Milho reage nesta 4ªfeira e fecha em alta em Chicago com avanço da produção de etanol; B3 tem estabilidade e perdas no físico

Mercado brasileiro apresenta comportamento misto, com recuos mais expressivos em Mato Grosso do Sul
Publicado em 04/11/2026 16:46

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Os preços futuros do milho recuperaram parte das perdas recentes e encerraram a quarta-feira (4) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), depois de iniciarem o pregão no campo negativo. O movimento ocorreu em meio à divulgação de novos dados de produção de etanol nos Estados Unidos, que indicaram aumento da atividade industrial, enquanto o mercado continua avaliando as perspectivas de oferta elevada e o ritmo das exportações norte-americanas. No Brasil, a B3 apresentou oscilações moderadas, mas o mercado físico registrou quedas de até 6% em Mato Grosso do Sul.

Nas últimas cotações disponibilizadas pela Barchart, o contrato dezembro/26 do milho era negociado a US$ 4,4450 por bushel em Chicago, com valorização de 1,75 cent, equivalente a 0,40%. O março/27 avançava 2,00 cents, para US$ 4,5850, enquanto o maio/27 registrava ganho de 1,50 cent, cotado a US$ 4,6650. O julho/27 subia 1,25 cent, negociado a US$ 4,7350 por bushel.

A reação ocorreu depois de o dezembro/26 alcançar a mínima de US$ 4,3850 por bushel durante a manhã. O contrato chegou a superar os US$ 4,47 ao longo da sessão, mas devolveu parte da valorização antes das últimas negociações.

O movimento interrompeu a sequência de duas sessões consecutivas de perdas registradas no início de novembro. Apesar da recuperação, os preços permanecem abaixo dos US$ 4,50 por bushel, em um mercado ainda pressionado pelas perspectivas de oferta.

Produção de etanol cresce nos Estados Unidos

Um dos novos indicadores divulgados nesta quarta-feira foi o relatório semanal da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), que apontou aumento da produção de etanol no país.

Na semana encerrada em 30 de outubro, a produção média alcançou 1,143 milhão de barris por dia, crescimento de 25 mil barris diários em relação à semana anterior, quando as usinas haviam produzido 1,118 milhão de barris por dia.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume apresentou crescimento de aproximadamente 4,6%.

Os estoques americanos de etanol também registraram redução semanal de 89 mil barris, encerrando o período em 24,434 milhões de barris. Apesar da queda, o volume armazenado permanece 2,1% acima do registrado um ano antes.

Os números acrescentam um indicador favorável à atividade das usinas norte-americanas, responsáveis por uma parcela importante do consumo doméstico de milho. Entretanto, o aumento da produção de etanol não permite determinar, isoladamente, a quantidade de cereal processada durante a semana.

O resultado também contrasta com os dados mensais divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na segunda-feira (2), que mostraram redução de aproximadamente 9% no consumo de milho para etanol combustível em setembro, na comparação com agosto.

Perspectivas de oferta elevada ainda limitam recuperação

Apesar da reação desta quarta-feira, as expectativas de disponibilidade do milho norte-americano continuam entre os principais fatores acompanhados pelos operadores.

A StoneX elevou recentemente sua estimativa de produtividade dos Estados Unidos em 1 bushel por acre, para 183,1 bushels por acre. Com a revisão, a consultoria ampliou sua projeção de produção em 88 milhões de bushels, passando a estimar uma safra de 16,203 bilhões de bushels para 2026/27.

No campo, o USDA informou que a colheita de milho alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais em uma semana, mas ainda abaixo da média histórica de 77%.

Do lado da demanda externa, os exportadores americanos anunciaram nos últimos dias operações expressivas, incluindo vendas de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas ao México na segunda-feira e outras 451 mil toneladas ao México e à Coreia do Sul na terça-feira.

Mesmo com essas contratações, Chicago apresentou dificuldades para sustentar uma recuperação nos primeiros pregões do mês. O comportamento mostra que os investidores continuam avaliando a demanda diante das expectativas de elevada oferta nos Estados Unidos e em outras importantes origens exportadoras.

B3 encerra sessão com oscilações moderadas

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho encerraram a quarta-feira com movimentações distintas, sem acompanhar de maneira uniforme a valorização de Chicago.

O novembro/26 terminou estável, cotado a R$ 67,35 por saca de 60 quilos. O janeiro/27 recuou 0,11%, fechando a R$ 71,69, enquanto o março/27 registrou valorização de 0,40%, para R$ 76,20. O maio/27 apresentou pequena queda de 0,01%, terminando a R$ 75,19 por saca.

O comportamento ocorreu depois de uma terça-feira marcada por ganhos nos futuros brasileiros, mesmo diante das perdas internacionais.

A formação dos preços domésticos continua condicionada ao câmbio, às condições regionais de comercialização e às expectativas para a próxima safra.

No Brasil, a StoneX também revisou para cima sua estimativa de produção de milho na temporada 2026/27. A projeção da primeira safra foi ampliada em 1,4 milhão de toneladas, para 30,68 milhões de toneladas, enquanto a estimativa da segunda safra permanece em 113,53 milhões de toneladas.

Mercado físico registra quedas

No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou predomínio de estabilidade nas praças acompanhadas, mas com recuos expressivos em determinadas regiões nesta quarta-feira.

O principal destaque foi Maracaju, em Mato Grosso do Sul, onde a cotação caiu, encerrando a R$ 47,00 por saca. Em São Gabriel do Oeste e Campo Grande, também no estado, os preços recuaram terminando a R$ 48,00 nas duas localidades.

Em Brasília, a referência apresentou baixa para R$ 56,00 por saca, enquanto Sorriso, em Mato Grosso, registrou desvalorização a R$ 42,70.

Em contrapartida, outras regiões importantes permaneceram estáveis. Jataí e Rio Verde, em Goiás, mantiveram as cotações em R$ 54,00 por saca, enquanto Campinas, em São Paulo, registrou referência de R$ 67,00.

Nos portos, os preços também não apresentaram alterações. Em Paranaguá, no Paraná, o milho disponível permaneceu a R$ 69,00 por saca, enquanto Santos, em São Paulo, manteve a referência de R$ 65,00.

O levantamento evidencia que a recuperação dos futuros americanos não se refletiu de maneira uniforme sobre os preços domésticos.

Para os produtores brasileiros, o encerramento desta quarta-feira reforça a diferença entre a movimentação internacional e as condições regionais de comercialização. Além dos futuros e do câmbio, o comportamento dos compradores, os custos logísticos e as perspectivas de oferta continuarão determinando as oportunidades de negociação.

A evolução da demanda americana para exportação e etanol, as próximas estimativas de produção e o desenvolvimento da safra brasileira seguirão entre os fatores acompanhados pelo mercado nas próximas sessões.

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