Milho fecha sexta-feira com queda superior a 4% em Chicago após surpresa do USDA

Publicado em 09/10/2026 15:45 e atualizado em 09/10/2026 16:47
Contratos acumulam perdas superiores a 3% na semana em Chicago e na B3; dólar e revisão da safra americana marcam os negócios

A sexta-feira (9) terminou com fortes desvalorizações para os preços internacionais do milho na Bolsa de Chicago (CBOT), após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreender o mercado com estimativas maiores de produtividade, produção e estoques do cereal no país.

O vencimento dezembro/26 foi cotado a US$ 4,7975 por bushel, com queda de 20,50 pontos, equivalente a 4,10%. O março/27 recuou 21 pontos, valendo US$ 4,9425, enquanto o maio/27 perdeu 20,25 pontos, encerrando a US$ 5,0200. O julho/27 terminou negociado a US$ 5,0750, com baixa de 19 pontos.

Segundo informações do Farm Progress, o contrato dezembro chegou a tocar US$ 4,7125 por bushel durante a sessão, atingindo o menor patamar em cerca de oito semanas. Apesar de recuperar parte das perdas ao longo da tarde, o cereal permaneceu pressionado pelos novos números norte-americanos.

O USDA elevou sua estimativa de produtividade do milho dos Estados Unidos de 178,5 para 181,2 bushels por acre, contrariando as expectativas dos analistas, que apontavam para uma redução. Com isso, a projeção de produção passou de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas, um aumento de quase 6 milhões de toneladas em relação ao relatório de setembro.

Além da produção maior, o departamento também incorporou estoques iniciais mais elevados ao balanço norte-americano. Conforme destacou o Agriculture.com, o aumento combinado da produção e dos estoques iniciais superou as revisões positivas para a demanda, levando os estoques finais projetados de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.

Na avaliação de Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, a revisão da safra americana foi o principal fator de pressão sobre Chicago, uma vez que o aumento dos estoques iniciais já era esperado pelos operadores.

Apesar da reação negativa imediata, Brandalizze considera que os fundamentos de médio e longo prazo permanecem positivos. O analista destaca que a demanda mundial de milho projetada para 2026/27 supera a produção estimada, cenário que pode oferecer sustentação às cotações nos próximos meses.

No acumulado semanal, os contratos também registraram perdas expressivas. O dezembro/26 recuou 3,62%, o março/27 perdeu 3,37%, o maio/27 caiu 3,18% e o julho/27 acumulou desvalorização de 2,92%.

Com a revisão das estimativas do USDA, o mercado volta suas atenções para o avanço da colheita norte-americana e para a confirmação dos níveis de produtividade nas lavouras, fatores que poderão influenciar as próximas avaliações de oferta e demanda.

Mercado Físico

No mercado físico brasileiro, a sexta-feira foi marcada pelo predomínio de estabilidade nas cotações do milho, embora algumas praças tenham registrado desvalorizações, conforme levantamento da equipe do Notícias Agrícolas.

Os recuos foram registrados em Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná; Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Sorriso, em Mato Grosso; Jataí e Rio Verde, em Goiás; Eldorado, em Mato Grosso do Sul; e no Porto de Santos, em São Paulo. Nenhuma das praças acompanhadas apresentou valorização ao longo do dia.

Na avaliação de Brandalizze, o mercado físico brasileiro segue com baixa liquidez, diante da resistência dos produtores em negociar após as recentes quedas nas cotações. Segundo o analista, os preços de balcão em diversas regiões acumulam perdas entre R$ 4,00 e R$ 6,00 por saca em relação ao mês anterior, cenário que tem contribuído para reduzir o interesse vendedor.

Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho também encerraram a sexta-feira em campo negativo, acompanhando as fortes perdas internacionais após a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA.

O vencimento novembro/26 foi cotado a R$ 68,70 por saca, com desvalorização de 1,21%. O janeiro/27 recuou 1,46%, negociado a R$ 72,85, enquanto o março/27 perdeu 1,05%, valendo R$ 76,53. Já o maio/27 terminou o pregão a R$ 75,29, com baixa de 1,19%.

Além da pressão vinda de Chicago, o recuo do dólar diante do real também compôs o cenário negativo para as cotações brasileiras.

Fonte: Notícias Agrícolas

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