Milho dispara mais de 2% na B3 nesta segunda-feira com alta do dólar, enquanto Chicago segue em queda

Publicado em 26/10/2026 12:14
Valorização da moeda americana após resultado eleitoral favorece preços futuros no Brasil

Os preços futuros do milho apresentam movimentos opostos nas bolsas brasileira e norte-americana nesta segunda-feira (26). Enquanto Chicago mantém as perdas observadas desde a abertura, os contratos negociados na B3 registram altas superiores a 2%, em meio à forte valorização do dólar frente ao real após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.

Por volta das 12h07 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a R$ 67,30 por saca na B3, com alta de 2,70%. O janeiro/27 avançava 2,23%, para R$ 71,64, enquanto o março/27 registrava valorização de 2,55%, cotado a R$ 77,26. O maio/27 apresentava ganho de 2,72%, negociado a R$ 76,72 por saca.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cenário permanecia negativo. Às 12h02, o contrato dezembro/26 recuava 2 cents, para US$ 4,5400 por bushel, equivalente a uma queda de 0,44%. O março/27 perdia 2,25 cents, negociado a US$ 4,6800, enquanto maio/27 e julho/27 recuavam para US$ 4,7650 e US$ 4,8275 por bushel, respectivamente.

Câmbio muda cenário dos preços brasileiros

A valorização do dólar ganhou força no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a manhã, a moeda norte-americana ultrapassou R$ 5,60, em um movimento de forte volatilidade que também atingiu o mercado acionário e os contratos de juros futuros.

A reação cambial contribui para explicar o comportamento distinto do milho nas duas bolsas. Como os preços de exportação são formados em dólares, a desvalorização do real pode elevar as referências em moeda brasileira e melhorar a competitividade do cereal nacional, mesmo diante de quedas nas cotações internacionais.

Em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, já havia destacado nesta manhã que um dólar mais valorizado poderia favorecer a precificação do milho e estimular novas vendas por parte dos produtores.

Segundo o analista, o Brasil recuperou competitividade em importantes destinos internacionais, mas ainda precisa acelerar seu programa de exportações entre novembro e janeiro para reduzir os volumes disponíveis na virada do ano. Vanin também ressaltou que a reação dos produtores dependerá da intensidade e da duração da valorização cambial.

A elevação do dólar, entretanto, não representa apenas efeitos positivos. O analista alertou que a moeda mais forte também pode ampliar os custos de insumos e combustíveis, com possíveis reflexos sobre o frete e as margens dos produtores, especialmente durante a próxima colheita.

Chicago continua pressionada pela oferta americana

Nos Estados Unidos, as projeções de oferta elevada seguem limitando as cotações do milho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a produção norte-americana da temporada 2026/27 em aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais projetados em cerca de 47 milhões de toneladas.

No campo, a colheita havia alcançado 44% da área até 18 de outubro, abaixo da média de cinco anos, de 52%. Uma nova atualização do acompanhamento das lavouras está prevista para esta segunda-feira, permitindo avaliar o ritmo dos trabalhos nas principais regiões produtoras.

O mercado também acompanha os dados de inspeções de exportação dos Estados Unidos, que podem oferecer novos indicativos sobre a capacidade da demanda internacional de absorver a produção americana.

Com isso, o milho brasileiro apresenta forte valorização no início da tarde, em contraste com a manutenção das perdas em Chicago. Para os próximos pregões, a evolução do câmbio será determinante para avaliar a sustentação dos ganhos na B3, enquanto os fundamentos de oferta e demanda seguem influenciando os preços internacionais.

Fonte: Notícias Agrícolas

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