - ou variando de 5,50 a 5,75 pontos - com o dezembro concluindo os negócios com US$ 4,60 e o março/27 com US$ 4,75 por bushel. O mercado cedeu acompanhando perdas que se deram na soja - bem mais modestas - no farelo e no óleo, e apesar dos ganhos do trigo nesta quarta. 

A perspectiva de manutenção de um clima favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos segue reforçando as expectativas de uma safra volumosa. Com boas condições para o enchimento de grãos e previsões meteorológicas indicando temperaturas amenas e chuvas regulares nas principais áreas produtoras, os fundos voltaram a ampliar suas posições vendidas. 

Nem mesmo a notícia de uma nova venda de milho dos EUA para o México de 120 mil toneladas - sendo 30 mil toneladas da safra velha e 90 mil da safra nova - foram capazes de reequilibrar o mercado. 

"O mercado segue concentrado nas perspectivas climáticas para agosto, com os modelos atualizados nesta tarde, com abrangência até 20/08, indicando chuvas abrangentes sobre praticamente todo o MeioOeste norte-americano. No curto prazo, são indicadas precipitações até o início da próxima segundafeira em Iowa, parte do Missouri, Illinois, Indiana, Ohio e sul de Michigan", informou o Grupo Labhoro em seu boletim diário de fechamento de mercado.

Outro fator de peso para o mercado foi a queda do petróleo. A busca por uma retomada e um avanço das negociações diplomáticas entre Irã e Estados Unidos, e algum arrefecimento da escaladas das tensões no Oriente Médio deram a espaço a novas - mas tímidas - perdas do petróleo no pregão de hoje, provocando novas baixas nas cotações do Brent e do WTI. 

O movimento enfraqueceu o complexo de commodities e retirou parte do suporte aos mercados agrícolas, incluindo o milho.

"O cenário geopolítico permanece em segundo plano, embora as negociações envolvendo o Estreito de Ormuz continuem sendo monitoradas. Segundo informações divulgadas pela Reuters, um acordo em discussão entre Irã e Omã poderá ampliar o controle de Teerã sobre as embarcações que ingressam no Golfo Pérsico por meio do estreito. Apesar dos relatos de avanço nas tratativas, as fontes ouvidas consideram prematura a avaliação de que um acordo definitivo para a reabertura total da rota marítima esteja próximo. Posteriormente, autoridades iranianas confirmaram progresso nas negociações e informaram que, pela proposta atual, as rotas de entrada e saída das embarcações passariam pelas águas territoriais do Irã", complementa a Labhoro.

B3 TAMBÉM VOLTA A RECUAR 

No Brasil, a B3 acompanhou o desempenho negativo da Bolsa de Chicago. Sem fatores internos capazes de sustentar uma reação, os contratos futuros recuaram ao longo do pregão, refletindo principalmente a pressão vinda do mercado internacional. Os contratos mais negociados terminaram o dia com perdas de 0,3% a 0,7%. O setembro fechou com R$ 68,30 e o março com R$ 77,79 por saca. 

Apesar das perdas no mercado futuro, os participantes seguem atentos ao comportamento do mercado físico brasileiro, que continua influenciado pelo ritmo da comercialização da segunda safra, pela demanda doméstica e pelas exportações. Ainda assim, a direção dos preços nesta quarta-feira foi determinada pelo cenário externo. Além disso, o dólar também recuou e limitou o espaço para ganhos no mercado futuro nacional. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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