Milho recua em Chicago e na B3 com realização de lucros nesta quinta-feira; físico segue sustentado pela demanda
A quinta-feira (3) termina com os preços internacionais do milho futuro registrando movimentações negativas na Bolsa de Chicago (CBOT).
Segundo a análise da Agrinvest, hoje os futuros do cereal passaram por mais uma rodada de realização de lucros, que chegou a ter recuos de mais de dois dígitos em partes do pregão.
“O movimento ocorre após as altas recentes e acompanha o alívio das tensões do Mar Negro, diante da expectativa de avanços nas negociações”, avaliam os analistas.
Nesta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que há possibilidade de se chegar a um acordo de paz para pôr fim à guerra na Ucrânia, mas que retomar as negociações estava mais difícil devido aos ataques ucranianos à navegação e ao apelo de Kiev para que aeronaves civis evitassem o espaço aéreo russo.
Na avaliação de Pedro Vasconcelos, analista de grãos da Patria Negócio e Gestão, o milho também acompanhou nesta quinta-feira um movimento mais amplo de realização de lucros entre os grãos negociados em Chicago. Segundo ele, as quedas na CBOT reduziram a paridade de exportação do cereal brasileiro, embora os níveis ainda mantenham viabilidade para os embarques.
O vencimento setembro/26 foi cotado a US$ 5,15 com desvalorização de 3,50 pontos, o dezembro/26 valeu US$ 5,40 com baixa de 2,75 pontos, o março/27 foi negociado por US$ 5,56 com queda de 2,25 pontos e o maio/27 teve valor de US$ 5,63 com perda de 2 pontos.
Esses índices representaram baixas, com relação ao fechamento da última quarta-feira (2), de 0,67% para o setembro/26, de 0,51% para o dezembro/26, de 0,40% para o março/27 e de 0,35% para o maio/27.
Mercado Interno
Na Bolsa Brasileira (B3), a quinta-feira também entregou resultados negativos para os preços futuros do milho.
Os analistas da Agrinvest destacaram que toda a curva da B3 esteve no campo negativo no pregão de hoje, sentindo a pressão vinda dos recuos registrados em Chicago e pelas expectativas de possíveis avanços nas negociações para resolver o conflito no Mar Negro.
Já no mercado físico, a consultoria aponta que o produtor segue retraído, aguardando melhores oportunidades de comercialização. “Apesar disso, os preços registram quedas de pelo menos R$ 1,00 por saca nas principais praças”.
Apesar da pressão desta quinta-feira, Pedro Vasconcelos, analista de grãos da Patria Negócio e Gestão, destaca que o mercado físico vinha encontrando sustentação em uma demanda firme tanto para exportação quanto no mercado interno. Segundo ele, a melhora da paridade de exportação nas últimas semanas ajudou a destravar negócios, principalmente entre produtores com necessidade de caixa no curto prazo.
Vasconcelos ressalta ainda que os preços do milho apresentaram uma recuperação importante nas últimas semanas. Diante desse movimento, a recomendação para produtores com necessidade de caixa nos próximos 10 a 20 dias é aproveitar parte das recentes altas para avançar nas vendas. Para quem consegue carregar o cereal, porém, o analista avalia que o cenário segue mais promissor para o final do ano e início de 2027.
Essa sustentação da demanda interna também aparece na leitura da Grainsights, da Grão Direto. Segundo a consultoria, indústrias de proteína animal e usinas de etanol de milho vêm atuando na recomposição de suas escalas, aumentando a disputa pelo cereal e dando suporte aos preços domésticos.
Confira como ficaram todas as cotações nesta quinta-feira
O vencimento setembro/26 foi cotado a R$ 71,85 com desvalorização de 1,02%, o janeiro/27 valeu R$ 81,40 com baixa de 0,71%, o março/27 foi negociado por R$ 83,39 com queda de 0,67% e o maio/27 teve valor de R$ 81,38 com perda de 0,90%.
No mercado físico brasileiro, os preços da saca de milho oscilaram para os dois lados neste penúltimo dia da semana. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas identificou desvalorizações em Jataí/GO e Rio Verde/GO, enquanto Nonoai/RS e Sorriso/MT registraram valorizações.