Milho fecha outubro com queda de mais de 10% em Chicago e dezembro termina abaixo dos US$ 4,50
Os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (30) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), completando o último pregão de outubro com perdas expressivas nos balanços semanal e mensal. O contrato dezembro/26 voltou a terminar abaixo dos US$ 4,50 por bushel e acumulou desvalorização de 10,58% ao longo do mês, em um cenário marcado pelo avanço da colheita norte-americana, pela maior disponibilidade do cereal e pelas dificuldades de recuperação consistente da demanda internacional.
O contrato dezembro/26 fechou a sexta-feira cotado a US$ 4,4775 por bushel, com queda de 0,78%, equivalente a 3,50 cents. O março/27 recuou 0,81%, encerrando a US$ 4,6100, enquanto o maio/27 perdeu 0,85%, para US$ 4,6900. O julho/27 terminou negociado a US$ 4,7575 por bushel, com desvalorização de 0,68%.
No balanço semanal, todos os principais vencimentos terminaram no campo negativo. O dezembro/26 passou de US$ 4,5600 no fechamento da sexta-feira anterior (23) para US$ 4,4775 nesta sexta (30), acumulando queda de 1,81%. O março/27 recuou 1,97% no mesmo intervalo, enquanto o maio/27 perdeu 2,09% e o julho/27 apresentou desvalorização de 2,01%.
As perdas foram ainda mais expressivas na comparação mensal. Desde o fechamento de 30 de setembro, quando o dezembro/26 era negociado a US$ 5,0075 por bushel, o contrato acumulou queda de 10,58% até os US$ 4,4775 registrados nesta sexta-feira. O março/27 apresentou desvalorização de 10,57% em outubro, enquanto o maio/27 recuou 10,37% e o julho/27 perdeu 9,81%. O resultado evidencia a intensidade da pressão sobre os futuros americanos ao longo do mês, apesar das tentativas pontuais de recuperação.
Oferta americana e concorrência internacional pressionam mercado
O avanço da colheita nos Estados Unidos permaneceu entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores durante outubro. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% da área cultivada com milho havia sido colhida até 25 de outubro, ante 44% na semana anterior. Embora os trabalhos ainda estivessem abaixo da média histórica de 66%, a entrada de novos volumes ampliou a disponibilidade do cereal no mercado norte-americano.
Os indicadores de demanda externa também contribuíram para as avaliações dos agentes. Na quinta-feira (29), o USDA informou vendas líquidas de 1.303.900 toneladas de milho da temporada 2026/27 na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 15% em relação à semana anterior, mas volume 32% superior à média das últimas quatro semanas.
Os embarques efetivos somaram 552.900 toneladas, com retração de 29% na comparação semanal e de 57% em relação à média recente. Apesar de as novas contratações permanecerem em níveis relevantes, o desempenho dos embarques reforçou a atenção ao ritmo de escoamento da produção americana.
Em contrapartida, a demanda doméstica por etanol apresentou sinais positivos. Dados divulgados na quarta-feira pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostraram produção de 1,118 milhão de barris diários na semana encerrada em 23 de outubro, maior patamar em aproximadamente três meses.
A recuperação da produção de etanol, entretanto, não foi suficiente para alterar o movimento predominante dos preços futuros durante outubro, diante das expectativas de oferta e da concorrência entre os principais exportadores.
Analistas veem dificuldades para recuperação consistente
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que a melhora das perspectivas de produtividade americana e a revisão das expectativas de demanda ajudaram a pressionar as cotações em Chicago ao longo dos últimos meses.
Segundo o analista, a região próxima dos US$ 4,50 por bushel chegou a estimular parte da demanda doméstica, oferecendo algum suporte aos contratos. Entretanto, ele destacou que a maior competitividade dos Estados Unidos no mercado físico internacional, inclusive por meio de ajustes nos diferenciais de preços, ainda pode limitar uma recuperação mais consistente dos futuros.
Chau também chamou atenção para a concorrência entre Estados Unidos, Brasil e Argentina nas exportações. Na avaliação do especialista, o aumento da disponibilidade americana e a necessidade de comercialização do milho brasileiro para os embarques dos próximos meses podem manter a disputa por compradores e limitar o espaço para recuperação dos preços internacionais.
