Milho volta a cair em Chicago nesta terça-feira, apesar de nova venda de 1,73 milhão de toneladas dos EUA

Publicado em 03/11/2026 07:20
Avanço da colheita americana e redução do consumo para etanol em setembro também seguem no radar

Os preços futuros do milho voltaram a registrar perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta terça-feira (3), devolvendo os pequenos ganhos observados no primeiro pregão de novembro. Mesmo diante de novos sinais positivos da demanda internacional, incluindo uma venda expressiva dos Estados Unidos ao México, os contratos permanecem pressionados pelas expectativas de disponibilidade da safra norte-americana e pelas condições de concorrência no mercado global.

Por volta das 7h05 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,4700 por bushel, com queda de 1,25 cent em relação ao fechamento anterior. O março/27 também recuava 1,25 cent, cotado a US$ 4,6075, enquanto o maio/27 perdia 1,25 cent, para US$ 4,6950. O julho/27 apresentava baixa de 1,00 cent, negociado a US$ 4,7625 por bushel.

Na segunda-feira (2), o dezembro/26 havia encerrado a sessão a US$ 4,4825 por bushel, com valorização de 0,11%, depois de chegar a superar os US$ 4,50 durante a manhã. A dificuldade para sustentar esse patamar continua chamando atenção após um outubro marcado por perdas superiores a 10% nos contratos mais próximos.

Nova venda ao México reforça demanda, mas exportações acumuladas seguem abaixo de 2025

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou na segunda-feira uma venda privada de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas de milho ao México, sendo 1,135 milhão de toneladas destinadas à temporada comercial 2026/27 e outras 594,36 mil toneladas à safra 2027/28.

A operação acrescenta um indicador positivo para a demanda norte-americana, especialmente pela participação do México, um dos principais compradores do cereal dos Estados Unidos.

Entretanto, os números acumulados de exportação ainda apresentam resultados inferiores aos observados no mesmo período do ano passado.

Segundo o relatório de inspeções divulgado também na segunda-feira, os embarques inspecionados de milho somaram 884.766 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, crescimento de 38,63% em relação à semana anterior, mas volume 48,32% abaixo do registrado um ano antes.

Desde o início da temporada comercial 2026/27, em setembro, as inspeções alcançaram 10,68 milhões de toneladas, resultado 13,21% inferior ao acumulado no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Os indicadores mostram que novas contratações comerciais continuam acontecendo, mas a movimentação física do cereal ainda precisa ganhar ritmo para recuperar a diferença em relação ao ano passado.

Colheita avança para 74% e consumo para etanol recua em setembro

No campo, o USDA informou que a colheita de milho dos Estados Unidos alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais em relação aos 60% registrados na semana anterior.

Apesar da aceleração, os trabalhos permanecem três pontos percentuais abaixo da média de 77% dos últimos cinco anos.

O avanço da colheita continua ampliando a disponibilidade física do cereal, embora o ritmo ligeiramente inferior ao histórico também permaneça entre os fatores acompanhados pelos operadores.

Na demanda industrial, o USDA divulgou na segunda-feira os dados de consumo de milho para produção de etanol combustível em setembro. Segundo o relatório Grain Crushings, as usinas norte-americanas utilizaram 438,42 milhões de bushels no mês, redução de aproximadamente 9% em relação a agosto.

Na comparação com setembro de 2025, entretanto, o consumo apresentou crescimento de aproximadamente 1%.

A diferença entre os dois períodos também reflete parcialmente o calendário, uma vez que agosto teve 31 dias e setembro contou com 30. Mesmo ajustando o número de dias, o ritmo médio diário de processamento apresentou redução.

Os números acrescentam novas referências para o acompanhamento da demanda doméstica americana, que representa uma parcela importante do consumo de milho no país.

Brasil retoma negociações na B3 após feriado

No Brasil, a terça-feira marca a retomada das negociações regulares na B3 após o feriado de Finados, quando os futuros brasileiros não foram negociados.

O mercado doméstico também acompanha as condições da próxima safra. Segundo levantamento da AgRural, o plantio do milho verão 2026/27 alcançou 63% da área prevista no Centro-Sul, acima dos 59% registrados no mesmo período do ano passado.

O avanço dos trabalhos ocorre enquanto os produtores continuam avaliando as oportunidades de comercialização, o comportamento do dólar e as perspectivas de oferta para 2027.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que parte dos compradores domésticos permanece relativamente abastecida para novembro e início de dezembro, enquanto os produtores precisam considerar os custos de armazenagem e as necessidades de fluxo de caixa ao definir suas estratégias comerciais.

Já Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que a concorrência dos Estados Unidos e da Argentina continua limitando a recuperação dos prêmios brasileiros de exportação, mesmo diante das oportunidades criadas pelas oscilações cambiais.

Para os produtores brasileiros, a nova queda de Chicago nesta terça-feira mantém as referências internacionais pressionadas. A retomada dos negócios na B3 e a evolução do câmbio deverão mostrar como o mercado doméstico reage aos últimos indicadores de oferta e demanda, especialmente depois das perdas expressivas registradas em outubro.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Safra de milho verão entra na reta final de plantio no Sul e alcança 44,2% no Brasil
Milho volta a cair em Chicago nesta terça-feira, apesar de nova venda de 1,73 milhão de toneladas dos EUA
Milho/Cepea: Preços reagem; negociações seguem lentas
Demanda por etanol cresce, mas usinas abastecidas podem limitar recuperação dos preços do milho no início de 2027
Consumo de milho para produção de etanol nos EUA cai 9% em setembro, mas supera volume de 2025
Milho fecha em leve alta em Chicago nesta segunda-feira, mas dezembro não sustenta os US$ 4,50