Petróleo despenca mais de 7% nesta segunda-feira com expectativas de acordo para encerrar guerra com Irã

Publicado em 02/11/2026 15:01
Brent recua para perto de US$ 105 e WTI fica abaixo dos US$ 100 por barril; negociações diplomáticas reduzem prêmio de risco, mas ameaças ao abastecimento continuam

Os preços internacionais do petróleo aprofundaram as perdas ao longo desta segunda-feira (2), primeiro pregão de novembro, com desvalorizações superiores a 7% nas principais referências do mercado. O movimento é impulsionado pelas expectativas de avanço nas negociações diplomáticas para encerrar o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, reduzindo parte do prêmio de risco incorporado às cotações diante das ameaças ao abastecimento no Oriente Médio.

Por volta das 14h24 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent recuavam US$ 8,47 por barril, equivalente a 7,47%, sendo negociados a US$ 104,96 na Bolsa de Londres (ICE). Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) apresentava desvalorização de US$ 7,50, ou 7,20%, cotado a US$ 96,62 por barril.

A queda representa uma mudança expressiva em relação ao comportamento observado durante outubro, quando o Brent encerrou o mês no maior patamar em seis meses, sustentado pelas preocupações com uma possível intensificação dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre a produção e o transporte de petróleo.

Nesta segunda-feira, entretanto, as perspectivas de avanço diplomático levaram os investidores a reavaliar parte desses riscos.

Negociações com Irã reduzem preocupações imediatas

Segundo informações da Reuters, representantes iranianos participaram de negociações com mediadores do Catar para discutir propostas destinadas ao encerramento da guerra. Uma minuta de acordo estaria circulando entre os envolvidos, com possibilidade de novas reuniões para dar continuidade às conversas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o líder supremo do país concedeu determinadas autorizações ao governo relacionadas às negociações de paz. A declaração ampliou as expectativas de que as conversas possam avançar para um entendimento diplomático.

Apesar dos sinais de aproximação, ainda não existe confirmação de um acordo definitivo, e permanecem incertezas sobre as condições necessárias para encerrar as hostilidades.

Para Giovanni Staunovo, analista do UBS ouvido pela Reuters, o mercado continua extremamente sensível às notícias provenientes do Oriente Médio. Segundo ele, enquanto os temores de uma escalada militar sustentaram a valorização do petróleo na última semana, o avanço das negociações passou a exercer pressão contrária sobre os preços.

A mudança de percepção é especialmente relevante porque parte da valorização recente estava associada ao risco de novas interrupções na produção e no transporte da commodity, e não apenas às condições habituais de oferta e demanda.

Estreito de Ormuz e estoques mantêm riscos de abastecimento

Embora as expectativas diplomáticas tenham provocado uma forte queda nas cotações, os fundamentos de oferta continuam exigindo atenção.

O conflito no Oriente Médio provocou interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Os ataques recentes a petroleiros e à infraestrutura energética da região elevaram os custos e as dificuldades logísticas, contribuindo para a valorização da commodity nos meses anteriores.

Segundo Sultan Al Jaber, presidente-executivo da estatal petrolífera ADNOC, de Abu Dhabi, aproximadamente 1 bilhão de barris de petróleo foram retirados dos estoques globais desde o início das interrupções no transporte pela região.

Apesar das dificuldades, também existem sinais de recuperação pontual da movimentação comercial. Dados de empresas de monitoramento marítimo indicaram aumento das exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita em outubro, na comparação com setembro, mesmo diante dos ataques à infraestrutura energética do país.

O cenário mantém o mercado dividido entre a possibilidade de redução das tensões geopolíticas e os riscos concretos de abastecimento ainda presentes.

Em relatório divulgado no domingo (1º), o Goldman Sachs elevou suas projeções para o petróleo diante das ameaças persistentes à oferta. O banco avalia que o Brent poderia alcançar US$ 140 por barril em 2027 caso a produção dos países do Golfo permaneça 3,5 milhões de barris diários abaixo da média registrada em 2025.

A estimativa representa um cenário condicionado à manutenção das restrições de oferta, e não uma previsão de que esse patamar necessariamente será alcançado.

Queda do petróleo também entra no radar do agronegócio

Para o agronegócio brasileiro, a forte desvalorização do petróleo representa um movimento importante a ser acompanhado, especialmente pelos possíveis reflexos sobre combustíveis, custos logísticos e competitividade dos biocombustíveis.

O petróleo é uma referência relevante para a formação dos preços internacionais do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário de grãos, fertilizantes e outros insumos agrícolas, além das operações mecanizadas nas propriedades rurais.

Uma redução sustentada das cotações internacionais pode diminuir parte da pressão sobre os custos energéticos e logísticos. Entretanto, esse efeito não é automático, já que os preços praticados no Brasil também dependem do câmbio, das margens de refino e distribuição e das políticas comerciais das empresas do setor.

O movimento também merece atenção das cadeias de etanol, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho. Como a competitividade desses biocombustíveis depende, entre outros fatores, dos preços da gasolina, mudanças mais duradouras no mercado internacional de petróleo podem influenciar as condições de comercialização.

Por enquanto, a queda desta segunda-feira representa uma alteração importante nas expectativas dos investidores, mas ainda não permite antecipar reduções efetivas nos preços dos combustíveis brasileiros.

O mercado continuará acompanhando os desdobramentos das negociações envolvendo o Irã e as condições de circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz. A confirmação de avanços diplomáticos poderá modificar novamente as expectativas de oferta, enquanto eventuais novos ataques ou dificuldades nas conversas poderão devolver volatilidade às cotações.

Fonte: Notícias Agrícolas

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