Milho fecha quinta-feira em queda em Chicago, enquanto B3 registra ganhos na maioria dos contratos

Publicado em 15/10/2026 15:47 e atualizado em 15/10/2026 16:48
Futuros americanos perdem até 0,79%; mercado brasileiro apresenta oscilações moderadas e preços físicos seguem predominantemente estáveis

Os preços internacionais do milho encerraram a quinta-feira (15) em campo negativo na Bolsa de Chicago (CBOT), após um pregão em que os contratos chegaram a registrar pequenas valorizações durante a manhã, mas perderam força ao longo do dia.

O vencimento dezembro/26 terminou cotado a US$ 4,7800 por bushel, com queda de 2,75 pontos, equivalente a 0,57%. O março/27 recuou 3,25 pontos, negociado a US$ 4,9100, enquanto o maio/27 perdeu 3,75 pontos, encerrando a US$ 4,9800. Já o contrato julho/27 apresentou desvalorização de 4,00 pontos, fechando a US$ 5,0350 por bushel.

A sessão começou com tentativas de recuperação após as perdas anteriores. No início da tarde, o vencimento dezembro/26 ainda apresentava pequena alta, negociado a US$ 4,8150, mas o movimento não se sustentou até o fechamento.

O mercado continua assimilando os efeitos do relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última sexta-feira, que elevou as projeções de produtividade, produção e estoques norte-americanos para a safra 2026/27.

A estimativa de produção americana passou de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais projetados aumentaram de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.

O avanço da colheita americana também permanece no radar dos investidores. No levantamento divulgado pelo USDA nesta semana, os trabalhos haviam alcançado 33% da área, abaixo da média histórica de 39%.

Em análise publicada nesta quinta-feira, o Farm Futures destacou que os futuros de milho apresentavam movimentações próximas da estabilidade no início do dia, em um mercado ainda marcado pela falta de novos acontecimentos capazes de modificar significativamente os fundamentos.

Os investidores também receberam novos dados sobre a produção de etanol nos Estados Unidos, importante destino do milho americano. Segundo informações da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), divulgadas pela DTN, a produção de etanol alcançou 1,065 milhão de barris por dia na semana encerrada em 9 de outubro, aumento de 12 mil barris diários em relação à semana anterior.

Apesar do crescimento da produção, os estoques do biocombustível também avançaram, chegando a 23,942 milhões de barris, volume 5,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O comportamento da demanda americana continua sendo acompanhado pelo mercado diante da perspectiva de maior disponibilidade do cereal. Em análise mensal divulgada em outubro, o Itaú BBA destacou que o desempenho das exportações dos Estados Unidos será determinante para a trajetória dos preços, uma vez que vendas externas abaixo das projeções poderão ampliar ainda mais os estoques do país.

B3 registra ganhos na maioria dos contratos, enquanto mercado físico segue cauteloso

Os preços futuros do milho encerraram a quinta-feira (15) com movimentações mistas na Bolsa Brasileira (B3), mas com predomínio de valorizações. O comportamento contrastou com o mercado internacional, onde os contratos negociados na CBOT fecharam em queda.

O vencimento novembro/26 terminou cotado a R$ 67,11 por saca, com desvalorização de 0,43%. Já o janeiro/27 avançou 0,04%, encerrando a R$ 71,40, enquanto o março/27 registrou valorização de 0,27%, negociado a R$ 75,50.

O maio/27 também apresentou alta de 0,27%, fechando a R$ 74,41 por saca. Entre os vencimentos mais longos, o julho/27 subiu 0,50% e o setembro/27 ganhou 0,40%, enquanto o novembro/27 recuou 0,09%.

O resultado representou uma redução da pressão observada na quarta-feira, quando os três primeiros vencimentos da B3 registraram perdas superiores a 2%.

A movimentação ocorreu em uma sessão de valorização do dólar diante do real. Segundo o Notícias Agrícolas, a moeda norte-americana era negociada próxima de R$ 5,10 no fim da tarde, com alta superior a 1%.

Apesar da recuperação cambial, o mercado brasileiro continua enfrentando desafios relacionados à competitividade exportadora e à liquidez das negociações físicas.

Em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, na terça-feira (13), Eduardo Vanin, analista da Agrinvest, destacou que a menor participação dos exportadores tem reduzido a disputa pelo milho em regiões como Goiás, mesmo diante do crescimento da demanda doméstica.

Segundo o analista, as indústrias de etanol e os consumidores ligados à produção animal seguem demandando o cereal, mas parte desses compradores já possui compromissos de aquisição antecipados, reduzindo a necessidade de novas compras imediatas.

Em seu relatório mensal de outubro, o Itaú BBA também destacou que o crescimento da oferta americana tende a intensificar a concorrência internacional e ampliar os desafios para a competitividade do milho brasileiro nos principais destinos importadores.

Mercado físico

No mercado físico brasileiro, a quinta-feira foi marcada pelo predomínio de estabilidade nas cotações do milho, conforme levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas.

As valorizações foram registradas em Sorriso, em Mato Grosso, e no Porto de Santos, em São Paulo. Por outro lado, as desvalorizações ocorreram em Rio do Sul, em Santa Catarina, e nas praças goianas de Jataí e Rio Verde. As demais localidades com variação diária informada apresentaram estabilidade.

As quedas em Goiás ocorrem em um contexto de menor liquidez regional, conforme a avaliação apresentada por Eduardo Vanin nesta semana. O analista ressaltou que a redução da presença dos exportadores tem limitado a disputa pelo cereal, mesmo com a demanda interna sustentada pelos setores de etanol e pecuária.

O comportamento do mercado físico mostra que a predominância de ganhos na B3 não foi acompanhada por uma valorização generalizada nas praças brasileiras, que continuam apresentando movimentos distintos conforme as condições regionais de comercialização.

Fonte: Notícias Agrícolas

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