Milho oscila próximo da estabilidade em Chicago nesta sexta-feira, com dezembro abaixo dos US$ 4,40

Publicado em 06/11/2026 09:34
mercado acompanha demanda americana por exportações e etanol

Os preços futuros do milho iniciaram a sexta-feira (6) próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), depois das perdas registradas no pregão anterior. O contrato dezembro/26 permanecia abaixo dos US$ 4,40 por bushel, enquanto os operadores avaliavam os indicadores de demanda norte-americana e as expectativas de produção elevada, na reta final da colheita dos Estados Unidos e às vésperas de um novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura do país (USDA).

Por volta das 9h18 (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a US$ 4,3950 por bushel, com queda de 0,50 cent. O março/27 recuava 0,50 cent, cotado a US$ 4,5400, enquanto o maio/27 apresentava baixa de 0,50 cent, para US$ 4,6275. O julho/27 também perdia 0,50 cent, negociado a US$ 4,7025 por bushel.

As pequenas oscilações ocorrem depois de uma quinta-feira marcada por desvalorizações em Chicago. O contrato dezembro/26 encerrou o pregão anterior a US$ 4,4000 por bushel, com perda de 4,25 cents, devolvendo a recuperação observada na quarta-feira.

Demanda americana apresenta indicadores positivos

Os números de demanda seguem oferecendo um contraponto às expectativas de oferta elevada de milho nos Estados Unidos.

No relatório semanal de vendas para exportação divulgado na quinta-feira, o USDA informou aproximadamente 1,295 milhão de toneladas em vendas líquidas para a temporada 2026/27, volume que permanece dentro das expectativas anteriormente apresentadas pelo mercado.

O resultado se soma às operações privadas anunciadas no início da semana, incluindo negócios expressivos com o México e a Coreia do Sul, embora as novas contratações ainda não tenham sido suficientes para sustentar uma recuperação consistente das cotações.

A indústria de etanol também continua em destaque. Segundo os últimos dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a produção média do biocombustível alcançou 1,143 milhão de barris por dia na semana encerrada em 30 de outubro, crescimento de 25 mil barris diários em relação ao levantamento anterior.

A atividade das usinas representa uma importante fonte de consumo doméstico do milho americano e permanece entre os fundamentos acompanhados pelos operadores.

Oferta elevada e novo USDA limitam recuperação

Apesar dos indicadores de demanda, as perspectivas de produção continuam influenciando o mercado, especialmente com a aproximação do próximo relatório do USDA.

Nesta semana, a StoneX elevou sua projeção de produtividade do milho norte-americano para 183,1 bushels por acre, passando a estimar produção de 16,203 bilhões de bushels na temporada 2026/27.

Os números da consultoria permanecem acima das estimativas oficiais anteriores e reforçam a atenção às possíveis revisões de produção que poderão ser apresentadas pelo USDA na terça-feira, 10 de novembro.

Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, segundo o último relatório de progresso das lavouras, permanecendo abaixo da média histórica de 77%.

Além da produção americana, o mercado também acompanha o potencial da próxima safra brasileira, diante das expectativas de plantio antecipado do milho safrinha em importantes regiões do Centro-Oeste.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas na quinta-feira, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avaliou que o calendário mais adiantado da soja poderá permitir uma janela favorável para a segunda safra, com possibilidade de entrada de milho novo no mercado brasileiro já em maio de 2027, caso as condições climáticas permitam.

Para os produtores brasileiros, o comportamento dos futuros internacionais continuará sendo acompanhado em conjunto com o câmbio e as referências domésticas. Na B3, o contrato janeiro/27 encerrou a quinta-feira a R$ 71,20 por saca, enquanto o março/27 terminou a R$ 75,30.

A divulgação das próximas estimativas do USDA deverá acrescentar novas informações sobre o equilíbrio entre produção, demanda e estoques, enquanto Chicago tenta encontrar sustentação depois das perdas recentes.

Fonte: Notícias Agrícolas

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