Milho amplia perdas em Chicago, mas B3 sobe até 0,77% nesta terça-feira com dólar valorizado
Os preços futuros do milho ampliaram as perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo desta terça-feira (3), enquanto os contratos negociados na B3 apresentavam valorizações de até 0,77% na retomada das negociações após o feriado de Finados. O movimento divergente ocorre em meio à valorização do dólar frente ao real, à melhora das referências de exportação brasileiras e à continuidade da pressão sazonal da colheita norte-americana.
Por volta das 13h20 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,4450 por bushel em Chicago, com queda de 3,75 cents, equivalente a 0,84%. O março/27 recuava 3,25 cents, cotado a US$ 4,5875, enquanto o maio/27 apresentava baixa de 3,50 cents, para US$ 4,6725. O julho/27 perdia 2,75 cents, negociado a US$ 4,7450 por bushel.
A pressão aumentou em relação à abertura, quando o dezembro/26 era negociado a US$ 4,4700 por bushel. O contrato amplia as perdas depois de uma segunda-feira marcada por recuperação discreta, quando terminou a US$ 4,4825, sem conseguir sustentar a valorização acima dos US$ 4,50 observada durante a manhã.
B3 avança na retomada das negociações
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros apresentavam movimento contrário ao observado em Chicago, com ganhos em todos os vencimentos acompanhados.
Por volta das 13h28, o novembro/26 era negociado a R$ 67,66 por saca de 60 quilos, com valorização de 0,65%. O janeiro/27 avançava 0,72%, cotado a R$ 71,67, enquanto o março/27 registrava ganho de 0,77%, para R$ 75,65. O maio/27 subia 0,60%, negociado a R$ 74,92 por saca.
A recuperação dos futuros brasileiros ocorre em um cenário de valorização cambial. Nesta terça-feira, o dólar voltou a se aproximar dos R$ 5,50, depois de acumular ganhos expressivos na última semana de outubro.
Uma moeda norte-americana mais valorizada tende a favorecer as referências de exportação do milho brasileiro, embora a formação dos preços domésticos também dependa dos prêmios, dos custos logísticos e das condições de oferta e demanda em cada região.
Segundo acompanhamento do Cepea, a valorização do dólar e a recuperação das referências nos portos favoreceram os preços do milho no mercado brasileiro. Entretanto, as negociações ainda apresentam liquidez limitada, com compradores realizando aquisições pontuais e parte dos produtores mantendo menor disposição para vender.
USDA confirma novas vendas de milho ao México e à Coreia do Sul
Do lado da demanda internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta terça-feira novas vendas de 451 mil toneladas de milho norte-americano para exportação, com entregas previstas para a temporada comercial 2026/27.
Do volume total, 315 mil toneladas foram negociadas com o México, enquanto outras 136 mil toneladas têm como destino a Coreia do Sul.
O anúncio ocorre um dia depois de o USDA confirmar uma operação de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas de milho ao México, distribuída entre os anos comerciais 2026/27 e 2027/28.
Apesar dos volumes expressivos de novas contratações, o ritmo acumulado de embarques ainda apresenta resultados inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado.
Segundo o relatório de inspeções divulgado na segunda-feira, os Estados Unidos inspecionaram 884.766 toneladas de milho para exportação na semana encerrada em 29 de outubro, crescimento de 38,63% na comparação semanal, mas redução de 48,32% diante do mesmo período de 2025.
No acumulado da temporada 2026/27, as inspeções somaram 10,68 milhões de toneladas, volume 13,21% inferior ao registrado um ano antes.
Colheita americana avança e demanda industrial apresenta recuo
O avanço da colheita dos Estados Unidos permanece entre os fundamentos que influenciam as expectativas de disponibilidade do cereal.
No relatório Crop Progress divulgado na segunda-feira, o USDA informou que 74% da área cultivada com milho havia sido colhida até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais em uma semana. Apesar da aceleração, os trabalhos permanecem abaixo da média histórica de 77% para o período.
Na demanda industrial, os dados divulgados pelo departamento também mostraram que o consumo de milho destinado à produção de etanol combustível alcançou 438,42 milhões de bushels em setembro, queda de aproximadamente 9% em relação a agosto, mas volume 1% superior ao registrado em setembro de 2025.
A diferença mensal também reflete parcialmente o calendário, já que agosto teve 31 dias e setembro contou com 30. Mesmo considerando o ritmo médio diário, entretanto, houve redução na utilização de milho para a produção do biocombustível.
Comercialização brasileira depende de câmbio e demanda regional
No Brasil, a valorização do dólar oferece um elemento de sustentação para os preços, mas não elimina as dificuldades relacionadas à comercialização do cereal.
Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que parte dos compradores domésticos permanece relativamente abastecida para novembro e início de dezembro, enquanto os produtores avaliam os custos de armazenagem e as necessidades de fluxo de caixa antes de ampliar as vendas.
Já Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que a concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no mercado internacional continua limitando a recuperação dos prêmios de exportação brasileiros, mesmo diante da valorização cambial.
Para os produtores, o comportamento divergente desta terça-feira reforça a importância de acompanhar as referências internacionais e domésticas de forma conjunta. Enquanto Chicago permanece pressionada pelas expectativas de oferta, os futuros brasileiros encontram algum espaço de recuperação diante do câmbio e das condições locais de comercialização.
A continuidade desse movimento dependerá da evolução das exportações, do comportamento dos compradores e das perspectivas de produção para a próxima temporada.