Milho fecha em leve alta em Chicago nesta segunda-feira, mas dezembro não sustenta os US$ 4,50
Os preços futuros do milho encerraram a segunda-feira (2) com pequenas valorizações na Bolsa de Chicago (CBOT), recuperando parte das perdas acumuladas durante outubro. O movimento, entretanto, perdeu intensidade ao longo do pregão, e o contrato dezembro/26 terminou novamente abaixo dos US$ 4,50 por bushel, apesar dos sinais de melhora nos embarques norte-americanos divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O contrato dezembro/26 fechou negociado a US$ 4,4825 por bushel, com valorização de 0,11%, equivalente a 0,50 cent. O março/27 avançou 1,00 cent, terminando a US$ 4,6200, enquanto o maio/27 ganhou 1,75 cent, para US$ 4,7075. O julho/27 encerrou a sessão cotado a US$ 4,7725 por bushel, com alta de 1,50 cent.
A recuperação foi mais expressiva durante a manhã, quando o dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,5075 por bushel, com ganho de 3,00 cents em relação ao ajuste anterior. O contrato chegou à máxima de US$ 4,5200 durante a sessão, mas devolveu parte da valorização e terminou próximo dos níveis registrados na última sexta-feira (30).
O comportamento ocorre depois de um outubro marcado por fortes perdas nos futuros americanos. O dezembro/26 acumulou desvalorização de 10,58% no mês, passando de US$ 5,0075 no fechamento de setembro para US$ 4,4775 no último pregão de outubro.
Inspeções de exportação crescem quase 39% na semana
O USDA informou nesta segunda-feira que as inspeções de milho dos Estados Unidos para exportação somaram 884.766 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, crescimento de 38,63% em relação ao levantamento anterior.
Apesar da recuperação semanal, o volume ficou 48,32% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, evidenciando que o ritmo de escoamento ainda enfrenta dificuldades na comparação anual.
No acumulado da temporada comercial 2026/27, as inspeções alcançaram 10.675.517 toneladas, resultado 13,21% inferior ao observado no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Os números mostram uma melhora na movimentação física do cereal durante a última semana, mas ainda não representam uma recuperação suficiente para eliminar o atraso acumulado nas exportações norte-americanas.
Na quinta-feira (29), o relatório de vendas para exportação do USDA também havia indicado contratações líquidas de 1.303.900 toneladas de milho da safra 2026/27 na semana encerrada em 22 de outubro. O volume ficou 15% abaixo do levantamento anterior, mas superou em 32% a média das últimas quatro semanas.
A diferença entre as vendas contratadas e os embarques efetivamente realizados permanece entre os fatores acompanhados pelo mercado, especialmente diante da maior disponibilidade de milho com o avanço da colheita americana.
Colheita e concorrência internacional continuam no radar
Além dos números de exportação, o mercado aguarda a atualização do progresso das safras norte-americanas, prevista para as 18h (horário de Brasília) desta segunda-feira.
No levantamento anterior, referente à semana encerrada em 25 de outubro, os produtores dos Estados Unidos haviam concluído a colheita de 60% da área cultivada com milho, ante 44% na semana precedente. Apesar do avanço, o ritmo permanecia abaixo da média histórica de 66% para o período.
A entrada da produção americana continua ampliando a disponibilidade do cereal, enquanto o mercado avalia a competitividade dos Estados Unidos diante de outros importantes exportadores.
Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que os preços próximos dos US$ 4,50 por bushel podem estimular parte da demanda pelo cereal americano. Entretanto, o analista destacou que a maior competitividade internacional dos Estados Unidos, inclusive por meio de ajustes nos diferenciais do mercado físico, ainda limita as perspectivas de recuperação mais consistente em Chicago.
A disputa com Brasil e Argentina pelos compradores internacionais também permanece relevante para a formação dos preços, especialmente diante das expectativas de oferta para os próximos meses.
No Brasil, a valorização cambial registrada na última semana abriu oportunidades pontuais de comercialização, mas as condições internas de oferta e demanda continuam influenciando as negociações.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que compradores domésticos permanecem relativamente abastecidos para novembro e início de dezembro. A especialista também chamou atenção para a necessidade de os produtores considerarem custos de armazenagem, fluxo de caixa e a chegada da próxima safra de soja ao definirem suas estratégias de comercialização.
Com o feriado de Finados, a B3 não realizou seu pregão regular nesta segunda-feira. Assim, o comportamento dos futuros brasileiros voltará a ser acompanhado na terça-feira (3), quando as negociações serão retomadas.
Para os produtores brasileiros, o primeiro fechamento de novembro mostra uma tentativa de recuperação das referências internacionais, ainda limitada pela disponibilidade de milho nos Estados Unidos e pelas incertezas sobre o ritmo das exportações.
A evolução da colheita americana, os próximos dados de demanda e o comportamento do câmbio continuarão entre os principais fatores observados pelo mercado ao longo da semana.