Milho dispara quase 3% em Chicago com demanda forte e Mar Negro novamente no radar

Publicado em 21/09/2026 15:58
Mercado volta a precificar oferta global mais apertada e riscos aos fluxos de grãos

 

Os preços do milho terminaram a segunda-feira (21) com fortes altas na Bolsa de Chicago, em uma sessão marcada pela combinação de demanda firme pelos grãos norte-americanos, preocupações com a oferta mundial e a retomada do prêmio de risco relacionado ao Mar Negro.

Os futuros do cereal lideraram as altas e o dezembro/26 encerrou o pregão cotado a US$ 5,43 por bushel, com ganho de 15,50 pontos, enquanto o março/27 avançou 15,25 pontos, para US$ 5,5675 por bushel. O maio/27 terminou a US$ 5,63, alta de 14,75 pontos.

Um dos principais combustíveis para o milho nesta primeira sessão da semana veio dos novos números de demanda divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), com os embarques semanais norte-americanos superando as expectativas do mercado ao totalizaram 1,939 milhão de toneladas. 

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O desempenho das exportações ganha ainda mais peso diante de um cenário no qual os Estados Unidos começam a colher uma safra grande, mas encontram uma demanda internacional capaz de absorver volumes importantes.

Assim, o avanço desta segunda-feira também acontece dentro de um movimento mais amplo de valorização dos grãos, já que trigo e soja também concluíram seus negócios com ganhos expressivos.

Apesar da grande produção norte-americana, o balanço mundial do milho vem ficando mais ajustado. As atuais projeções do USDA indicam para 2026/27 uma diferença de quase 30 milhões de toneladas entre produção e consumo mundial, o maior déficit em mais de três décadas.

A redução da oferta entre grandes exportadores e o crescimento da demanda vêm diminuindo a folga dos estoques internacionais e ajudaram o milho a acumular uma valorização expressiva desde agosto.

Assim, a alta desta segunda-feira reúne fundamentos que vinham sendo construídos nas últimas semanas e novos elementos de suporte, considerando um balanço global mais apertado, demanda firme e a volta do prêmio de risco sobre os fluxos do Mar Negro.

E o conflito entre Rússia e Ucrânia ganhou novas páginas nas últimas horas. Ataques contra a infraestrutura portuária russa estão levando empresas do país a buscar alternativas para o escoamento de grãos. Terminais originalmente destinados a fertilizantes e carvão no Báltico e até no Ártico começaram a ser adaptados para receber cargas agrícolas.

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A movimentação chama atenção porque quase 90% das exportações marítimas russas de grãos passaram pelo Mar Negro na última temporada. Além disso, as exportações russas de grãos recuaram 31% em julho e agosto na comparação anual.

Embora o trigo seja a commodity diretamente mais exposta ao fluxo russo, o aumento do risco geopolítico no Mar Negro acaba repercutindo sobre todo o complexo de grãos, especialmente em um momento no qual os balanços internacionais já mostram menor margem para problemas de oferta.

B3 SENTE O DÓLAR E NÃO ACOMPANHA DISPARADA EM CHICAGO

No mercado brasileiro, porém, o movimento encontra outros componentes. Além da dinâmica própria da oferta doméstica e da comercialização, o dólar recua nesta segunda-feira, reduzindo parte do impacto positivo da forte valorização de Chicago sobre as referências em reais. 

A moeda norte-americana operava próxima de R$ 5,11, com queda ao redor de 0,7% durante a tarde, limitando a possibildade de ganhos do cereal na B3 ou até mesmo pressionando as cotações.

A diferença entre os mercados reforça um cenário no qual o milho brasileiro segue construindo preços a partir de forças distintas. De um lado, Chicago encontra sustentação em demanda e aperto do balanço mundial; do outro, câmbio, disponibilidade doméstica e ritmo da comercialização continuam determinantes para os preços no Brasil. A demanda interna, que se destaca, principalmente no setor do etanol, permanece como um pilar fundamental de suporte aos preços, porém, insuficiente para, sozinho, sustentar alguns movimentos. 

Ainda assim, na B3, os principais vencimentos permanecem acima dos R$ 80,00 por saca, com fundamentos importantes posto na mesa. De outro lado, o plantio verão vai se desenvolvendo. 

"No campo, o plantio do milho 1ª safra segue acima do ritmo do ano passado. A Conab projeta um aumento de 10,7% na área, para 4,54 milhões de hectares", afirma a Agrinvest. "No físico, os negócios seguem travados, no mesmo ritmo do fim da semana passada. Daqui para frente, o produtor tende a priorizar o plantio e reduzir o ritmo de comercialização", diz a equipe de análises da consultoria. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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