Milho tem melhor mês de exportação do ano em outubro, mas ritmo segue atrasado no ciclo

Brasil embarcou 5,69 milhões de toneladas no mês; Terra Agro aponta que cumprimento da projeção da Conab exigiria ritmo recorde entre novembro e janeiro
Publicado em 06/11/2026 15:17

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As exportações brasileiras de milho ganharam força em outubro e registraram o melhor desempenho mensal de 2026, mas a recuperação ainda não foi suficiente para eliminar a defasagem acumulada ao longo do ciclo.

O Brasil embarcou 5,69 milhões de toneladas de milho em outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Terra Agro. O volume ficou 12,4% abaixo das 6,50 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025, enquanto a receita recuou apenas 1%, para US$ 1,33 bilhão.

A diferença menor no faturamento foi sustentada pelo preço médio, que chegou a aproximadamente US$ 234 por tonelada, alta de 13% na comparação anual e o maior valor para um mês de outubro desde 2022.

Mesmo sendo o maior volume mensal exportado neste ano, outubro permaneceu abaixo dos resultados registrados entre 2022 e 2025. A Terra Agro calcula média de 5,99 milhões de toneladas para os meses de outubro entre 2021 e 2025, também acima do resultado deste ano.

O atraso aparece de forma ainda mais clara quando considerada a safra 2025/26. Entre fevereiro e outubro, o Brasil exportou 21,15 milhões de toneladas de milho, queda de 19,3% frente às 26,22 milhões de toneladas embarcadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Segundo a Terra Agro, esse volume representa cerca de 48% da estimativa de 43,9 milhões de toneladas projetada pela Conab para a temporada. Para alcançar esse número, ainda seriam necessárias aproximadamente 22,7 milhões de toneladas entre novembro e janeiro, média de 7,6 milhões de toneladas por mês.

Esse ritmo ficaria cerca de 24% acima do recorde já registrado para o período entre novembro e janeiro, de 18,35 milhões de toneladas no ciclo 2023/24. Assim, embora outubro tenha representado uma recuperação importante, o desafio para o restante da janela exportadora permanece elevado.

A distribuição dos destinos também ajuda a explicar parte do desempenho. O Irã continuou como principal comprador em outubro, com aproximadamente 1 milhão de toneladas, mas reduziu suas aquisições em 29,1% frente ao mesmo mês do ano passado. O Egito recuou 44,8%, para cerca de 680 mil toneladas, enquanto o Vietnã diminuiu suas compras em 61,6%.

Na outra ponta, Espanha e Japão ampliaram fortemente a demanda pelo milho brasileiro. Os embarques para a Espanha cresceram mais de 400%, chegando a aproximadamente 619 mil toneladas, enquanto as vendas ao Japão avançaram mais de 550%, para 553 mil toneladas. Argélia e Taiwan também registraram aumentos expressivos.

A China aparece entre as maiores perdas absolutas de volume na comparação anual, com redução próxima de 576 mil toneladas. Ainda assim, a diversificação para outros destinos compensou parte dessas perdas e ajudou outubro a apresentar o melhor desempenho mensal de 2026.

A recuperação do mês já era esperada pelo especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, Francisco Queiroz. Em entrevista ao Notícias Agrícolas antes da divulgação dos números finais, ele avaliou que outubro deveria apresentar exportações melhores que setembro, embora destacasse que o acumulado do ciclo continuava bem abaixo do ano anterior.

Queiroz apontou que a menor competitividade do milho brasileiro e a redução das compras do Irã contribuíram para o ritmo mais lento das exportações ao longo do ano. Ao mesmo tempo, a comercialização interna avançou e os compradores domésticos estão relativamente abastecidos, cenário que mantém pressão sobre os preços no curto prazo.

Para a Terra Agro, o cumprimento da projeção da Conab exigiria uma reta final recorde justamente em um momento no qual o milho também disputa espaço no mercado doméstico, especialmente diante do crescimento do consumo para etanol.

Assim, outubro melhora de forma importante a fotografia das exportações brasileiras de milho, mas não resolve o atraso acumulado. Os embarques de novembro, dezembro e janeiro passam a ser decisivos para definir até onde o Brasil conseguirá se aproximar das projeções para o ciclo.

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