No Brasil, a comercialização do cereal também segue marcada por diferenças entre os segmentos do mercado. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que os compradores domésticos permanecem relativamente abastecidos para novembro e início de dezembro, enquanto parte dos produtores prefere adiar as vendas na expectativa de preços mais favoráveis.
A analista ressaltou, entretanto, que os custos de armazenagem, as necessidades de fluxo de caixa e a proximidade da próxima colheita de soja precisam ser considerados nas decisões comerciais. O desenvolvimento da safra brasileira 2026/27 e a possibilidade de uma janela favorável para o plantio do milho safrinha também permanecem entre os fatores capazes de influenciar as expectativas de oferta.
Com perdas expressivas em outubro, o mercado internacional de milho inicia novembro atento à evolução das exportações americanas, às perspectivas de produção e à capacidade de recuperação da demanda. Para os produtores brasileiros, o comportamento de Chicago continuará sendo uma referência importante, mas os resultados domésticos também dependerão do câmbio, dos prêmios de exportação e das condições de comercialização em cada região.
B3 fecha dividida, mas acumula perdas de até 6,98% em outubro
Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (30) com movimentações mistas, em um cenário diferente do observado em Chicago. Apesar das oscilações cambiais e da recuperação de parte das cotações nos últimos pregões, todos os principais vencimentos terminaram outubro no campo negativo, embora com perdas menos intensas do que as registradas na bolsa norte-americana.
O contrato novembro/26 encerrou a sessão cotado a R$ 67,22 por saca de 60 quilos, com queda de 0,22%. O janeiro/27 avançou 0,81%, fechando a R$ 71,16, enquanto o março/27 apresentou valorização de 0,23%, para R$ 75,07. Já o maio/27 recuou 0,07%, terminando negociado a R$ 74,47 por saca.
No balanço semanal, os contratos mais próximos apresentaram recuperação. O novembro/26 passou de R$ 65,53 no fechamento da sexta-feira anterior (23) para R$ 67,22 nesta sexta-feira, acumulando valorização de 2,58%. O janeiro/27 também avançou, com ganho de 1,54% no período. Em contrapartida, o março/27 registrou recuo de 0,36%, enquanto o maio/27 perdeu 0,29%.
Já o resultado mensal foi negativo para todos os vencimentos acompanhados. Na comparação com 30 de setembro, o novembro/26 passou de R$ 72,03 para R$ 67,22 por saca, acumulando desvalorização de 6,68% em outubro. O janeiro/27 recuou 6,98% no mesmo intervalo, enquanto o março/27 perdeu 4,61% e o maio/27 apresentou queda de 3,59%.
O comportamento dos contratos brasileiros evidencia uma pressão menos intensa do que a observada em Chicago, onde as perdas mensais superaram 10% nos vencimentos dezembro/26, março/27 e maio/27. A diferença ocorreu em um período de forte volatilidade do dólar frente ao real, que influenciou as referências de exportação do milho brasileiro, embora as condições domésticas de oferta e demanda também tenham limitado a recuperação das cotações.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que a concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no mercado internacional continua restringindo o espaço para valorização dos prêmios brasileiros. Segundo o analista, mesmo com a melhora cambial, o Brasil ainda precisa conquistar compradores para embarques de milho nos próximos meses, em um ambiente de maior competitividade entre as principais origens exportadoras.
Por outro lado, a Agrinvest relatou uma melhora recente na liquidez do mercado brasileiro, estimulada pela valorização do dólar e pela recuperação parcial dos preços físicos. A consultoria estimou que a comercialização dos produtores poderia superar 2 milhões de toneladas no acumulado da semana, indicando uma reação dos negócios depois de um período de menor movimentação.
Essa recuperação, entretanto, não elimina as preocupações relacionadas à disponibilidade do cereal e às perspectivas para 2027. Segundo Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, os compradores domésticos permanecem relativamente abastecidos para novembro e início de dezembro, enquanto a possibilidade de uma janela favorável para o plantio da próxima safrinha pode ampliar as expectativas de oferta.
Para os produtores, o encerramento de outubro deixa um mercado marcado pela diferença entre a pressão internacional e as oportunidades pontuais criadas pelo câmbio. A recuperação semanal de alguns vencimentos da B3 mostra que os preços brasileiros encontraram algum espaço de reação, mas o resultado mensal ainda evidencia as dificuldades enfrentadas pelo cereal ao longo de outubro.