Preço do milho sobe 12% em agosto, com oferta limitada e cenário externo mais firme

Publicado em 17/09/2026 10:38
Dados estão disponíveis no Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA

Os preços do milho avançaram de forma expressiva em agosto, impulsionados pela perspectiva de redução dos estoques nos Estados Unidos, pela deterioração das lavouras norte-americanas e pelos riscos logísticos do Mar Negro. No Brasil, a retenção da oferta pelos produtores, o câmbio e a demanda doméstica também sustentaram as cotações. Em Sorriso (MT), a cotação média do cereal atingiu R$ 47 por saca, alta de 12% em relação a julho.

Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, a piora das condições das lavouras nos Estados Unidos e a redução projetada dos estoques finais do país reforçaram a percepção de um mercado norte-americano mais ajustado. Ao final de agosto, apenas 57% das lavouras eram classificadas como boas ou excelentes, ante  69%  no mesmo período do ano  passado.

Além disso, os riscos logísticos envolvendo a região do Mar Negro adicionaram volatilidade ao mercado internacional. Os ataques à infraestrutura portuária russa ampliaram as preocupações sobre o fluxo global de cereais, contribuindo para a valorização das cotações em Chicago. Em agosto, o primeiro vencimento do milho na CBOT registrou alta de 5,7%, alcançando média de US$ 4,68 por bushel.

No Brasil, a valorização ocorreu mesmo com o avanço da colheita de uma produção elevada. Parte dos produtores restringiu a oferta no mercado disponível diante da expectativa de novas altas, enquanto consumidores domésticos mantiveram compras pontuais para recomposição de estoques. O câmbio e a recuperação das cotações em Chicago também contribuíram para sustentar os preços domésticos.

As atenções do mercado agora se voltam para a safra 2026/27 na América do Sul. O relatório de setembro do USDA reduziu a perspectiva de oferta nos Estados Unidos e indicou recuo dos estoques mundiais para um dos níveis mais apertados dos últimos anos. Ao mesmo tempo, Brasil e Argentina projetam expansão de área, mas a concretização desse potencial dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo. No Paraná, por exemplo, a área de milho verão deve crescer 2%, impulsionada pela demanda da cadeia de proteínas animais.

“Os estoques globais continuam em trajetória de redução e o mercado passa a ficar cada vez mais dependente do desempenho da próxima safra sul-americana. Com um balanço mundial mais ajustado, qualquer alteração relevante no clima ou na produtividade tende a ter impacto mais significativo sobre os preços nos próximos meses”, afirma Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Fonte: Itaú Unibanco

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